18 de Dezembro, 2014 - 10:20 ( Brasília )

Defesa

Comandante da Missão da ONU no Congo, General Santos Cruz, explica funcionamento de operações de paz em "hangout"


Durante o hangout – primeiro promovido pela Defesa -, o general detalhou como foi a sua atuação no comando da missão de paz da ONU no Haiti e explicou a complexidade do trabalho que vêm sendo realizado no Congo, maior missão de pacificação da história das Nações Unidas.

Ao responder às perguntas de internautas sobre sua atuação no Haiti – considerada por muitos deles como “heroica” - Santos Cruz afirmou que a principal característica desse tipo de missão é o sofrimento humano.

Para Santos Cruz, por estar cotidianamente vendo pessoas em situação de pobreza, violência e profunda vulnerabilidade, não há a sensação de se estar realizando um ato de heroísmo.

“Simplesmente represento uma geração de oficiais do Exército que tem suas oportunidades, suas obrigações, e tenho certeza de que tive a chance de ser escolhido para essa tarefa que estou desempenhando. No Exército Brasileiro, existe um grande número de pessoas habilitadas para esse tipo de missão e eu me considero um privilegiado por ter essa oportunidade”, disse.

Confira, no vídeo abaixo, a íntegra do hangout:


Ao falar sobre o trato com soldados de outras 18 nacionalidades que precisam obedecer aos seus comandos, o general explicou que sua receita é “seriedade e simplicidade”, e assegurou que a percepção do mundo em relação ao Brasil é um facilitador.

“Carrego a vantagem do prestígio que o Brasil possui, através de outros militares que já participaram de missões, da nossa diplomacia e do governo brasileiro, que se engajou completamente na missão do Haiti”, disse.

Curiosidades

O general Santos Cruz respondeu às diversas perguntas de internautas sobre curiosidades que fazem parte desse tipo de missão, entre elas, a um questionamento sobre um habito controverso já conhecido dele: o de comandar as tropas na linha de frente, junto com os soldados.

Santos Cruz esclareceu que adota tal postura, em primeiro lugar, para avaliar o risco efetivo ao qual estará submetendo a sua tropa. “Você não pode ser irresponsável nem inconsequente, mas você tem que, no mínimo, ser capaz de fazer aquilo que você está exigindo que os seus subordinados façam”, disse.

Em segundo lugar, o general afirmou que ao se colocar na frente da tropa ele não está puxando o grupo, mas sim, sendo por eles “empurrado”. “Quando você está na frente com os soldados, normalmente as pessoas pensam que você está puxando a tropa, mas, na verdade, você está sendo empurrado porque a convivência com o pessoal mais novo ali na linha de frente é o que traz coragem para a gente. A tendência é a gente ir ficando mais nervoso, mas, quando a gente se mistura com o pessoal mais novo na linha de frente, isso nos traz mais coragem”, declarou.

A simplicidade do comandante chamou a atenção dos internautas que dispararam elogios nas redes sociais: “O senhor dignifica as Forças Armadas e distingue o Brasil”, disse Sóstenes Arruda. “General, parabéns pelo seu trabalho, creio que o mundo inteiro está muito satisfeito com o seu comando no Congo”, afirmou o internauta Raphael Rodrigues.