China faz a defesa da estabilidade do dólar
Dune
Lawrence ,
Bloomberg News, de Pequim
A China, a maior detentora
mundial de reservas cambiais externas, reiterou seu
apelo pela estabilidade do dólar e dissipou especulações
de que o país estaria procurando abordar a questão
de uma nova moeda internacional na reunião do
Grupo dos Oito (G-8), marcada para a semana que vem.
"Esperamos que,
como principal moeda de reserva, a taxa de câmbio
do dólar americana fique estável",
disse o vice- ministro das Relações Exteriores,
He Yafei. Ele disse "não saber" se
a China pressionará para que o assunto seja incluído
na pauta do encontro do G-8.
Os comentários
de He atenuaram as preocupações de que
a China esteja tentando diversificar seu US$ 1,95 trilhão
em reservas cambiais. O presidente do BC chinês,
Zhou Xiaochuan, defendeu em março a criação
de uma moeda "suprassoberana", depois de o
primeiro-ministro, Wen Jiabao, ter manifestado preocupação
de que o enfraquecimento do dólar fosse corroer
o valor dos ativos americanos do país.
"A magnitude da
carteira de reservas cambiais da China restringe sua
capacidade de abandonar o dólar com muita rapidez
sem disparar um tiro sobre o próprio pé",
disse David Cohen, economista da Action Economics de
Cingapura. "Encontrar alternativas é uma
meta de longo prazo."
"Esperamos que
no futuro o sistema monetário internacional seja
diversificado e acreditamos que isso represente as aspirações
de toda a comunidade internacional", disse He.
"Se a questão for levantada pelos dirigentes
durante a reunião, não é de estranhar;
é natural, porque estamos todos discutindo como
reagir à crise internacional."
O vice-ministro da Fazenda
do Japão, Kazuyuki Sugimoto, disse em Tóquio
não saber se os líderes do G-8 vão
discutir a substituição do dólar
como moeda de reserva.
Em outro comunicado
emitido hoje, o BC chinês disse que permitirá
que as empresas liquidem operações de
comércio internacional em yuan, na tentativa
de reduzir a dependência dos importadores e exportadores
com relação ao dólar.
O Banco Popular da China,
o BC do país, reiterou a 26 de junho seu apelo
em favor da criação de uma nova moeda
mundial e disse que o Fundo Monetário Internacional
(FMI) deveria administrar uma maior parcela das reservas
cambiais de seus países-membros.
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