COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

12 de Abril, 2018 - 09:55 ( Brasília )

Ocidente estuda ataque à Síria que pode levar a confronto com a Rússia


Ministros britânicos planejavam se reunir nesta quinta-feira para debater se somam forças aos Estados Unidos e à França em um possível ataque militar contra a Síria que ameaça levar forças ocidentais e russas a um confronto direto.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, convocou seus ministros no feriado da Páscoa para uma reunião especial do gabinete para avaliar como reagir ao que retratou como um ataque bárbaro com gás venenoso de forças do governo sírio contra civis em Douma, cidade localizada ao leste da capital Damasco antes dominada por rebeldes.

Mas surgiram sinais de um empenho global para evitar um conflito perigoso que oporia a Rússia ao Ocidente. O Kremlin disse que uma linha de comunicações de crise com os EUA, criada para evitar um choque acidental relacionado à Síria, está sendo usada.

“A situação na Síria é horrível, o uso de armas químicas é algo que o mundo tem que impedir”, disse David Davis, ministro encarregado da desfiliação britânica da União Europeia, na manhã desta quinta-feira.

“Mas também é uma circunstância muito, muito delicada, e temos que fazer este julgamento com uma base muito cuidadosa, muito deliberada e muito bem pensada”.

A Rússia, a aliada mais importante do governo sírio em sua guerra de sete anos contra os rebeldes, disse ter mobilizado a polícia militar em Douma nesta quinta-feira depois de a localidade ser tomada por forças governamentais.

“Eles são os fiadores da lei e da ordem na cidade”, disse o Ministério da Defesa russo, segundo citação da agência de notícias RIA.

Na quarta-feira o presidente norte-americano, Donald Trump, alertou a Rússia que mísseis “estão a caminho” em resposta ao ataque com gás de 7 de abril, que supostamente matou dezenas de pessoas, e criticou duramente Moscou por estar ao lado do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Os militares sírios reposicionaram parte de seu poderio aéreo para evitar danos colaterais de possíveis ataques com mísseis, disseram autoridades dos EUA à Reuters ainda na quarta-feira.

O esforço sírio para abrigar suas aeronaves, possivelmente colocando-as ao lado de equipamentos militares russos que Washington talvez relute em atingir, pode limitar os estragos que os EUA e seus aliados poderiam infligir aos militares de Assad.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, um grupo de monitoramento da guerra radicado no Reino Unido, relatou que forças pró-Damasco estavam esvaziando grandes aeroportos e bases aéreas militares.

Trump diz que ataque contra Síria pode acontecer "muito em breve, ou não tão breve assim"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que um possível ataque militar contra a Síria “pode acontecer muito em breve, ou não tão breve assim”.

“Nunca disse quando um ataque contra a Síria aconteceria”, escreveu Trump no Twitter.

Kremlin diz estar usando linha de comunicações para tratar crise síria com EUA

O Kremlin informou nesta quinta-feira que uma linha de comunicações de crise com os Estados Unidos, criada para evitar um choque acidental relacionado à Síria, está sendo usada pelos dois lados devido ao acirramento da tensão provocado por um possível ataque dos EUA ao principal aliado da Rússia no Oriente Médio.

O Kremlin se pronunciou no momento em que ministros britânicos planejavam se reunir para debater se somam forças aos Estados Unidos e à França em um possível ataque militar contra a Síria que ameaça levar forças ocidentais e russas a um confronto direto.

Indagado se a assim chamada linha de descompressão entre os militares norte-americanos e russos para a Síria está sendo usada para evitar baixas russas em potencial no caso de uma ofensiva dos EUA, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu aos repórteres:

“A linha é usada e está ativa. No geral a linha é usada pelos dois lados.”

Peskov disse que o Kremlin está acompanhando atentamente os anúncios de Washington relacionados à Síria e reiterou um pedido de moderação do governo russo.

“Continuamos a considerar extremamente importante evitar qualquer medida que possa criar mais tensão na Síria. Acreditamos que isso teria um impacto extremamente destrutivo em todo o processo de acordo na Síria”, afirmou Peskov.


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