COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Segurança

06 de Setembro, 2011 - 09:52 ( Brasília )

Internacional e difuso, o futuro do terrorismo é cibernético


Além de mísseis, aviões e homens-bomba, os terroristas do futuro poderão usar computador, mouse e teclado para atacar os Estados Unidos. A afirmação vem de especialistas americanos, que apontam o terrorismo cibernético como a próxima grande ameaça ao país. Através de hackers, grupos terroristas poderiam roubar informações do Pentágono, bloquear contas bancárias e até assumir o controle de naves espaciais.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem anunciado repetidamente que segurança cibernética é uma prioridade do seu governo. A preocupação é compreensível. O Pentágono sofre 1 milhão de ataques virtuais por dia e a Nasa, que já teve seu sistema hackeado em 2009, anunciou este ano que teme pelo controle das suas aeronaves no espaço.

O principal medo das autoridades americanas é que terroristas utilizem estas ferramentas para facilitar um atentado como o de 11 de Setembro. "Se eles conseguirem bloquear os computadores do Pentágono, seria fácil nos atacar porque nosso sistema de defesa é inteiramente baseado nesses computadores", afirma o professor Lawrence Gordon, especialista em Segurança Cibernética da Universidade de Maryland.

E mesmo que o ataque fosse estritamente virtual, teria consquências sérias num país que depende inteiramente da internet para controlar sistemas de transporte, energia e financeiro. Gordon lembra que há diversas formas de fazer terrorismo, desde que prejudique o modo de vida de uma nação. "O simples ato de parar os trens de uma cidade como Washington D.C geraria pânico e desconforto", acredita.

Mas para ele, a forma mais eficaz de afetar os Estados Unidos seria bloquear as contas bancárias dos milhões de americanos que dependem inteiramente dos seus cartões de crédito. "Basta lembrar que 70% das transações bancárias circulam entre dois bancos de Nova York. Imagina se eles param de funcionar. As pessoas não teriam dinheiro para chegar em casa", constata.

A façanha de lançar uma ofensiva através do mundo virtual parece improvável, mas já foi realizada em 2008, durante o confronto entre Rússia e Geórgia. Antes de lançarem seus mísseis, os russos limitaram o acesso da Geórgia à internet e bloquearam os sites do governo. Desta forma, enquanto estava sendo bombardeado, o país ficou impossibilitado de se comunicar online e pedir ajuda a outros países.

Treinamento de guerra
Pensando em se preparar para esta nova realidade, o governo dos Estados Unidos acaba de fechar uma parceria com a Universidade de Maryland para implementar o curso de graduação em Segurança Cibernética. Os futuros 'Guerreiros Cibernéticos' irão ocupar os 30 mil novos empregos que serão criados na área em Washington D.C.

A Casa Branca também divulgou em maio um plano de prevenção e resposta rápida contra crimes cibernéticos e terrorismo virtual. Obama criou um departamento específico para implementar estas medidas de segurança no setor público e aconselhar o setor privado. Além disso, o Pentágono anunciou que ações de hackers podem passar a ser considerados crimes de guerra até o final do ano.



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