Alencar
não discutirá questão do ferro
com profundidade na China
Xangai, 20 mar (EFE).- As negociações sobre
os preços mundiais do ferro, em que o Brasil e
a China mantêm posições contrárias,
não serão tratadas a fundo, por enquanto,
durante a visita do vice-presidente José Alencar
ao país asiático, segundo fontes de sua
delegação em Xangai.
"Não
é a Vice-Presidência, mas sim a Chancelaria",
quem deverá tomar em algum momento uma "iniciativa
prática" sobre a reação do Brasil
diante da medida chinesa de frear suas importações
de ferro, afirmou uma fonte do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior.
No
dia 15 de março, a China garantiu que neste ano
não aceitaria a alta de preços do ferro,
negociada pelos grandes produtores mundiais, entre eles
gigantes siderúrgicos como a Companhia Vale do
Rio Doce, maior produtora do planeta, e a chinesa Baosteel,
maior siderúrgica do principal país produtor
e importador de aço mundial.
Em
2005, os preços subiram até 70%, em parte
devido ao aumento da demanda mundial, graças ao
consumo do gigante chinês.
O
Brasil ameaçou recorrer à Organização
Mundial do Comércio e a China teve de suavizar
sua postura e esclarecer que não deixará
de ser o mercado que continuará decidindo os preços.
As
visitas oficiais "sempre acabam tendo algum efeito
geral, porque melhoram as relações, mas
esse assunto (do ferro) ainda não vai ser tratado
pelos vice-presidentes de maneira específica e
séria", declarou Nelson José Hubner
Moreira, secretário-executivo do Ministério
de Minas e Energia.
Alencar
iniciou sua visita hoje em Xangai com um tour pela empresa
Shanghai Zhiyi, de mobiliário e decoração.
"O
Brasil tem muitas sinergias com a China, e suas economias
são muito complementares", afirmou Alencar.
O
vice-presidente se reuniu depois com o diretor da Comissão
Econômica de Xangai, Le Jin Peng, e com o prefeito
de Xangai, Han Zheng.
Amanhã,
Alencar se reunirá com vários empresários
chineses e brasileiros, e na quinta-feira presidirá,
junto com a vice-premier chinesa, Wu Yi, uma comissão
bilateral de alto nível para impulsionar a "aliança
estratégica" entre os dois países.