COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Inteligência

14 de Agosto, 2017 - 11:45 ( Brasília )

"O País faz parte do Cibercalifado"


O juiz Marcos Josegrei da Silva foi o responsável pela condenação dos primeiros terroristas brasileiros adeptos do islamismo. O caso chamou a atenção do mundo. No mês passado, o magistrado foi convidado para um seminário nos EUA sobre o extremismo islâmico na América Latina.

Durante o evento, ele expôs a sua preocupação com a expansão do que chama de “cibercalifado”.

Pode-se dizer que o Brasil abriga células terroristas ligadas ao Estado Islâmico?

Durante as audiências, ficou evidente que o Brasil faz pane de um fenômeno que tem se intensificado no mundo inteiro - que é a autorradicalização pela internet. Há um conceito do "cibercalifado; que é criar urna comunidade virtual de gente que estaria constituindo o califado do Estado Islâmico em vários pises. Essas pessoas. conectadas pela internet. estariam dispostas a atender ao chamamento em qualquer lugar do mundo, a qualquer instante.

Os brasileiros presos realmente eram capazes de praticar um atentado?

Consigo identificar claramente dois grupos de condenados. O primeiro deles, formado por quatro pessoas, era mais vulnerável. É o que os teóricos chamam de "operativo", ou seja, que é mais suscetível ao convencimento de cometer algum ato terrorista. Esses réus passaram à liberdade provisória no fim do ano passado.

Já o segundo grupo, composto de outras quatro pessoas, que estão no presido de Campo Grande, é caracterizado portar maior poder de articulação e uma alta capa-cidade de incutir Idéias extremistas em outras pessoas. Por isso, estão na penitenciária de segurança máxima.

Um deles, por exemplo, postou num grupo de mensagens de celular como fazer uma bomba detalhadamente. É muito preocupante.

Os condenados negam ser terroristas e dizem que postavam textos e fotos do Estado Islâmico apenas para "chamar a atenção" dos outros.

A maior parte das pessoas envolvidas na Operação Hashtag tinha um conhecimento restrito da religião islâmica. Elas liam artigos na internet e, em alguns casos, até frequentavam mesquitas, mas a sua formação vinha do mundo virtual.

Apesar dessa superficialidade no conhecimento da cultura islâmica, era evidente que havia potencial de um ato lesivo. As pessoas me perguntam: "Eles iam realmente fazer algum atentado na Olimpíada?". Não sei lhe dizer. A Polícia Federal não encontrou explosivos na casa deles.

Mas, hoje em dia, o sujeito pode, de uma hora para outra, pegar um veiculo e passar por cima das pessoas. Então, não sei dizer. Quando falamos desse tipo de crime, de perigo, o objeto da legislação é evitar o fato, e não lidar com o fato já consumado.


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