COBERTURA ESPECIAL - Brasil - China - Geopolítica

05 de Abril, 2006 - 12:00 ( Brasília )

Brasil e China inauguram comissão de cooperação de alto nível


Pequim, 24 mar (EFE).- China e Brasil inauguraram hoje a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) criada em 2004, como um primeiro passo no processo de fortalecimento da aliança estratégica bilateral.

O vice-presidente brasileiro, José Alencar, e a vice-primeira-ministra chinesa, Wu Yi, presidiram a sessão inaugural realizada no Grande Palácio do Povo de Pequim na presença de funcionários e representantes dos dois países.

Esta comissão "é um novo passo na aliança estratégica entre os dois países e contribuirá positivamente para o fortalecimento e o aprofundamento da cooperação bilateral em todas as áreas", diz a ata final da reunião, que durou três horas.

A Cosban simboliza também "a determinação dos dois Governos em continuar reforçando a aliança estratégica bilateral".

"Esperamos grandes avanços", declarou Alencar ao término da reunião, que foi concluída com a assinatura de 12 documentos.

Os dois Governos se comprometeram a apoiar a criação de empresas mistas e a promover intercâmbios entre associações empresariais.

Também visam a aumentar o comércio e o investimento, e a resolver de forma amistosa as tensões comerciais.

O objetivo de elevar o comércio bilateral para US$ 20 bilhões em 2007 requer "esforços" de empresas de ambos os lados, segundo as conclusões da subcomissão econômica e comercial.

"O Estado não faz negócios, mas pode ajudar a criar a base para que esses negócios sejam realizados sobre a base de interesses recíprocos", declarou Alencar.

O vice-presidente destacou também o bom desempenho da economia brasileira, por cumprir os requisitos do Fundo Monetário Internacional, e disse que a China e "qualquer país do mundo pode interessar-se agora pelos bônus do Estado" brasileiro.

Alencar reconheceu, no entanto, que "eles (os países interessados) vão esperar que as taxas (de juros) caiam no Brasil" já que, segundo ele, é difícil "investir no Brasil com taxas tão altas".

Ambas as partes concordaram em reforçar a colaboração nas áreas de agricultura, energia, mineração, tecnologia da informação, infra-estrutura e alta tecnologia, assim como nas negociações multilaterais na Organização Mundial do Comércio.

Brasil e China propuseram a rápida conclusão dos projetos em curso, que incluem siderurgia, alumínio, gás natural, uma central termelétrica, contêineres, petróleo e aviação regional. Também querem programar para este ano atividades no âmbito do etanol (álcool).

A China expressou também seu interesse em operações diretas no comércio de soja e outorgou ao Brasil permissão para exportar soja transgênica ao país durante cinco anos.

No âmbito turístico, os dois países confirmaram o interesse no estabelecimento de vôos diretos para estimular o intercâmbio turístico e comercial.

Na área de ciência e tecnologia, Brasil e China identificaram como prioritárias as áreas de biotecnologia, biodiversidade, biocombustíveis, combustíveis sólidos fósseis, laboratórios e políticas de inovação.

O programa espacial já existente - que já contou com o lançamento de dois satélites sino-brasileiros de recursos terrestres (CBERS) em 1999 e 2003 - é um claro símbolo da colaboração Sul-Sul, que ambos os países concordaram em potencializar.

No âmbito agrícola, Alencar propôs a realização de um seminário sobre oportunidades de investimento neste setor no Brasil. Ambos os países também concordaram em intensificar o intercâmbio de recursos genéticos e a cooperação em tecnologia agro-biológica, segurança de animais e plantas transgênicas.

Brasília e Pequim também reforçarão a colaboração com um novo programa para 2006-2008, que será marcado pela criação de quatro novas subcomissões na Cosban: de assuntos sanitários, fitossanitários e quarentena; de energia e mineração; de indústria informática; e de educação.

Os planos para os próximos anos contrastam com os poucos avanços registrados após o estabelecimento da aliança estratégica bilateral em 2004, já que não se concretizaram os investimentos previstos nos setores ferroviário e de infra-estrutura, assim como no comércio bovino e aviário.

"Já estamos assistindo a vários casos de associações concretas que se transformam em empresas mistas e muitas outras vão surgir", afirmou Alencar.

"Isto é um processo", concluiu, poucas horas antes de finalizar hoje sua visita à China



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