COBERTURA ESPECIAL - Brasil - China - Geopolítica

17 de Maio, 2015 - 13:00 ( Brasília )

Brasil - China - Aposta na parceria

Governo monta pacote de US$ 53 bilhões em projetos a fim de atrair recursos do país asiático. Alvo principal é o setor de infraestrutura

 

ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 17 Maio 2015

 
O governo está apostando alto na visita ao Brasil do primeiro-ministro da China, Li Keqiang, para destravar os investimentos no país, principalmente, na área de infraestrutura. A intenção é anunciar um pacote de US$ 53,3 bilhões para projetos — alguns já iniciados, outros novos — como forma de mostrar uma agenda positiva em contraponto ao pessimismo desencadeado pela crise política, que vem dificultando a aprovação do ajuste fiscal no Congresso, e pela recessão na economia brasileira, que deve encolher 1% este ano, conforme estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).
 
O premier chinês chega a Brasília amanhã à noite (18 MAIO 2015) e terá um encontro com Dilma na terça-feira, menos de um ano depois da visita oficial do presidente da China, Xi Jinping, em julho de 2014. Viaja com Li uma comitiva de 150 empresários. Um dos principais acordos prevê a criação de um fundo de US$ 50 bilhões, uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) para financiar projetos de infraestrutura no país.
 
“Existe um espaço grande para os investimentos chineses”, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, lembrando que a China é grande importadora de commodities do Brasil. “A parceria pode reduzir o custo de transporte e tornar os produtos brasileiros mais competitivos”, acrescenta. Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também demonstra otimismo.

“Os chineses têm investido no Brasil, em diferentes níveis. O potencial de colaboração é grande e o grau de evolução é rápido, porque eles identificam os problemas e partem para uma solução a curto prazo, algo que os brasileiros precisam aprender”, diz.
 
O diretor para América Latina do EURASIA Group, João Augusto de Castro Neves, avalia que a agenda com a China é importante desde que haja maior liberdade para os investimentos. “O governo não tem espaço fiscal para investir. Por isso, precisará mais do que nunca do capital privado e estrangeiro. O BNDES não deve atuar como no passado nas concessões”, alerta.


 
Cautela
 
Uma fonte próxima da embaixada chinesa revela que, apesar de ter dinheiro de sobra — despejaram no mundo US$ 860 bilhões na última década —, Pequim está muito mais criteriosa do que no passado em função de alguns projetos naufragados em solo brasileiro.

É o caso da Wuhan Iron and Steel Corporation (Wisco), que apostou na implantação de uma siderúrgica em parceria com o grupo EBX, do empresário Eike Batista e na construção do Porto do Açu (RJ), mas desistiu depois que o conglomerado nacional ruiu.
 
A SINOPEC aliou-se à PETROBRAS no projeto de uma refinaria no Maranhão, mas não viu a obra de US$ 20 bilhões avançar, em meio ao furacão da Operação Lava-Jato. Fábricas de automóveis, como a da JAC Motors na Bahia, ainda não saíram do papel, mostrando que nem tudo o que é anunciado vira realidade.
 
O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e sócio da maior fabricante chinesa de caminhões, a FOTON, diz que percebeu a atitude de maior cautela ao ser procurado por uma montadora de automóveis para mapear o mercado brasileiro.
 
 “Depois de ver experiências frustradas de concorrentes, essa empresa quer agir com uma estratégia mais definida, montando uma rede de fornecedores e de revendas antes de iniciar a produção local”, conta.

A FOTON, que iniciou as operações no país em 2010, vem construindo uma fábrica próxima a Porto Alegre. Até o fim de 2016, os investimentos somarão US$ 200 milhões. “Estamos indo com calma, e a meta é chegar a 5% do mercado até 2017”, diz Barros.
 
A gigante de telecomunicações Huawei, há 15 anos no Brasil, não tem do que reclamar porque atua em um segmento que está na contramão da economia atualmente. “Crescemos 10% em 2014 e vamos expandir investimentos”, conta Rômulo Horta, diretor da área de Negócios Corporativos da companhia, que faturou US$ 1,5 bilhão no país no ano passado.
 
Estratégia
 
Na avaliação de Roberto Dumas Damas, professor do INSPER, a China possui estratégia muito bem definida de atuação no exterior. “O retorno do capital nem sempre é o que mais interessa aos chineses”, afirma, lembrando que o governo tem participação na maioria das empresas. “O objetivo primordial é garantir a continuidade do Partido Comunista no poder e o crescimento do país.” As linhas mestras da estratégia são: abrir mercados, internacionalizar as empresas, ter acesso a recursos naturais e ampliar a influência geopolítica do país.



 

 


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