COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

09 de Agosto, 2018 - 13:30 ( Brasília )

EUA anunciam novas sanções à Rússia

Washington justifica medida acusando Moscou pelo envenenamento de ex-espião russo na Inglaterra e diz que país viola leis internacionais ao usar armas químicas. Sanções entrarão em vigor no final do mês.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (08/08) novas sanções contra a Rússia devido ao suposto envolvimento de Moscou no envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, afirmou que foi determinado que a Rússia usou arma química, violando a lei internacional. As sanções entrarão em vigou por volta do dia 22 de agosto. Detalhes sobre a medida e sua abrangência não foram divulgados.

Mas, segundo a emissora NBC, que ouviu fontes familiarizadas com o caso, as sanções incluem a proibição da exportação para a Rússia de itens com implicações na segurança nacional.

Skripal e a filha, Yulia, foram envenenados em março com Novichok, um agente nervoso de uso militar, em Salisbury, no sul da Inglaterra. Os dois ficaram hospitalizados por várias semanas.

Skripal, de 67 anos, é um ex-coronel da espionagem militar russa que foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão por alta traição. Ele é acusado de ter agido, a partir dos anos 1990, como um agente duplo, colaborando com o serviço de espionagem britânico.

O governo do Reino Unido culpa a Rússia pelo caso Skripal, mas as autoridades russas negam qualquer envolvimento. Os Estados Unidos se uniram aos britânicos na condenação de Moscou.

Após o anúncio das sanções, o governo britânico parabenizou os EUA pela decisão. "A forte resposta internacional ao uso de armas químicas nas ruas de Salisbury envia uma mensagem inequívoca à Rússia de que seu comportamento provocativo e imprudente será contestado", assinalou o Ministério do Exterior do Reino Unido, em comunicado.

Crise diplomática

O envenenamento do ex-espião provocou uma intensa crise, que levou à expulsão de 150 diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos Estados-membros da União Europeia.

O governo da Rússia, por sua vez, respondeu na mesma moeda. Ao todo, as ordens de expulsão atingiram mais de 300 funcionários diplomáticos em vários países.

O agente nervoso Novichok foi desenvolvido na antiga União Soviética, mas houve experimentos com a substância em outros países.

As atuais sanções se juntam às impostas à Rússia em março pelo Departamento americano do Tesouro. A medida puniu 19 indivíduos e cinco entidades russas. Na época, o governo americano justificou a punição alegando a participação de Moscou "em ações perversas no mundo todo", incluindo a "tentativa de minar as democracias ocidentais".

Rússia diz que novas sanções dos EUA são ilegais e avalia retaliação

A Rússia condenou uma nova rodada de sanções dos Estados Unidos como ilegais nesta quinta-feira depois que a notícia das medidas fez o rublo sofrer sua pior queda em dois anos e desencadeou uma liquidação ainda maior de ativos devido aos temores de que Moscou esteja presa em uma espiral de punições ocidentais sem fim.

Moscou vem tentando, com sucesso relativo, melhorar os laços desgastados entre os EUA e a Rússia desde que Donald Trump conquistou a Casa Branca em 2016, e a elite política russa não perdeu tempo em classificar uma cúpula do mês passado entre Trump e Vladimir Putin como uma vitória.

Mas o triunfalismo inicial logo azedou, já que a irritação diante do que alguns parlamentares dos EUA viram como uma postura excessivamente deferente de Trump e sua incapacidade de questionar Putin a respeito da suposta interferência de Moscou na política norte-americana se transformou em um novo clamor por sanções.

Depois de apostar alto na melhoria das relações com Washington através de Trump, Moscou percebe agora que Trump sofre uma pressão cada vez maior de parlamentares para mostrar que é duro com a Rússia antes das eleições de meio de mandato.

Em sua investida mais recente, o Departamento de Estado dos EUA informou na quarta-feira que adotará novas sanções até o final do mês depois de concluir que Moscou usou um agente nervoso contra um ex-espião duplo russo, Sergei Skripal, e sua filha, Yulia, no Reino Unido, o que Moscou nega.

O Kremlin disse que as sanções são ilegais e inamistosas e que a medida norte-americana se choca com o “clima construtivo” do encontro de Trump e Putin em Helsinque.

Moscou começará a trabalhar sobre medidas retaliatórias “no mesmo espírito” de qualquer restrição que vier a ser imposta pelos EUA, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

As novas sanções virão em duas levas. A primeira, que visa as exportações norte-americanas de bens sensíveis relacionados à segurança nacional, chega com grandes isenções, e muitos dos itens que cobre já foram proibidos por restrições anteriores.

Mas a segunda leva, ativada depois de 90 dias se Moscou não der “garantias confiáveis” de que não usará mais armas químicas e permitirá inspeções da Organização das Nações Unidas (ONU) ou de outros grupos de observadores internacionais em suas instalações, é potencialmente mais séria.

De acordo com a lei, a segunda leva pode incluir um rebaixamento das relações diplomáticas, a suspensão da autorização da companhia aérea russa Aeroflot para voar aos EUA e o corte de quase todas as exportações e importações.

O Kremlin disse que as novas sanções são “ilegais e não correspondem à lei internacional”.

“Tais decisões do lado americano são absolutamente inamistosas e dificilmente podem ser associadas de alguma forma ao clima construtivo —não simples, mas construtivo— que se viu no último encontro entre os dois presidentes”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.



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