COBERTURA ESPECIAL - Brasil - China - Geopolítica

20 de Dezembro, 2011 - 09:44 ( Brasília )

VALE - Coloca a venda frota própria de supercargueiros

Surpreendente decisão da VALE cuja base é nebulosa. O acidente do VALE BEIJING e as viagens fantasmas do VALE BRASIL merecem uma atenção do Congresso.

Por Vera Saavedra Durão | Do Rio


A Vale já começou a tocar a nova estratégia desenhada por Murilo Ferreira, presidente executivo da companhia, para a área de navegação de longo curso. A mineradora vendeu a armadores asiáticos quatro dos 19 navios encomendados a estaleiros coreanos e chineses na gestão anterior de Roger Agnelli, confirmou fonte da companhia ao Valor.

A meta da Vale para 2012, adiantou o interlocutor, é colocar os restantes 15 navios a venda, mas sempre com contrato de longo prazo vinculado a transação. A nova estratégia foi aprovada na semana passada pelo conselho de administração.

O recente episódio do supernavio Beijing, contratado pela Vale da coreana STX Pan Ocean, que quase afundou quando carregava minério de ferro da empresa no píer I do porto de Ponta Madeira, em São Luís, no Maranhão, e a surpreendente resistência dos portos chineses em receber as embarcações da mineradora foram a gota d"água para Ferreira colocar em prática as mudanças

Em 2008, quando o mercado de mineração estava superaquecido, pouco antes de estourar a crise, a Vale tinha dificuldades de contratar navios para embarcar minério. Além disso, estava sendo prejudicada na concorrência com a commodity australiana dado ao alto preço do frete Brasil-China, no patamar de US$ 100 a tonelada, contra menos da metade do frete Austrália -China. Na época, a Vale vendia FOB, ou seja, preço no porto brasileiro e seus clientes contratavam o frete.

As dificuldades conjunturais de então levaram o então presidente da empresa, Roger Agnelli, a buscar uma alternativa logística para a competitividade no mercado de minério de ferro, evitando a volatilidade do frete. Inicialmente, o executivo encomendou a construção de 12 navios na China por US$ 1,6 bilhão e, pouco depois, mais sete na Coreia, somando 19. E contratou mais 16 supercargueiros junto a armadores da Coreia.

Ao todo, a frota da Vale soma 35 navios do tipo VLOC (em inglês, very large ore carries) que carregam 400 mil toneladas de minério, os maiores do mundo.

A Vale, maior fornecedora de minério de ferro para a China - 45% de suas vendas do produto são para aquele país -, apostou no sucesso da venda CIF (posto no porto do comprador) e teve sucesso. Mas não contava, no médio prazo, com a retomada da crise internacional, que vem desacelerando a economia global, inclusive a China, e nem com o bloqueio dos seus Velomax (nome dado aos supercargueiros) nos portos chineses.

No momento, a companhia vem operando nas linhas entre Brasil-Europa e Oriente Médio. Atualmente, seus navios gigantes têm atracado nos portos de Ponta a Madeira (Brasil), Taranto (Itália), Sonae (Omã) e Rotterdã (Holanda). Nenhuma das seis embarcações já entregues à companhia aportaram ainda em portos chineses.

O que a Vale está enfrentando naquele mercado é uma resistência da Cosco, estatal que pertence ao Ministério dos Transportes da China, dos armadores locais e até de grandes siderúrgicas clientes da brasileira, temerosas de que a construção de uma frota tão grande pela Vale possa derrubar ainda mais o mercado de frete, que, ao contrário de 2008, anda deprimido com uma superoferta de navios num ambiente recessivo.

Até agora, o governo da China não se manifestou em relação a questão. Com base nesse cenário incerto, a Vale decidiu virar o jogo.

DefesaNet

Vale coloca a venda frota própria de supercargueiros Valor 20 Dezembro 2011 Link

Donos de navios na China querem Vale longe Globo Dezembro 2011 Link

Marinha investigará caso do navio da Vale Globo Link

Navio alugado pela Vale, carregado de minério, corre risco de naufragar O Globo Link

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