COBERTURA ESPECIAL - Expansão Chinesa - Geopolítica

10 de Julho, 2014 - 16:36 ( Brasília )

CHINA - Confronto com EUA seria desastre para o mundo

A afirmação de que umconfronto da China com os Estados Unidos seria desastroso para o mundo é do presidente da China Xi Jimping na abertura do evento Diálogo Econômico e Estratégico EUA-China, em Pequim.


 Ian Talley
The Wall Street Journal, de Pequim


O presidente da China, Xi Jinping, alertou ontem que um confronto entre a China e os Estados Unidos seria um "desastre" para o mundo, num momento em que os dois países dão início a conversas de alto nível para tentar reverter a deterioração de suas relações nos últimos 12 meses.

Os dois países têm que "quebrar o velho modelo de conflito e oposição entre grandes potências", afirmou Xi na abertura do evento Diálogo Econômico e Estratégico EUA-China, em Pequim.

"A cooperação entre a China e os Estados Unidos pode ajudar ambos os países e o resto do mundo a alcançar grandes coisas", disse Xi a cinco membros do gabinete do presidente Barack Obama e vários outros altos assessores do governo americano.

"Um confronto seria um desastre para os dois países e o resto do mundo", disse Xi, apenas um ano depois de seu primeiro encontro oficial com Obama.

As conversas deste ano, que vão durar dois dias, não têm exatamente o objetivo de resolver antigas disputas comerciais e acalmar tensões geopolíticas, dizem autoridades e analistas. A meta principal é garantir que a relação das duas maiores economias do mundo não se transforme em um conflito hostil, uma dinâmica que o século passado provou que pode provocar conflitos mundiais.

"Ao longo da história, tem havido uma recorrência de rivalidades estratégicas entre potências estabelecidas e em ascensão", disse o secretário de Estado americano, John Kerry. EUA e China podem evitar tal inimizade, disse um alto diplomata americano. "Não é inevitável. É uma escolha."

Com uma Marinha recém-modernizada, uma economia que ameaça ultrapassar a americana como a maior do mundo e influência crescente, a nova liderança da China vem se fortalecendo na área geopolítica. Isso vem complicando a já instável relação com os EUA.

As tensões entre Washington e Pequim se agravaram nos últimos meses à medida que os EUA confrontaram a China em relação à segurança cibernética e apoiaram aliados em suas disputas ao longo de suas fronteiras marítimas.

O governo americano receia que as táticas agressivas da China possam levar a uma escalada perigosa nas disputas regionais, incluindo na que envolve o Japão, aliado dos EUA. Um surto recente de incidentes em águas disputadas elevou a preocupação americana.

As autoridades chinesas, por sua vez, temem que o reposicionamento dos EUA na Ásia seja basicamente uma iniciativa para conter a ascensão do país na região e encorajar vizinhos a desafiar a China. A China também ficou irritada com o indiciamento, em maio, de cinco oficiais militares chineses sob acusações de roubo cibernético - um tapa na cara político desferido na esteira das alegações feitas por Edward Snowden de que o país conduziu amplas atividades de espionagem contra a China.

Embora as delegações dos dois países devam abordar uma série de assuntos costumeiros, como políticas de câmbio, direitos de propriedade intelectual e redução de emissões de gases do efeito estufa, melhorar as relações é a maior prioridade. "Trata-se fundamentalmente de ter as conversas certas para manter uma relação saudável, dinâmica com a China, que não derive para uma inevitável rivalidade estratégica ou o confronto", disse uma autoridade americana antes do evento.

Yuan Zheng, acadêmico sênior do Instituto para Estudos Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, que é afiliada ao governo chinês, diz: "A coisa mais importante para os EUA e a China, nessas reuniões, é estabelecer canais de comunicação que impeçam o desdobramento de crises."

Num sinal das prioridades de Pequim, Xi disse a Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro dos EUA, que visitou a China na semana passada, que os dois países deviam "plantar mais flores e não espinhos", segundo a mídia chinesa.

"Essa é a mensagem para os EUA, que essa é uma oportunidade para melhorar o tom e melhorar a atmosfera do relacionamento", diz Bonnie Glaser, especialista em China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, e consultora do governo dos EUA para o Leste da Ásia. "Eles estão frustrados conosco; nós estamos frustrados com eles."

Glaser diz que, se os EUA puderem convencer a China de que a guinada americana na direção da Ásia não pretende, de fato, fomentar uma coalizão contra a China na região, "já será um grande feito".

Kerry tentou ressaltar esse ponto no seu discurso na abertura do evento. "Permitam-me enfatizar para vocês hoje: os EUA não estão procurando conter a China", disse, acrescentando que Washington quer uma China estável e próspera, que "desempenhe um papel responsável nos assuntos mundiais".

Em nota, Obama disse que o diálogo deve "mostrar ao mundo que, mesmo numa relação complexa como a nossa, continuamos determinados a garantir que a cooperação defina a relação".

Mas, numa indicação dos limites atuais dessa cooperação, uma das poucas áreas de consenso nas conversas em Pequim foi um acordo de coordenação no combate ao tráfico de animais selvagens.



Outras coberturas especiais


Nuclear

Nuclear

Última atualização 12 DEZ, 16:50

MAIS LIDAS

Expansão Chinesa