COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

08 de Dezembro, 2015 - 11:20 ( Brasília )

UE está em perigo e pode desaparecer, adverte presidente da Eurocâmara


A União Europeia (UE) está em perigo e pode desaparecer com o avanço do populismo e da tentação nacionalista provocada pela crise migratória, advertiu o presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz.

"A União Europeia está em perigo. Ninguém pode dizer se em 10 anos a UE continuará existindo tal qual", disse Schulz em entrevista ao jornal alemão Die Welt.

"Na UE há forças que trabalham para nos separar. Devemos evitar porque as consequências seriam dramáticas", completou.

A alternativa à atual UE seria uma "Europa do nacionalismo, uma Europa das fronteiras e dos muros", o que conduziu o continente à "catástrofe" no passado, afirmou Schulz.

Na entrevista, o presidente do Parlamento Europeu expressa preocupação com a falta de solidariedade na recepção de milhares de refugiados que viajam à Europa, assim como com a tendência de vários países da Europa Central de construir barreiras.

Berlim anuncia que 965 mil refugiados entraram na Alemanha este ano¹

O ministro de Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, disse nesta segunda-feira que até o final de novembro 965 mil pessoas entraram no país como refugiados, quase quatro vezes mais do que em todo ano passado.

Maizière apresentou estes novos números em entrevista coletiva em Berlim, depois de a imprensa local ter antecipado os últimos dados do registro nacional, Easy, que contabiliza as pessoas que chegam ao país com a intenção de solicitar asilo.

Apenas em novembro 206 mil pessoas foram registradas, um novo número recorde, maior que o de outubro, quando chegaram à Alemanha 181 mil peticionários de asilo, segundo os números do Ministério do Interior.

Além disso, Maizière indicou que nas últimas duas semanas o número de refugiados que chegam diariamente à Alemanha diminuiu sensivelmente, desde a média diária de nove mil outubro e novembro, para os atuais entre dois mil e três mil.

"Não se trata de uma mudança de tendência, mas é uma boa evolução", avaliou. Para ele, as principais razões para esta queda são o inverno, que dificulta principalmente a travessia do Mediterrâneo, e a ação da Turquia.

Pouco antes o porta-voz do ministério de Interior, Tobias Plate, também havia destacado a importância da decisão do governo alemão de classificar os países dos Bálcãs Ocidentais como "lugares de origem seguros", o que elimina quase totalmente a possibilidade de seus cidadãos de obterem asilo na Alemanha.

Plate explicou que se no verão o percentual de recém-chegados oriundos dos Bálcãs representavam 45%, atualmente esta taxa não chega a 10%.

O ministro de Interior indicou ainda que a Agência Federal de Migração e Refugiados (BAMF) continua a acelerar os processos de decisão das solicitações de asilo graças em grande medida ao aumento das equipes.

Maizière ressaltou que este ano foram criados mil novos postos de trabalho nesta agência e que está previsto, e já contabilizado no orçmento, que ano que vem mais quatro mil pessoas sejam contratadas.

Apesar da "maior pressão" e da multiplicação dos pedidos, apontou o ministro, a agência conseguiu aumentar o número de casos fechados por dia e reduzir o período de tramitação dos pedidos.
 

Neste contexto, Plate detalhou que estão processando 1.600 solicitações por dia na BAMF, e que o período de decisão diminuiu de sete para 5,2 meses em média.

Ano passado os pedidos de asilo na Alemanha bateram o recorde de mais de uma década, com 215 mil solicitações.

 

 

ONU pede para Jordânia autorizar entrada de 12 mil refugiados sírios barrados²

A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou preocupação nesta terça-feira com o destino de 12 mil refugiados sírios na fronteira entre Síria e Jordânia, que estão barrados em condições humanas degradantes.

"As vidas dos refugiados estarão em risco nos próximos meses", disse Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) durante entrevista coletiva a jornalistas em Genebra.

"Hoje o Acnur apela ao governo da Jordânia para permitir que os refugiados barrados na fronteira entrem no país".

¹ com EFE
² com Reuters