COBERTURA ESPECIAL - Brasil - China - Naval

03 de Fevereiro, 2012 - 11:56 ( Brasília )

Limites para meganavios na China afetam somente Vale


Manolo Serapio Jr, Reuters Brasi  em Cingapura,
e Jim Bai, em Pequim


HONG KONG/CINGAPURA - O embargo da China a grandes navios está limitado aos megacargueiros de minério de ferro da Vale, disseram fontes do setor de navegação nesta quinta-feira, esclarecendo uma confusão gerada na comunidade marítima sobre se as novas regulações governamentais cobririam embarcações menores.

A Associação dos Armadores da China deu mais detalhes sobre as regras anunciadas esta semana para barrar grandes navios cargueiros e petroleiros que excederem as capacidades aprovadas pelos portos, uma medida de Pequim para proteger a indústria naval doméstica, embora boa parte das embarcações da Vale tenha sido encomendada a estaleiros chineses.

Atualmente, nenhum porto chinês tem regulamentação aprovada para receber navios de mais de 300 mil toneladas, levantando temores de que dezenas de navios já negociados com a China poderiam ser embargados.

O grupo industrial, no entanto, disse que as regras cobrem apenas navios cargueiros com capacidade acima de 350 mil toneladas. Há poucos navios deste porte, e todos são usados para transportar minério de ferro pela Vale, a maior produtora do insumo essencial à indústria siderúrgica, disse a fonte da indústria.

"Todos sabem que a China pode mudar de ideia rapidamente. É um jogo de xadrez entre a China e a Vale", disse Hans Navik, analista do setor marítimo do grupo norueguês de pesquisa Nena.

Navios petroleiros com capacidade de mais de 450 mil toneladas também precisarão de aprovação estatal antes de chegarem à China, maior consumidor mundial de minério de ferro e segundo maior de petróleo, informou o grupo da indústria naval. Contudo, eles ressaltaram que não há petroleiros deste porte operando atualmente.

"No futuro, esta regra pode ser revisada ou alterada... isso provavelmente não deve ocorrer em curto período de tempo."

Traders disseram acreditar que Pequim gradualmente irá levantar o embargo a grandes navios, uma vez que isso permitiria à Vale entregar o minério de ferro a preços mais baixos e dar às siderúrgicas chinesas espaço para negociar preços mais baixos.

"Se os preços do aço permanecerem baixos neste ano, no final eles terão de olhar para minério mais barato, o qual a Vale será capaz de fornecer", disse um operador de Cingapura que opera no mercado físico de minério de ferro.

O embargo chinês é visto por analistas como uma forma de proteger sua indústria naval, que tem sido afetada pelo cenário econômico adverso e pela queda das taxas de frete. A taxa de referência para os valores de frete caiu na quarta-feira para seu nível mais baixo em mais de 25 anos.

A poderosa associação de armadores da China foi fortemente contra a entrada dos gigantes navios da Vale no ano passado, os maiores do mundo com mais de 380 mil toneladas. O grupo teme que as embarcações da Vale possam monopolizar o lucrativo comércio de minério entre China e Brasil.

A Vale disse na última quarta-feira que continuará com os planos para a construção de sua frota de 35 meganavios, das quais seis já estão operando, apesar do embargo chinês.

"O cronograma de entrega dos 29 navios ainda em construção encomendados direta ou indiretamente pela Vale, dos quais 17 em estaleiros chineses, segue inalterado", destacou a Vale em nota.

A mineradora também ressaltou na quarta-feira que seus supercargueiros somente se encaminharão para portos chineses se estiverem "em total conformidade com a legislação do país".



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