COBERTURA ESPECIAL - Fuzileiros Navais - Naval

17 de Maio, 2019 - 12:40 ( Brasília )

BR-US: Tonelero e GRUMEC treinam com os US NAVY SEALS

O Treinamento de Intercâmbio Conjunto Combinado foi realizado no Rio de Janeiro, entre 16 de abril e 16 de maio



Marcos Ommati
Diálogo

 
Os Treinamentos de Intercâmbio Conjunto Combinado (JCET, em inglês) são exercícios projetados para fornecer oportunidades de treinamento aos operadores especiais dos Estados Unidos e de nações parceiras. Os JCET são sempre realizados em países com os quais as Forças Especiais dos EUA poderão ter que atuar algum dia, bem como para ampliar a gama de treinamento das forças armadas das nações anfitriãs. Normalmente, cada programa JCET inclui de 10 a 40 membros das forças especiais americanas, embora possa eventualmente contar com até 100.

De 16 de abril a 16 de maio de 2019, um JCET foi realizado em instalações militares da Marinha do Brasil no Rio de Janeiro e teve um fator incomum para este tipo de exercício: reuniu ao mesmo tempo membros do Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC), do Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais (Tonelero) e das Equipes de Operação em Terra, Ar e Mar da Marinha dos EUA, popularmente chamados de Navy SEALs.




O Treinamento de Intercâmbio Conjunto Combinado entre Operadores Especiais da Marinha do Brasil e Navy SEALs americanos foi realizado no Rio de Janeiro, entre 16 de abril e 16 de maio de 2019. Foto: Wagner Assis, Cedro Photos


Participaram também membros dos Tripulantes de Equipes Especiais Combatentes de Guerra Naval, que operam e mantêm um inventário de pequenas embarcações utilizadas para conduzir missões de operações especiais, particularmente dos Navy SEALs.

“Talvez esta seja a primeira vez que esse treinamento é realizado com pessoal dessas quatro unidades de operações especiais juntas. Em edições anteriores desse intercâmbio, equipes SEAL realizaram treinamentos, isoladamente, com o GRUMEC ou com o Tonelero”, disse à Diálogo o 1º Tenente Auxiliar do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) Armindo Melo Peixoto, integrante do Batalhão Tonelero e participante do JCET deste ano.
 
Oportunidade de interagir e aprender

 
“Treinamentos dessa natureza são uma excelente oportunidade para nossas marinhas estreitarem os laços de amizade e cooperação há muito estabelecidos. A interação e o intercâmbio de conhecimentos e experiências possibilitam o aprimoramento das capacidades de nossos operadores. Com isso, ampliamos a interoperabilidade e aumentamos as chances de sucesso em futuras operações e exercícios nos quais Brasil e EUA venham a integrar forças em busca de objetivos comuns”, afirmou o Capitão de Mar e Guerra do CFN do Brasil Stewart da Paixão Gomes, Comandante do Batalhão Tonelero, onde grande parte do JCET deste ano foi realizada.
 
Treinamento especializado

Os operadores especiais realizam treinamento de pontaria durante o dia e em condições de visibilidade próxima a zero à noite, durante simulações complexas de possíveis ações da vida real. (Foto: Wagner Assis, Cedro Photos)
 
O treinamento permite às unidades participantes refinar suas habilidades nas áreas de tiro com fuzis de curto e médio alcance e inclui a instrução e o treinamento em técnicas de sniper a média e longa distâncias, para assegurar eficiência máxima com risco mínimo.

O JCET inclui ainda treinamentos em técnicas de tiro estático e dinâmico com pistola e fuzil a curta distância, técnicas de operação de embarcações de combate (modelo Hurricane), entrada e saída de arrebentação com embarcações pneumáticas, técnicas de combate em área urbana e em ambiente confinado, técnicas de ação imediata, tiro de cobertura a partir de helicópteros e salto livre operacional.
 
Os operadores especiais realizam treinamento de pontaria durante o dia e em condições de visibilidade próxima a zero à noite, durante simulações complexas de possíveis ações da vida real, permitindo que estes militares ampliem suas perspectivas na hora de tomar uma decisão, além de aumentar sua confiança em situações de alto estresse.

“O treinamento inclui a integração de melhores práticas e treinamento e consultoria em nível tático e operacional, intercâmbio de táticas, técnicas e procedimentos de planejamento para incluir as lições aprendidas”, disse um sargento operador especial da equipe de Navy SEALs que participou do JCET no Brasil, mas que prefere manter o anonimato por questões de segurança.
 
Fortalecer relacionamentos estabelecidos

 
“Intercâmbios como o JCET são sempre muito bem recebidos pela Marinha do Brasil. Desde os primeiros contatos efetuados entre os representantes do Comando de Operações Especiais, Sul dos EUA (SOCSOUTH, em inglês) conosco [Batalhão Tonelero] e com o GRUMEC, o Comando de Operações Navais empenhou meios da Esquadra e da Força de Fuzileiros da Esquadra no apoio ao treinamento.

Foram planejadas cinco semanas de trabalhos intensos ininterruptos – dias, noites, finais de semana e feriados. O comprometimento de todas as partes foi total e os objetivos de treinamento planejados foram alcançados”, comentou o CMG (FN) Stewart.
 
Esse treinamento faz parte de uma série de engajamentos planejados ao longo do ano passado, o que dá oportunidades às unidades de elite dos EUA e do Brasil de trabalharem juntas, de aprenderem umas com as outras e de fortalecerem os relacionamentos previamente estabelecidos. “O JCET demonstra a forte parceria entre os EUA e o Brasil, com base no respeito mútuo e nos interesses compartilhados na região.

O intercâmbio de treinamento, realizado por operadores especiais dos EUA e brasileiros, dá aos participantes uma oportunidade de construir parcerias fortes e duradouras”, disse o Major do Exército dos EUA Cesar Santiago, que viajou ao Brasil representando o SOCSOUTH, onde exerce a função de chefe do Departamento de Relações Públicas.
 
O Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil mantém um intenso programa de intercâmbio com o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, com a realização de reuniões bilaterais periódicas para alinhar objetivos e planejar programas que permitam atingir propósitos comuns.

“No futuro, espero que também as Operações Especiais da Marinha do Brasil tenham uma maior interação com as unidades do USSOCOM [Comando de Operações Especiais dos EUA] e que possamos estabelecer projetos de médio e longo prazo que viabilizem o aprimoramento mútuo de nosso pessoal. Na minha opinião, esse é o caminho que ampliará a integração de nossas forças armadas e aumentará a capacidade de resposta às ameaças regionais, garantindo a segurança de nossas nações”, concluiu o CMG Stewart.




Os operadores especiais realizam treinamento de pontaria durante o dia e em condições de visibilidade próxima a zero à noite, durante simulações complexas de possíveis ações da vida real. Foto: Wagner Assis, Cedro Photos


Matérias Relacionadas

 





VEJA MAIS