COBERTURA ESPECIAL - Expansão Chinesa - Geopolítica

27 de Agosto, 2018 - 12:05 ( Brasília )

O que pode sair da disputa entre EUA e China

Na China, já há críticas sobre o modo como Xi Jinping, que posa cada vez mais como governante absoluto, lida com a crise, escreve o jornalista Peter Sturm, do jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung".

Para a China, Donald Trump talvez tenha sido eleito presidente americano cerca de uma década antes do tempo. Pois os Estados Unidos ainda não são economicamente e politicamente tão fracos assim para que Pequim possa encarar de forma relaxada a queda de braço comercial.

Embora, é preciso dizer, relaxamento definitivamente não está entre os pontos fortes da liderança chinesa. Ela sempre conta, durante disputas econômicas como a de agora, a história de que a China é, na verdade, o maior país em desenvolvimento do mundo.

A quem, por isso, tudo deve ser perdoado – independentemente de toda deslealdade com que as competições comerciais parecem ocorrer ao redor do mundo. Mas se nos próximos meses ou mesmo anos a coisa realmente piorar para a China, o modelo chinês de ascensão – primeiro economicamente, depois, politica e militarmente – pode sofrer sérios danos.

Pois o presidente americano diz não só que não está mais disposto a jogar o jogo chinês, segundo o qual o tapete vermelho deve ser lançado para os produtos e investidores chineses no exterior, enquanto o mercado chinês permanece em determinadas áreas fortemente fechado aos estrangeiros.

Trump também age – em sua maneira característica, bruta. Uma nova rodada na guerra alfandegária entre EUA e China acaba de ser lançada. Na China, há críticas sobre o modo como o chefe do Estado e do partido, Xi Jinping, que posa cada vez mais como governante absoluto, lida com a crise.

Não há solução à vista, pelo menos para quem observa de fora. Nesta questão, o que está em jogo não é apenas a questão econômica, mas também o prestígio, a "honra". Uma solução para a disputa comercial, no entanto, não é de interesse apenas dos chineses e dos americanos.

A Europa, especialmente a Alemanha, também está interessada num comércio mundial livre, ordenado e justo. Não é preciso que se goste de Donald Trump e de seus métodos. Mas se, através dessa disputa, fosse obtida uma integração duradoura da China ao sistema, o confronto teria produzido algo no final.

Se não, muitas pessoas em muitos países sofrerão as consequências por um longo tempo. Há muito em jogo. A esperança é que os diretamente envolvidos politicamente estejam suficientemente conscientes disso.