COBERTURA ESPECIAL - Crise - Inteligência

24 de Março, 2016 - 00:10 ( Brasília )

Oito cenários Brasileiros à procura da realidade

A publicação Relatório Reservado define oito cenários. Esta matéria não é nada mais que um exercício de futurologia.


Matéria do Relatório Reservado
Publicado 21 Março 2016



As fichas estão sendo apostadas no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Lula.  Mas a ambiência institucional e a volatilidade dos fatos suportam as mais variadas hipóteses, algumas indesejáveis e outras até extravagantes.

O RR desenhou seus cenários e deu suas respectivas notas.  Escolha o seu. Mas não espere encontrar uma opção tranquilizadora.

-  CENÁRIO  1:

São cumpridos os ritos do impeachment na Câmara e no Senado, e Dilma Rousseff já está pré-condenada por todos. É possível, bem razoável, que Sergio Moro tenha mais alguma gravação “fortuita” para dar o xeque-mate na presidente. Tudo muito rápido. A esquerda patrocina a ideia do exílio de Dilma. Ela vira uma versão grosseira e mal educada de Zélia Cardoso de Mello. Ficará eternamente lembrada como a pior presidente da República de todos os tempos.

Nota  AAA

- CENÁRIO  2:

Lula não assume a Casa Civil devido à interpretação condenatória do STF, é preso e, logo a seguir, é sentenciado  –  no melhor  estilo  Sergio  Moro,  a  toque de caixa. Pega de 20 a 30 anos de prisão.  Algo similar à condenação de Marcelo Odebrecht.  A militância do PT desiste de reagir diante do massacre da mídia e da maioria crescente da população, que coloca em dúvida a lisura do ex-presidente.

Lula fica engradado e solitário. Esse é o seu pior pesadelo, o do “Esqueceram de mim”. 

Nota  AAa

-  CENÁRIO  3:

Lula consegue assumir o ministério.  Faz um discurso seminal em horário nobre. Chama todos à militância. Faz anúncios irresistíveis, a exemplo de um programa de recuperação social e econômica.  Lula quebra a espinha dorsal da mídia ao usar à exaustão o  horário  pago  de televisão. Falaria por volta de 10 minutos no horário do Jornal Nacional ou no intervalo da novela das 21 horas.  O ex-presidente, com esse show off, reduz a animação dos “coxinhas”. 

Ainda nesse cenário, Dilma surfa no desarmamento dos espíritos patrocinado por Lula.  O impeachment é postergado.  Lula e Dilma determinam uma devassa fiscal seletiva e um levantamento de todos os passivos trabalhistas e previdenciários de veículos de comunicação escolhidos a dedo

Nota  Bbb

-  CENÁRIO  4:


Lula é preso. Dedica-se a escrever seus diários. Relata como foi perseguido por Sergio Moro, na lenta transformação do regime em um macarthismo verde e amarelo.

Com dois ou três anos de cárcere, vai se tornando um ícone, um Nelson Mandela tupiniquim. 

Nota  BBb

- CENÁRIO  5: 

Dilma Rousseff não aguenta a onda e renuncia antes do término da abertura da sessão de impeachment. Lula vence a batalha das liminares no STF e permanece no Gabinete Civil da Presidência.

Com um pedido público emocionado de Dilma, segue no cargo mesmo com a renúncia da presidente.  Michel Temer assume.  Vai governar com Lula. O ex-presidente fica mais à vontade, na medida em que Temer passa a ser investigado no esquema de arbitragem dos preços do etanol na BR Distribuidora e, em segundo plano, do feudo na Companhia Docas de Santos. 

Nota  BBB

-  CENÁRIO  6:

O TSE encontra provas do uso da grana do petrolão para o financiamento de campanha da chapa Dilma/Temer.

Game over. Lula é preso. Dilma e Temer rolam o despenhadeiro. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assume a presidência da República, com o compromisso de realizar eleições em  90 dias. Moro alveja Cunha frontalmente. Assume o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, que carrega um portfólio de denúncias de documento falso, peculato e falsidade ideológica. Renan também cai na rede de Moro.  Ascende, então, um togado. O presidente do Supremo – Ricardo Lewandowsky  ou, a  partir de setembro, Carmem Lucia – cai de paraquedas  na  Presidência  da  República.  A partir de 2017, portanto na segunda metade do mandato, a eleição do presidente se dará por voto indireto. Os atores que sobem no proscênio da envergonhada política nacional, concorrendo no voto direto ou indireto, são Aécio Neves e Nove cenários à procura da realidade Geraldo Alckmin, Eduardo Paes, José Serra, Ciro Gomes, todos sabidamente patos para Sergio Moro.

Sim, restam Marina Silva e Jair Bolsonaro.  A julgar pela ausência no momento mais crucial da República, Marina trocaria as eleições no Brasil pelas do Tibet.  E Bolsonaro, mesmo que concorra conforme as mais rigorosas normas democráticas, será golpe de qualquer maneira.

Nota  aaa

-  CENÁRIO  7:

A tensão cresce no país.  A nação corre o risco de se transformar em uma praça de guerra.

A primeira bala perdida, um número maior de feridos, um confronto corpo a corpo com as forças da ordem e pronto:  terão extraído o magma fumegante que assopraram com convicção. Sangue e porrada na madrugada. Dilma, na condição de comandante em chefe, convoca o Conselho Nacional de Defesa, dentro dos estritos ditames constitucionais.  Sentados no Conselho, o ministro da Defesa, os três comandantes militares e o chefe da Casa Civil  –  Lula  or  not Lula. 

Juntos, analisam a exigência de se lançar mão do Estado de Emergência, instituto cabível na situação citada. Golpe? Nenhum, pois a iniciativa está prevista na Constituição. Na excepcionalidade da circunstância, a ordem tem de ser mantida.  As negociações com o Congresso e o Judiciário mudam muito!

Nota  BB+

-  CENÁRIO  8:

O onipresente  Sergio Moro avança no seu projeto de dizimar  a  classe  política  e  refundar  o Brasil.  Todas as lideranças estão ameaçadas para valer: Lula e Dilma, é claro, mas também FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Michel Temer et caterva.  Os políticos se reúnem para firmar um pacto, um governo de coalizão nacional, compartilhado entre os partidos. Todos acolhem que esta é a melhor solução não somente para a sobrevivência jurídica, mas para tirar o Brasil do atoleiro. Os líderes acordam que a fórmula para estabilizar a economia brasileira é promover um ajuste relâmpago no estilo Campos-Bulhões.

Com o Congresso dominado, é pau na máquina.

Nota CCC