COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

14 de Maio, 2016 - 11:30 ( Brasília )

Preocupações dos EUA sobre possível colapso da Venezuela aumentam


Os Estados Unidos estão cada vez mais preocupados com o potencial colapso político e econômico da Venezuela, estimulados por temores de um calote da dívida, crescentes protestos nas ruas e deterioração do essencial setor de petróleo, disseram autoridades da inteligência dos EUA nesta sexta-feira.

Em uma avaliação da piora na crise da Venezuela, as autoridades expressaram dúvidas de que o impopular presidente de esquerda Nicolás Maduro permitiria uma convocação para um referendo este ano, apesar dos protestos liderados pela oposição exigirem uma votação para decidir se ele permanece no cargo.

Mas as duas autoridades, falando com um pequeno grupo de jornalistas em Washington, previram que Maduro, líder do país mais veementemente contra o governo norte-americano na América Latina e um grande fornecedor de petróleo para os EUA, provavelmente não seria capaz de completar seu mandato, previsto para acabar após eleições, no fim de 2018.

Eles disseram que um cenário "plausível" seria que o próprio partido de Maduro ou poderosas figuras políticas o forçariam a sair e não descartam a possibilidade de um golpe militar. Ainda assim, eles disseram que não há evidência de qualquer trama ativa ou de que ele havia perdido o apoio dos generais do país.

"Você pode ouvir o gelo quebrando. Você sabe que há uma crise chegando", disse uma autoridade dos EUA. "Nossa pressão em relação a isso não vai resolver o problema."

O Ministério das Informações da Venezuela não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Escassez na Venezuela leva saqueadores a roubar de frangos a roupa íntima

Multidões da Venezuela roubaram frangos, trigo e até roupa íntima nesta semana, quando os saques aumentaram no país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), atingido por uma crise que tem provocado a escassez de muitos produtos básicos.

Agora muitas pessoas se levantam no meio da noite e passam horas em longas filas diante dos supermercados. Mas, como mais e mais delas saem de mãos vazias e os preços do mercado negro vêm subindo, os saques estão aumentando na Venezuela, que já é um dos países mais violentos do mundo.

Não existem dados oficiais, mas o grupo de direitos humanos Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais relatou 107 episódios de saques ou tentativa de saques no primeiro trimestre deste ano.

Vídeos de multidões invadindo lojas, cercando caminhões ou brigando por produtos circulam nas redes sociais com frequência, embora muitas vezes seja difícil confirmar sua autenticidade.

Em um dos incidentes mais recentes, várias centenas de pessoas pilharam um caminhão que levava rolos de papel toalha, sal e xampu depois que o veículo bateu e parte de sua carga transbordou no volátil Estado de Táchira na quinta-feira, de acordo com uma autoridade local e testemunhas.

Quinze pessoas ficaram feridas, incluindo seis seguranças que tentaram conter a multidão, disse o agente de proteção civil local Luis Castrillón.

"Houve um tumulto enorme... dispararam tiros para o ar e eles usaram gás lacrimogêneo", contou Manuel Cardenas, de 40 anos.

Tais cenas agravam um panorama cada vez mais sombrio para a nação exportadora de petróleo, onde a inflação é a mais alta do mundo, a economia vem encolhendo desde o início de 2014 e falta eletricidade e água frequentemente.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, atribui a crise à queda no preço global do petróleo, a uma seca que afetou a geração de energia na maior hidrelétrica do país e a uma "guerra econômica" de empresários e políticos de direita.

Mas a oposição diz que ele e seu antecessor, Hugo Chávez, são culpados por políticas econômicas desastrosas, e recolheram assinaturas para convocar um referendo revogatório de Maduro, de 53 anos, e levar à marcação de uma nova eleição.

Maduro prometeu mão de ferro contra a violência e alertou que seus inimigos estão tramando um "golpe" semelhante ao processo de impeachment em andamento contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que levou a seu afastamento do cargo nesta semana.