COBERTURA ESPECIAL - Expansão Chinesa - Geopolítica

06 de Agosto, 2019 - 11:00 ( Brasília )

China alerta manifestantes de Hong Kong a não "brincarem com fogo"


Os manifestantes radicais de Hong Kong não devem confundir a moderação chinesa com fraqueza, disse o escritório de Pequim para assuntos de Hong Kong nesta terça-feira, prometendo que os “criminosos violentos” que empurram a cidade rumo a um “abismo perigoso” serão levados à Justiça.

Há semanas Hong Kong sofre com protestos às vezes violentos, que começaram com a oposição a um projeto de lei de extradição agora suspenso que permitiria que suspeitos fossem julgados em tribunais da China continental. Mas os protestos passaram a expressar um repúdio mais abrangente ao governo do polo financeiro asiático e aos seus mandantes políticos de Pequim.

“Gostaria de alertar todos os criminosos: jamais avaliem mal a situação e confundam nossa moderação com fraqueza”, disse o escritório chinês de assuntos de Hong Kong e Macau em um documento divulgado durante um boletim em Pequim. Um grupo pequeno de radicais violentos esteve na linha de frente dos protestos, com “alguns cidadãos de bom coração que foram ludibriados e coagidos a participar”, segundo o documento atribuído a dois funcionários, Yang Guang e Xu Luying.

Este disse que forças anti-China são os “mentores de bastidores” que “atiçaram aberta e descaradamente” os manifestantes. “Gostaríamos de deixar claro ao grupo minúsculo de criminosos inescrupulosos e violentos e às forças sujas por trás deles: aqueles que brincarem com fogo perecerão nele”, disse o funcionário. “No final das contas, eles acabarão sendo punidos”.

A China não demorou a rotular autoridades dos Estados Unidos como “conspiradoras” que instigam a rebelião em Hong Kong na tentativa de conter o desenvolvimento da China, mas não forneceu nenhum indício concreto. Na sexta-feira, um grupo bipartidário de parlamentares dos EUA exortou o governo Trump a suspender as vendas futuras de munição e equipamento de controle de multidões à polícia de Hong Kong, que foi acusada de usar força excessiva.

Na segunda-feira, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes da ex-colônia britânica depois que uma greve geral prejudicou os transportes, e a executiva-chefe, Carrie Lam, que tem apoio de Pequim, alertou que a prosperidade da cidade está ameaçada.

Os protestos superaram demonstrações de discordância anteriores na escala e na intensidade e parecem ter motivado a nova recusa de Carrie de atender qualquer exigência dos manifestantes, entre elas sua renúncia e inquéritos independentes sobre o uso da força policial.


China vai aprofundar reformas financeiras regionais e reduzir custos de financiamento

A China vai aprofundar suas reformas financeiras regionais, usando várias ferramentas políticas para reduzir os custos de financiamento corporativo, especialmente para as pequenas empresas, disse Chen Yulu, vice-presidente do Banco do Povo da China, nesta segunda-feira.

As autoridades chinesas prometeram manter o apoio à desaceleração da economia e estimular os bancos a emprestar mais para empresas pequenas e privadas que são vitais para o crescimento e o emprego.

“Vamos usar uma variedade de ferramentas e explorar formas eficazes de reduzir os custos de financiamento das empresas, especialmente para empresas pequenas e privadas”, disse Chen a repórteres em uma entrevista coletiva.

A China vem experimentando vários esquemas regionais de reforma, incluindo um de apoio a pequenas empresas em Zhejiang e Henan, e um esquema de financiamento em províncias como Zhejiang, Guangdong e Guizhou, disse o banco central.

Outros instrumentos visam promover apoio financeiro para a região da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau e outros importantes planos de desenvolvimento regional, além de um piloto para melhorar a conversibilidade do iuan na zona de livre comércio de Xangai.

A China deve se proteger contra possíveis riscos financeiros e melhorar a coordenação intergovernamental, já que os esquemas regionais de reforma enfrentam um ambiente externo mais complexo, disse Wang Xin, chefe do departamento de pesquisa do banco central, no mesmo comunicado.