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Militarização
da América do Sul é tema
de debates no Fórum Social Mundial
Spensy
Pimentel
Enviado
especial
Caracas
(Venezuela) O 6º Fórum Social Mundial
se prepara para colocar em debate questões como a
guerra, o imperialismo e a militarização no
mundo.
Neste
momento, diante da presença de bases militares norte-americanas
instaladas em quase todos os países sul-americanos,
líderes da região retomam o debate sobre a
necessidade de fortalecer a articulação entre
suas forças armadas. Essa presença também
se revela em situações como a recente notícia
de que os EUA interferiram para impedir a venda de aeronaves
brasileiras para a Venezuela.
Na
semana passada, em reunião trilateral realizada em
Brasília, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio
Lula da Silva, da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina,
Néstor Kirchner, discutiram a possível criação
de uma organização multilateral na área
da defesa que, na visão de Chávez, poderia
ser semelhante a que mantém os países europeus,
a Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan).
Entre
os organizadores do Fórum, são diversas as
idéias sobre a postura que deveria tomar a sociedade
civil em relação ao tema. Para o cientista
social venezuelano Edgardo Lander, só a longo prazo
os países da região poderão deixar
de atentar para a necessidade de defesa contra o assédio
norte-americano. "A defesa da luta dos povos muitas
vezes tem representado a necessidade de ter capacidade militar",
diz ele. "Hoje, a existência da capacidade de
resposta inevitavelmente forma parte da possibilidade mesma
de resistir às políticas imperiais".
Na
América do Sul, lembra Lander, a defesa da Amazônia
é um caso típico. "Se à Amazônia
se deixa sem proteção nem vigilância,
não serão só os garimpeiros e outras
ameaças, mas serão também, igualmente,
os representantes dos interesses das transnacionais que
ocuparão e utilizarão esse território
em função de seus próprios interesses".
Para
o empresário brasileiro Oded Grajew, um dos idealizadores
do Fórum e ativista na área de responsabilidade
social, a idéia de ampliar as forcas militares nacionais
como forma de prevenir agressões deve ser vista com
reserva. "Há quem diga que os fins justificam
os meios. Eu, pessoalmente, penso como Gandhi: se você
quer paz tem de usar meios pacíficos para chegar
até ela", afirma.
Na visão de Grajew, a medida mais efetiva que a sociedade
civil pode tomar para que a guerra e o imperialismo tenham
cada vez menos espaço é lutar pelo aprofundamento
da democracia. "A historia não conhece nenhum
exemplo de uma guerra entre dois países democráticos.
Há sempre uma ou mais ditaduras envolvidas em uma
guerra", diz. "Aprofundar a democracia é
lutar pela paz"
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