02 de Agosto, 2011 - 10:42 ( Brasília )

Defesa

Jobim elogia Dilma e diz que quer ficar, mas já admite saída

Ministro da Defesa afirma que presidente é "extraordinária", mas que ficará "tudo bem" se ela decidir tirá-lo do governo Peemedebista irritou a chefe ao declarar voto em Serra; ele prometeu examinar as suspeitas de fraude no exército

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BERNARDO MELLO FRANCO

Com o cargo em risco há uma semana, o ministro Nelson Jobim (Defesa) admitiu ontem, pela primeira vez em público, que pode deixar o governo Dilma Rousseff.

Ele disse que deseja permanecer no cargo, mas que ficará "tudo bem" caso seja substituído: "A presidente é quem decide essas coisas. Se puder continuar, tudo bem. Se não puder, tudo bem".

A relação entre os dois se deteriorou no último dia 26, quando ele declarou no programa "Poder e Política", parceria da Folha e do UOL, ter votado em José Serra (PSDB) na eleição de 2010.

Ontem, no "Roda Viva" da TV Cultura, Jobim mudou de tom e rasgou elogios à chefe.
"A presidente Dilma é extraordinária. Minha relação com ela é ótima", disse. "Ela tem uma grande visão de Estado, uma visão de futuro."

Jobim afirmou não se sentir desconfortável com a presidente, que estuda substituí-lo. "Não tenho nenhum problema, nenhuma dificuldade", disse. "Sou ministro por prazer. Desejo continuar a fazer o que estou fazendo."

Questionado se planejava sair, foi enfático: "Absolutamente. Não mesmo." E negou ter sido desleal com Dilma: "Alguém pode não acreditar, mas não sou dissimulado. Sempre fui assim". "Aprendi com o dr. Ulysses [Guimarães]: em política, até a raiva é combinada."
O ministro se reuniria com Dilma dia 11, mas o encontro foi antecipado para amanhã.

 

Ele disse acompanhar a investigação sobre o suposto envolvimento de oito generais, entre eles o comandante do exército, Enzo Martins Peri, no desvio de R$ 11 milhões em obras de rodovias.

"Não costumo adiantar juízos nem antecipar a culpa", disse. "Se houver problema, vão pagar. Se não, as coisas continuarão iguais."

Apesar de estar contrariada com Jobim, Dilma não deve tomar uma decisão sobre o ministro -que mantém o apoio de Lula- nesta semana. A Folha apurou que suas declarações ao "Roda Viva" foram vistas com simpatia no Planalto, embora possam ter chegado "um pouco tarde".