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Lula
sugere fábrica militar no Mercosul
Claro
que o diálogo com o Norte vai ficar comprometido
Muito
irritado com o colega norte-americano, George W. Bush, por
causa do veto à venda de aviões da Embraer
à Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva quer dar o troco. Ele propôs ao presidente
argentino Néstor Kirchner duas questões estratégicas,
que vão deixar os Estados Unidos com as barbas de
molho. A primeira delas é criar uma indústria
bélica bilateral, Brasil-Argentina, em cima da estrutura
antiga das antigas fábricas de armamentos e equipamentos
que os dois países tinham. O objetivo é recompor
as Forças Armadas, tanto brasileira quanto argentina,
e ao mesmo tempo se cacifar para suprir o mercado sul-americano.
Como seria conjunta, a iniciativa não criaria ciúmes
e nem constrangimentos diplomáticos no âmbito
do Mercosul. Claro que o diálogo com o Norte vai
ficar comprometido.
Principalmente
porque a segunda idéia é ainda mais ousada.
Lula pretende sugerir que a Embraer instale uma fábrica
na Argentina, também para atender ao Mercosul. Só
que com uma diferença. O presidente quer que essa
nova unidade use também tecnologia européia.
É que a Embraer foi vetada na Venezuela porque usa
componentes norte-americanos em seus aviões. E a
indústria bélica dos Estados Unidos, altamente
dependente do governo, aceitou o veto dado por George W.
Bush, que foi essencialmente político, já
que no aspecto militar não há justificativas
para impedir a venda dos Tucanos ao país de Hugo
Chávez. Com os componentes europeus, a empresa brasileira
fica mais à vontade e consegue escapar dos caprichos
norte-americanos.
O
curioso é que Lula tem boas relações
com seu colega norte-americano, apesar de ele ser republicano.
Mas a Venezuela foi colocada no eixo do mal de Bush e ele
não levou em conta, no veto à venda, a suposta
amizade com o colega brasileiro. De qualquer forma, se vingarem
os dois projetos, é certo que os Estados Unidos não
ficarão satisfeitos. Não bastasse a questão
militar, há também o aspecto econômico,
já que haveria disputa no mercado sul-americano.
E do jeito que as coisas vão, a simpatia seria pelos
produtos do consórcio Brasil-Argentina.
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