COBERTURA ESPECIAL - Crise - Segurança

27 de Janeiro, 2016 - 09:00 ( Brasília )

Brasil tem 21 das 50 cidades mais violentas do mundo

Estudo revela que as cidades brasileiras correspondem a quase a metade das relacionadas no ranking mundial, liderado pela capital venezuelana, Caracas. No Brasil, Fortaleza e Natal são as mais perigosas.

Um estudo anual realizado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal relaciona 21 cidades brasileiras entre as 50 mais violentas em todo o mundo em 2015.

No primeiro lugar do ranking, que analisa cidades com mais de 300 mil habitantes e foi divulgado nesta semana, está a capital venezuelana Caracas, com índice de 119,87 homicídios dolosos por cada 100 mil pessoas.

San Pedro Sula, em Honduras, que ocupava o primeiro lugar por quatro anos seguidos, conseguiu reduzir o número de homicídios e passou para o segundo lugar, com índice de 111,03. San Salvador, capital de El Salvador, ficou em terceiro (108,54), seguido de Acapulco, no México (104,73).

Além das 21 cidades brasileiras relacionadas no ranking, estão oito venezuelanas, cinco mexicanas, quatro sul-africanas, quatro americanas, três colombianas e duas hondurenhas. El Salvador, Guatemala e Jamaica aparecem com uma cidade cada.

Em comparação ao ranking do ano anterior, oito cidades deixaram de figurar entre as mais violentas, entre elas Belo Horizonte, a colombiana Medelín e a mexicana Juárez. O México, que chegou a ter 12 cidades relacionadas no estudo de 2011, aparece na relação de 2015 com cinco.

Entre as cidades que entraram na listagem do ano passado estão as brasileiras Campos dos Goytacazes, Feira de Santana e Vitória da Conquista, além da sul-africana Johanesburgo e outras quatro venezuelanas. A América Latina domina o ranking, com 41 cidades.

Entre as brasileiras, a primeira no ranking é Fortaleza, em 12º lugar, seguida de Natal, em 13º, Salvador e região metropolitana, em 14º, e João Pessoa (conurbação), em 16º.

Em seguida, aparecem Maceió (18º lugar), São Luís (21º), Cuiabá (22º), Manaus (23º), Belém (26º), Goiânia e Aparecida de Goiânia (29º), Teresina (30º), Vitória (31º), Recife (37º), Aracaju (38º), Campina Grande (40º), Porto Alegre (43º), Curitiba (44º) e Macapá (48º).

Somadas todas as 50 cidades, a média dos índices de assassinatos dolosos por cada 100 mil habitantes é de 53,08 (41.338 homicídios dolosos entre 77.878.896 habitantes). Apenas as primeiras 20 cidades relacionadas superam essa média.

Apesar de o Brasil superar a Venezuela em quantidade de cidades no ranking, o nível de violência no país vizinho é maior. O índice de homicídios no Brasil é de 46,31 por cada 100 mil habitantes, enquanto nas cidades venezuelanas é de 74,65.

Abaixo, a relação completa das cidades mais violentas em todo o mundo em 2015. Foram excluídos países que vivem “conflitos bélicos abertos”, como Síria e Iraque.

1° - Caracas (Venezuela) – 119,87 homicídios/100 mil habitantes
2° - San Pedro Sula (Honduras) – 111,03
3° - San Salvador (El Salvador) – 108,54
4° - Acapulco (México) – 104,73
5° - Maturín (Venezuela) – 86,45
6° - Distrito Central (Honduras) – 73,51
7° - Valencia (Venezuela) – 72,31
8° - Palmira (Colômbia) – 70,88
9° - Cidade do Cabo (África do Sul) – 65,53
10° - Cali (Colômbia) – 64,27
11° - Ciudad Guayana (Venezuela) – 62,33
12° - Fortaleza (Brasil) – 60,77
13° - Natal (Brasil) – 60,66
14° - Salvador e região metropolitana (Brasil) – 60,63
15° - St. Louis (Estados Unidos) – 59,23
16° - João Pessoa; conurbação (Brasil) – 58,40
17° - Culiacán (México) – 56,09
18° - Maceió (Brasil) – 55,63
19° - Baltimore (Estados Unidos) – 54,98
20° - Barquisimeto (Venezuela) – 54,96
21° - São Luís (Brasil) – 53,05
22° - Cuiabá (Brasil) – 48,52
23° - Manaus (Brasil) – 47,87

24° - Cumaná (Venezuela) – 47,77
25° - Guatemala (Guatemala) – 47,17
26° - Belém (Brasil) – 45,83
27° - Feira de Santana (Brasil) – 45,50

28° - Detroit (Estados Unidos) – 43,89
29° - Goiânia e Aparecida de Goiânia (Brasil) – 43,38
30° - Teresina (Brasil) – 42,64
31° - Vitória (Brasil) – 41,99

32° - Nova Orleans (Estados Unidos) – 41,44
33° - Kingston (Jamaica) – 41,14
34° - Gran Barcelona (Venezuela) – 40,08
35° - Tijuana (México) – 39,09
36° - Vitória da Conquista (Brasil) – 38,46
37° - Recife (Brasil) – 38,12
38° - Aracaju (Brasil) – 37,70
39° - Campos dos Goytacazes (Brasil) – 36,16
40° - Campina Grande (Brasil) – 36,04

41° - Durban (África do Sul) – 35,93
42° - Nelson Mandela Bay (África do Sul) – 35,85
43° - Porto Alegre (Brasil) – 34,73
44° - Curitiba (Brasil) – 34,71

45° - Pereira (Colômbia) – 32,58
46° - Victoria (México) – 30,50
47° - Johanesburgo (África do Sul) – 30,31
48° - Macapá (Brasil) – 30,25
49° - Maracaibo (Venezuela) – 28,85
50° - Obregón (México) – 28,29

 

Índice de corrupção aponta Brasil como país que mais piorou

Dentre todos os países do mundo, o Brasil teve a maior queda de desempenho no Índice de Percepção da Corrupção 2015 da Transparência Internacional. O país perdeu cinco pontos e caiu sete posições, ficando em 76º lugar no ranking, que avalia a corrupção no setor público em 168 países e foi divulgado nesta quarta-feira (27/01).

