COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Tecnologia

05 de Setembro, 2012 - 10:15 ( Brasília )

Brasil quer ser o terceiro mercado mundial em informática


O Brasil espera capitalizar a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016 para avançar em seu objetivo de se transformar no terceiro mercado mundial de tecnologia da informação e comunicação, disse em entrevista à AFP um alto executivo da indústria.

“Hoje somos o quinto maior mercado do mundo em tecnologia da informação e comunicação (ITC, em inglês), avaliado em US$ 210 bilhões”, disse Antonio Gil, presidente da Brasscom, a associação brasileira de empresas do ramo.

A Brasscom, que agrupa empresas locais e estrangeiras como a IBM, Microsoft, Intel, Ericsson e Lenovo, está desenvolvendo um estudo com a consultora McKinsey sobre como o Brasil pode chegar ao terceiro lugar mundial, atrás da China e dos Estados Unidos, até 2022.

Gil, executivo da IBM, disse que o ponto forte do Brasil nesse campo inclui seus sofisticados serviços financeiros, o voto eletrônico e os sistemas de declaração de impostos, bem como a ampla utilização dessas tecnologias em energia, agricultura e indústria.

A Brasscom, que trabalha em sintonia com o Ministério da Ciência e Tecnologia e outras agências governamentais, coordenou em 2010 a elaboração de um mapa que identificou oportunidades para as tecnologias da informação nos dois megaeventos esportivos citados.

“Dados desse estudo revelaram que esses grandes eventos esportivos gerarão investimentos da ordem de US$ 57 bilhões, dos quais 10 por cento serão destinados a tecnologias da informação, seja diretamente aos sistemas de transmissão de dados e imagens, ou indiretamente nas áreas de segurança, saúde, transporte e infraestrutura”, informou a associação.

“Para os Jogos Olímpicos, estima-se que 36 bilhões de imagens sejam enviadas do Rio para o resto do mundo”, exemplificou Gil.

“O Brasil tem hoje 250 milhões de telefones celulares, mais do que sua população (de 191 milhões). No entanto, eles são caros devido aos altos impostos, equivalentes a cerca de 45 por cento do preço total. Imagine-se se esses impostos pudessem ser reduzidos à metade”, acrescentou.

O Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil anunciou este mês um programa por US$ 250 milhões para fomentar iniciativas na indústria do software e tecnologia da informação para tentar reduzir a lacuna com os países desenvolvidos.

A meta é capacitar 50 mil novos profissionais até 2014 e 900 mil até 2022, os quais se somarão ao atual 1,2 milhão de profissionais do setor.

O governo também lançou recentemente um programa de US$ 2 bilhões denominado “Ciência sem Fronteiras”, que abrirá 75 mil bolsas de estudos nos próximos quatro anos para que estudantes brasileiros possam frequentar conceituadas universidades estrangeiras.

A tecnologia da informação representa atualmente cerca de 4,5 por cento do PIB brasileiro, uma cifra que deverá subir para 6,6 por cento em 2022, segundo a Brasscom.

O país tem 74 parques tecnológicos, principalmente nas regiões mais ricas do sul e sudeste, segundo a associação brasileira de entidades promotoras da inovação, a Anprotec.