COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Geopolítica

07 de Janeiro, 2017 - 11:00 ( Brasília )

US intel - Putin ordenou ciberataques para favorecer eleição de Trump, diz dossiê

Relatório elaborado por serviço de inteligência dos EUA mostra que governo russo hackeou e-mails do Partido Democrata e vazou informações ao Wikileaks. "Objetivo era prejudicar Clinton e minar confiança do público", diz.

O presidente russo, Vladimir Putin, "ordenou" uma campanha para influenciar as eleições presidenciais americanas e favorecer a vitória de Donald Trump, mostra um dossiê divulgado nesta sexta-feira (06/01) pelo Serviço de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (DNI).

De acordo com o relatório, Putin e o governo russo hackearam servidores de e-mail do Partido Democrata e vazaram os documentos ao WikiLeaks. A principal meta era prejudicar a candidata democrata Hillary Clinton.

"Os objetivos da Rússia eram minar a confiança do público no processo democrático americano, denegrir a secretária Clinton e prejudicar sua elegibilidade e potencial presidência. Nós avaliamos que Putin e o governo russo desenvolveram uma clara preferência pelo presidente eleito Trump", diz o relatório elaborado pela agência de espionagem e informações americana.

O documento mostra que o serviço militar de inteligência russo divulgou  ao Wikileaks informações hackeadas dos e-mails do comitê nacional do Partido Democrata e do responsável pelo campanha de Hillary, John Podesta. As ações de Moscou também incluíram uma campanha propagandística com uso de notícias falsas.

O relatório foi entregue nesta sexta a Trump por altos funcionários do governo Obama, incluindo os titulares da CIA, do FBI e da Direção Nacional de Inteligência. Os órgãos expressaram "confiança elevada" de que Putin procurou influenciar a eleição. O dossiê, no entanto, não avaliou o impacto dos ciberataques russos no resultados das eleições de novembro do ano passado.

Em entrevista divulgada nesta sexta pelo The New York Times, o presidente que irá tomar posse no dia 20 de janeiro criticou o enfoque dos serviços de espionagem americanos na Rússia, classificando as investigações como "caça às bruxas" .

Trump diz que polêmica sobre Rússia é "caça às bruxas"

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (06/01) que a polêmica envolvendo supostos ciberataques promovidos pela Rússia para influenciar o resultados das eleições americanas em seu favor é uma "caça às bruxas".

Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump criticou o enfoque dos serviços de espionagem americanos na Rússia. Nesta sexta-feira, o magnata se reúne com funcionários de inteligência para conhecer detalhes das investigações sobre o caso. No dia anterior, o diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos (DNI), James Clapper, afirmou que Moscou quis interferir nas eleições não só com ciberataques, mas também com propaganda e desinformação.

"Recentemente, a China hackeou 20 milhões de nomes do governo. Como ninguém sequer fala sobre isso? Isso é uma caça às bruxas política", afirmou.

Trump ressaltou que já aconteceram anteriormente outros ciberataques contra a Casa Branca e o Congresso americano e que não lhes foi dada a mesma atenção que agora é concedida ao suposto envolvimento da Rússia. "Com tudo isso dito, eu não quero que países hackeiem nosso país", disse o magnata.

Desde que as acusações dos serviços de inteligência americanos vieram à tona, o presidente eleito tem colocado em xeque as conclusões. Para Trump, a motivação é política.

"Eles [os democratas] apanharam muito feio nas eleições. Eu ganhei mais distritos nessa eleição do que Ronald Reagan", afirmou. "Eles estão muito envergonhados. Em certa medida, é uma caça às bruxas. Eles só focam nisso."

A partir de 20 de janeiro, o ex-senador Dan Coats ocupará o cargo de diretor de Inteligência Nacional (DNI, na sigla em inglês). Ele será o principal assessor presidencial em temas de inteligência e vai supervisionar todos os serviços de informação e espionagem. O ex-senador já trabalhou nos comitês de Inteligência e das Forças Armadas no Senado e também foi embaixador dos EUA na Alemanha.



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