COBERTURA ESPECIAL - Brasil - China - Tecnologia

24 de Junho, 2015 - 10:30 ( Brasília )

China quer produzir de foguetes até carros elétricos no Brasil


Júlio Ottoboni
 

O Parque Tecnológico de São José dos Campos e o governo da China selaram  uma parceria de cooperação tecnológica que deve envolver diversos setores produtivos, desde o automotivo até o espacial. O entendimento ocorreu durante a visita de uma comitiva liderada pelo ministro de Ciência e Tecnologia chinês, Wan Gang, ao Parque Tecnológico da cidade no último final de semana.

A China quer entrar como parceira integral do programa espacial brasileiro, pois já produz a série Cbers e pretende ocupar o lugar deixado pela Ucrânia e produzir os foguetes lançadores. O encontro no Vale do Paraíba evidenciou o interesse no desenvolvimento e a produção de veículos elétricos.

A delegação chinesa foi recebida pelo diretor geral do Parque Tecnológico, o ex-ministro da ciência, tecnologia e inovação Marco Antonio Raupp. Também participaram da reunião o presidente da AEB (Agência Espacial Brasileira), José Raimundo Braga Coelho e representantes da Boeing, da Embraer e da empresa chinesa BYD, líder mundial em produção de baterias e que também desenvolve veículos elétricos.

Durante a visita, a comitiva chinesa apresentou a política de parques tecnológicos do país, criada por Raupp no começo dos anos 2000, e as perspectivas de cooperação com o Brasil. O diretor do Parque de São José mostrou a estrutura disponível em São José e a evolução tecnológica da cidade desde a década de 60, além de lembrar que a China já mantém uma parceria com a cidade, por meio do Inpe, na produção de satélites.

Como existe o interesse na área de veículos elétricos, segmento que a China é um dos países líderes nessa tecnologia, o encontro potencializou esse tema. É dado como certo que a fábrica da GM deixará a região até 2017, conforme seu planejamento mundial.

A empresa de capital misto Urbam, que é controlada pela prefeitura de São José,  tem um projeto para desenvolvimento de um carro elétrico para prestação de serviços públicos. O projeto, batizado de Muriqui, foi apresentado aos chineses durante a reunião.

“Nós temos várias trocas bilaterais profundas. Há interesse governamental de fazer negócios com vocês. Agora temos que escolher a direção correta dos projetos”, afirmou Wan Gang, antes de sinalizar que "muitas empresas chinesas têm grandes expectativas em relação a investimentos no Brasil."

O ministro chinês convidou o diretor do Parque, o prefeito e empresários locais a visitarem a China em setembro, quando será realizada uma conferência sobre parques tecnológicos no país.

Brasil e China assinaram no dia 19 de junho, em Brasília, um memorando de entendimento (MdE) entre MCTI e o Ministério da Ciência e Tecnologia da China (MOST) para cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) na área de parques tecnológicos. "Este acordo constitui um marco legal para nossa colaboração tecnológica. Temos agora amparo para ações concretas", finalizou Raupp.



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