COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Geopolítica

25 de Fevereiro, 2013 - 11:54 ( Brasília )

Rede mundial não consegue conter ataques


Grigori Milenin

A Internet é indefesa perante o gênio maligno dos hackers. Isso foi mais uma vez demonstrado por uma série de ciberataques a grandes recursos da rede nos EUA. Na opinião dos peritos, os ataques virtuais estão se transformando gradualmente de uma arma dos cibercriminosos em um instrumento da luta geopolítica.

Depois de a maior rede social Facebook ter informado que foi alvo de um “ciberataque sofisticado”, alguns peritos estrangeiros declararam, nas páginas dos jornais ocidentais, que esse ataque de hackers teria o envolvimento da China. Segundo o perito em tecnologias de informação Vladimir Konev, essa situação é completamente possível, especialmente se considerarmos o desejo da China pela utilização, nem sempre legal, de tecnologias estrangeiras:

“A China, como sabemos, é um eixo de contrafação mundial e, por consequência, da imitação de quaisquer recursos e por isso podemos observar ataques informáticos organizados, por parte da China, a portais concretos e a recursos concretos com fins de espionagem industrial e de roubo de dados. Eles têm escolas de programadores e de piratas informáticos bastante desenvolvidas.”

A China é hoje, talvez, o maior adversário geopolítico dos Estados Unidos e atos semelhantes encaixam perfeitamente no sistema atual da confrontação global. Os EUA têm, no entanto, outros adversários que podem, recorrendo a ciberataques, tentar agravar propositadamente as relações entre dois protagonistas, considera Ekaterina Aksenova, diretora-geral da empresa criadora de sites Strateg e perita em segurança informática:

“Quaisquer ataques desse tipo têm uma grande repercussão por terem como alvos sites de grande visibilidade. O percurso desses ataques também pode ser falsificado. Ou seja, se tudo indica que foi a China, isso não quer dizer que assim seja, porque no ciberespaço se pode manipular os dados de uma forma muito abrangente e será muito possível que os ataques não tenham origem na China.”

Além disso, Ekaterina Aksenova está convencida que os incidentes de hoje não são mais que um treino dos hackers. A perita refere que os ciberataques realmente destrutivos ainda estão para vir:

“Eu penso que nos tempos mais próximos nós iremos assistir a um novo nível de desenvolvimento dessa trama. As vagas anônimas e semianônimas de ataques serão substituídas por ações mais elaboradas, com um propósito, início e fim e que provoquem consequências lógicas. Já aquilo que acontece agora parece mais umas grandes manobras, para definir estratégias e táticas, do que ações que se destinem a obter algum efeito político ou econômico.”

Entretanto, Vladimir Konev supõe que o ataque especificamente contra recursos norte-americanos também tem um objetivo bastante material:

“Uma grande parte de usuários ativos, especialmente do ponto de vista financeiro, está concentrada nos sites norte-americanos e é por isso que esses recursos têm um interesse acrescido para os hackers.”

Entretanto, os peritos avançam previsões para uma expansão da indústria do cibercrime. Os meios de segurança também irão assumir novas formas. De acordo com os especialistas, isso poderá resultar na anulação completa do anonimato na Internet ou no corte temporário do acesso à World Wide Web de países inteiros.



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