09 de Outubro, 2014 - 09:30 ( Brasília )

Defesa

Forças Armadas buscam fornecedores no Rio Grande do Sul

Negócios dependem de produtos competitivos em preço e qualidade

A baixa produtividade é obstáculo a ser superado para que a indústria gaúcha se torne competitiva e atenda demandas das Forças Armadas, hoje supridas por outros estados e por meio de importações. O recado foi dado, nesta quarta-feira, em Caxias do Sul, em reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, por Jorge Py Velloso, coordenador do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança do Rio Grande do Sul (Comdefesa). Segundo ele, as Forças Armadas gastam, anualmente, em torno de R$ 1 bilhão no Estado.

Velloso palestrou na abertura da programação do Seminário de Atualização de Demandas de Bens e Serviços Industriais da Marinha, Exército e Aeronáutica, que segue até as 12h desta quinta-feira na entidade caxiense. De acordo com o coordenador, as empresas precisam ter em mente a necessidade de aumentar a produtividade e competitividade, investindo em novos processos e no treinamento da mão de obra.

Projetos e programas estratégicos estão em curso, abrindo oportunidades para negociar bens e serviços à Marinha, Exército e Aeronáutica. Velloso ressaltou que o fornecimento para as Forças Armadas brasileiras abre possibilidades de exportar os mesmos produtos para o setor de defesa de outros países, especialmente da América do Sul. Outro benefício a quem integra a base industrial de defesa é a isenção de impostos federais.

Indústrias de Caxias do Sul, como a Agrale, fabricante do utilitário Marruá, já fornecem para as Forças Armadas. De acordo com o presidente Hugo Zattera, de 15% a 20% do faturamento da montadora são resultado das vendas de veículos para fins militares, não só no Brasil, como para outros países.

Segundo Zattera, fornecer para as Forças Armadas exige investimento, paciência e rigor quanto à qualidade do produto. “Foram oito anos até passarmos a fornecer ao Exército”, relatou. Desde 2010, quando as vendas tiveram início efetivo, a Agrale já entregou em torno de 3 mil unidades do veículo para as forças armadas do Brasil, de países da América do Sul, da África e do Oriente Médio.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, Getulio Fonseca, recordou o resultado positivo de um encontro promovido pela entidade com o comando naval de Rio Grande. Destacou que, a partir da reunião, a Marinha encontrou fornecedor para seus espadins, que eram importados da China. “Temos capacidade para atender a demanda, mas as empresas não podem depender só deste mercado.”
Orçamentos baixos inibiram consolidação de pedidos

Jorge Py Velloso destacou que, em dois anos de trabalho do Comdefesa, os resultados ficaram abaixo do esperado. Frequentes adiamentos nos orçamentos das Forças Armadas inibiram a consolidação de negócios.

O comandante militar do Sul, general Antônio Hamilton Martins Mourão, confirmou que o Exército não tem sido atendido plenamente em seus pleitos orçamentários, principalmente no que se refere a recursos para qualificação da frota.

Assinalou, porém, que recentemente houve compra de lote considerável de viaturas, dentre elas, o modelo Marruá, da Agrale. “Alguns dos projetos estão inseridos no PAC e com verbas garantidas; outros não.” No entanto, nos últimos dois a três anos o Exército vem sendo atendido nos pleitos relacionados à infraestrutura dos quartéis, alimentação, uniformes e manutenção da frota.

O general anunciou como uma das prioridades a implantação de um Centro de Treinamento e Adestramento em Santa Maria, dotado de equipamentos de simulação. A medida deverá reduzir os elevados custos nos treinamentos práticos.