Centauro
no
Exército Brasileiro

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BLINDADO 8x8 CENTAURO NO BRASIL


Expedito Carlos Stephani Bastos, Pesquisador de Assuntos Militares do Núcleo de Estudos Estratégicos do Centro de Pesquisas Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora
expedito@editora.ufjf.br


      Ágil, Belo, Estiloso e Mortal, são palavras capazes de definir este excelente blindado 8x8 de fabricação Italiana denominado CENTAURO B-1, oferecido ao Exército Brasileiro e em testes pelo mesmo.

     
Tive a oportunidade de ver e participar de alguns dos testes com o blindado Italiano IVECO FIAT-OTO MELARA  8x8 "CENTAURO" B-1, que sem dúvida poderia vir a ser uma ótima aquisição para equipar alguns Regimentos de Cavalaria Mecanizado do Exército, em substituição aos nossos já antiquados EE-9 Cascavel.

O veículo impressionou-me não só pelo seu tamanho, como pelo seu design, o qual demonstra toda a capacidade italiana nesta área até mesmo em produtos de defesa, tornando-o muito delgado e ao mesmo tempo agressivo com seus 8,5ms de comprimento, 25 toneladas, uma torre equipada com canhão de 105mm, baixa silhueta,  8x8 equipado com pneus Michelin, motor diesel Iveco V6 de 520 Hp.

O carro possui particularidades interessantes, como o habitáculo do  Comandante do se situa do lado esquerdo e não no direito como  nos demais veículos similares.

Sua suspensão, muito macia, difere de todas as que estamos acostumados a ver em blindados do nosso Exército. O sistema de rodagem  possui apenas um diferencial, o qual posiciona-se na segunda roda, da frente para traseira, seu esquema é em forma de "H", onde o diferencial transmite o movimento para as rodas de cada lado, mediante caixas de transmissão. O sistema de controle de pressão do ar nos pneus é controlado pelo motorista, permitindo modificar a pressão de 1,5 a 4,5 bar. O sistema de freio dispõe de quatro circuitos independentes com discos ventilados. Seu pneus, sem câmara, do tipo Run-flat, permite continuar sua marcha mesmo depois de furados, por aproximadamente 80km, sendo o que no Brasil se chama "pneus à prova de balas".

A suspensão é do tipo independente McPherson, com amortecedores hidropneumáticos e dois braços oscilantes  fixados ao casco e ao cubo de cada uma das rodas.

O veículo desloca-se com grande facilidade em terrenos acidentados e lamacentos dentro do local designado para estas provas, inclusive mantendo sistema de rotação de 360º de sua torre em pleno movimento do carro. Possui também um sistema anti-incêndio e anti-explosões, um no compartimento do motor e outro no setor de combate, com sensores IR/UV que detectam um súbito aumento da temperatura atuando em milésimos de segundos sobre os extintores.

O exemplar em questão pertence ao Exército Italiano, conforme marcações existentes na sua parte dianteira e traseira, pois seu desenvolvimento foi todo custeado por ele. No caso de vendas ao exterior, o Exército Italiano embolsa 10% da venda. O número 25 existente dentro do círculo amarelo na parte frontal do veículo indica seu peso para travessia de pontes, sendo comum ver em fotos destes veículos em operações na Somália, por exemplo, números 28 e 29, pois os mesmos estão equipados com blindagens adicionais, elevando seu peso para a casa das 28 ou 29 toneladas.

Junto com o carro vieram quatro técnicos, sendo um da Fiat, um da Iveco e dois da Oto Melara, para estes testes no C.I.Bld., e foi mantido um deles e outros três vieram para os testes com tiro real que ocorreu nos dias 27 e 28 do corrente na restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro.

Seu sistema de tiro é todo computadorizado, podendo ser usado pelo Comandante do Carro ou pelo atirador, seu sistema de mira é paralelo e não convergente como nos nossos CC Leopard, dando a distância em metros e o sistema de laser confirma o local exato em que o tiro será  certeiro.

Fizemos tiros com o veículo parado e tendo como alvo um velho protótipo derivado do M-3 Stuart, que no caso era o Veículo Antiaéreo da Bernardini, desenvolvido nos anos 70. A munição empregada foi a do tipo
APDS ( Flecha ), a mesma usada nos M-60 A3 TTS e Leopard 1A1, em uso no Exército. Esta munição é de origem inglesa e seu lote de fabricação data de 1972 e 1973. Nenhuma falhou, todas funcionaram muito bem. Transporta 40 projéteis  de 105mm, sendo 14 na torre e 26 no casco e possui 8 lançadores de granadas fumígenas.

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