COBERTURA ESPECIAL - Crise - Terrestre

27 de Janeiro, 2016 - 09:30 ( Brasília )

220 mil militares nas ruas contra o zika

Ministro anuncia que soldados vão visitar "casa por casa" e ajudar no combate ao aedes aegypti. "Estamos perdendo feio essa batalha. É uma das maiores crises de saúde pública já vividas no país", diz.

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (25/01) que, a partir do dia 13 de fevereiro, 220 mil homens das Forças Armadas visitarão "casa por casa" no Brasil distribuindo panfletos e orientando famílias a combater o aedes aegypti, que transmite a dengue e o vírus zika.

"Nós estamos há três décadas com o mosquito aqui no Brasil e estamos perdendo feio a batalha", afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Castro. Ele lembrou que o país registrou recorde de casos de dengue em 2015, com mais de 1,6 milhão de pessoas afetadas pela doença.

"Se a sociedade brasileira não chamar para si esta responsabilidade neste momento grave de uma das crises maiores de saúde pública já vivida em qualquer tempo no Brasil, não seremos vitoriosos", completou.

Dentro do plano anunciado pelo governo federal serão distribuídos gratuitamente repelentes de mosquitos a grávidas que participam do programa Bolsa Família. Segundo Castro, o governo trabalha com o número médio de 400 mil gestantes em todo o país.

"Às demais pessoas, recomendamos que usem os repelentes. São produtos seguros, registrados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e as pessoas podem comprar em farmácias para usar", afirmou.

Castro se reuniu com outros ministros e a presidente Dilma Rousseff para discutir ações de extermínio do mosquito e de combate ao zika, vírus transmitido pelo mosquito aedes aegypti e associado a casos de microcefalia em bebês no Brasil.

Nesta sexta-feira, Dilma visitará a Sala Nacional de Coordenação e Controle do Plano de Enfrentamento à Microcefalia, em Brasília, de onde conduzirá uma reunião por videoconferências com os governadores, cada um nas respectivas salas estaduais de combate ao mosquito.

De acordo com o ministro, o governo não vai "economizar nada" e fará "tudo que for necessário" no combate ao mosquito.

"Acho que houve uma certa contemporização com o mosquito. Agora a situação é completamente diferente. Além da dengue, o mosquito está transmitindo a chikungunya e principalmente a zika. Precisamos essencialmente da mobilização da sociedade", disse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que o zika deve se espalhar por todos os países das Américas, exceto Canadá e Chile.

A OMS aconselha que mulheres com planos de viajar para áreas onde o zika está em circulação consultem um médico. O zika pode ser transmitido através do sangue e também já foi encontrado no sêmen humano, mas ainda não há evidências conclusivas de que ele pode ser transmitido sexualmente, segundo a OMS.

Rio de Janeiro combate Aedes aegypti no Sambódromo

Agentes da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro pulverizaram com inseticida nesta terça-feira (26/01) o Sambódromo na Marquês de Sapucaí para eliminar possíveis focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus zika, da dengue e da febre chikungunya.

Os agentes de vigilância também reforçaram o combate ao mosquito na Cidade do Samba e nas quadras das escolas de samba. Segundo a secretaria, com a proximidade do Carnaval, as vistorias de agentes de vigilância na região passaram a ser semanais.

Além do desfile das escolas de samba, o local será utilizado durante os Jogos Olímpicos. No Sambódromo serão disputadas provas de tiro com arco, além de ser o ponto de partida e chegada da maratona.

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou neste domingo que irá intensificar as vistorias nas instalações olímpicas para eliminar criadouros do Aedes aegypti, embora a presença do mosquito no inverno seja menor.

A propagação do vírus zika, associado a casos de microcefalia, nos últimos meses levou o governo brasileiro a decretar estado de emergência sanitária. O governo federal anunciou nesta segunda-feira que, a partir do dia 13 de fevereiro, 220 mil homens das Forças Armadas visitarão "casa por casa" no Brasil distribuindo panfletos e orientando famílias a combater o Aedes aegypti.