No relatório, a ONG atribui os resultados negativos aos escândalos na Petrobras. Segundo o economista e coordenador do Programa Brasil da Transparência Internacional, Bruno Brandão, a pesquisa é realizada com especialistas nacionais e internacionais e, por isso, costuma ser pouco afetada por questões conjunturais ou escândalos isolados.

“O índice mede a percepção de um público que acompanha a questão de forma sistêmica. Mas, mesmo assim, a Petrobras e a Lava Jato foram tão impactantes, que o desempenho sofreu uma piora significativa”, afirma Brandão.

De acordo com ele, o resultado não significa necessariamente que mais crimes estão ocorrendo, mas é um indicador importante sobre o nível de corrupção do país.

“Não há parâmetros para medir empiricamente esse fenômeno, pois ele é, por essência, oculto. Só se pode medir empiricamente a corrupção que foi revelada e que, em geral, falhou”, aponta.

Apesar de destacar os valores exorbitantes, o número de criminosos envolvidos e as consequências negativas do escândalo da Petrobras, Brandão também classifica o momento como “extraordinário” na luta contra a corrupção no Brasil.

Para ele, é normal que, ao “encarar de frente o problema”, a corrupção se torne mais visível, mais debatida e também mais perceptível.

Como melhorar?

Para melhorar seu desempenho, Brandão sugere que o Brasil garanta avanços que, segundo ele, já foram conquistados. Por isso, afirma que os brasileiros e a imprensa devem cobrar e apoiar as investigações, além de debater propostas, como as chamadas Dez Medidas contra a Corrupção, do Ministério Público Federal.

“Muitos poderosos querem ver a Lava Jato enfraquecida, a nulidade dos processos e a impunidade. Claro que abusos, se existirem, devem ser corrigidos e, mesmo, punidos. Mas, como dizem os procuradores, não se deve derrubar um edifício para consertar um furo no encanamento”, diz.

O coordenador também alerta que a sociedade deve estar atenta às tentativas de flexibilizar ou abrandar leis importantes para o combate da corrupção.

Por fim, Brandão recomenda que o setor privado se envolva mais ativamente na causa, pressionando os sistemas jurídicos e políticos. Para o especialista, a corrupção “é péssima para o ambiente de negócios” e, portanto, os empresários brasileiros deveriam cobrar reformas profundas.

No relatório, a ONG ressalta os impactos negativos dos crimes para o Brasil. “Com a economia em crise, dezenas de milhares de brasileiros comuns perderam seus empregos. Eles não tomaram as decisões que levaram ao escândalo. Mas são eles que estão vivendo as consequências”, afirma o texto.

O diretor da Transparência Internacional para as Américas, Alejandro Salas, diz que, em 2015, houve tendências positivas na região: a descoberta e investigação de grandes redes criminosas e a mobilização em massa dos cidadãos contra a corrupção.

“Os escândalos da Petrobras e La Línea são provas dessas tendências nos dois atores regionais que declinaram no índice: Brasil e Guatemala. O desafio agora é atacar as causas subjacentes e reduzir a impunidade para os corruptos”, afirma Salas.

Países ricos

No índice, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Nova Zelândia e Holanda tiveram os melhores desempenhos. A ONG ressalta, entretanto, que nem sempre os países considerados “limpos” têm uma atuação correta no exterior.

Eles dão o exemplo da Suécia, cuja empresa TeliaSonera, parcialmente controlada pelo Estado, é acusada de ter pago milhões de dólares em suborno no Uzbequistão.

Para Brandão, nenhum país tem a “corrupção em seu DNA”, e a diminuição destes crimes está ligada a uma série de fatores, como a redução da impunidade. “A corrupção não é privilégio de rico ou pobre. E a solução nunca passa por medidas isoladas ou por salvadores da pátria”, afirma.

De acordo com a ONG, os pai?ses no topo da lista compartilham aspectos importantes: alto ni?vel de liberdade de imprensa, acesso a informac?a?o sobre o orc?amento pu?blico, integridade dos que detêm cargos de poder, e sistemas judicia?rios igualitários e independentes do governo.

Do outro lado, no final do ranking, aparecem Somália, Coreia do Norte, Afeganistão, Sudão e Sudão do Sul. Ale?m dos conflitos e guerras, a fraca governanc?a, instituic?o?es pu?blicas de?beis – como a poli?cia e o judicia?rio – e a falta de independe?ncia da imprensa são características comuns dos países nas ultimas posições do índice.

Austrália, Líbia e Turquia também tiveram uma queda importante de desempenho nos últimos quatro anos. Por outro lado, Grécia, Senegal e Reino Unido tiveram avanços significativos desde 2012. Segundo a ONG, em 2015, o número de países que melhoraram suas pontuações superou o de nações que retrocederam.