19 de Maio, 2011 - 10:27 ( Brasília )

Defesa

Já passou da hora de agir na Amazônia


Agostinho Vieira

Finalmente o governo resolveu se mexer e fazer alguma coisa, mesmo que seja falar grosso e ameaçar convocar o Exército, para combater crimes ambientais que, não é de hoje, vêm acontecendo na Amazônia. Um aumento de 444% do desmatamento no Mato Grosso, somente nos meses de março e abril, beira o deboche. Com certeza, um resultado triste e esperado da posição tímida e confusa que o Planalto adotou nas negociações do Código Florestal.

Uma coisa é negociar mudanças no texto, defender posições diversas e, até mesmo, fazer manifestações públicas. Outra, bem diferente, é incentivar o crime para criar um fato consumado. Muitos ainda apostam que quem desmatou vai ser anistiado. Fazer uso dos chamados "correntões" (tratores ligados por correntes) para derrubar grandes áreas de floresta, só pode ser parte da convicção de que nada acontecerá. É verdade que uma lei estadual mais branda e o aumento no preço das commodities também servem como um excelente combustível.

Um estudo recente patrocinado pelo Banco Mundial mostrou que o aumento da temperatura do planeta e o crescimento no ritmo do desmatamento podem levar a região a sofrer um processo de savanização. Por ironia, uma das áreas mais ameaçadas é exatamente a região do Mato Grosso. O problema é que, nos últimos tempos, as conclusões científicas têm sido atropeladas pelos interesses econômicos e políticos.

Seria ótimo se o país tivesse um cadastro ambiental rural atualizado, que permitisse a identificação rápida e precisa de quem está desmatando. Mas nada que uma força-tarefa disposta a enfrentar o problema não resolva. O Ibama conhece muito bem os municípios mais afetados: Alto Boa Vista, Nova Ubiratã e Bom Jesus do Araguaia. Essa é a hora de mostrar autoridade, separar ambientalistas e agricultores dos criminosos.