Eleições
2006
Em discurso a militares, Alckmin elogia
anos 70 e defende "valores" da pátria
RAPHAEL
GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO
O
candidato do PSDB à Presidência da República,
Geraldo Alckmin, adotou um discurso conservador e voltou
a usar como exemplo de crescimento a década de
1970, quando vigorava o Regime Militar (1964-1985), ontem,
em encontro com militares da reserva no Rio de Janeiro.
Defendeu
crescimento semelhante ao da época -de cerca de
10% ao ano- como solução para os problemas
do Brasil. "Há 25 anos o Brasil não
cresce fortemente", disse.
Alckmin
atacou invasões de terra, pregou endurecimento
do regime prisional e defendeu para os militares termos
como "valores" da pátria e nação
e "respeito à lei e à ordem".
Prometeu
ainda terminar de construir a usina nuclear Angra 3 e
recriar a Sudene, projetos dos anos militares, e incentivar
o projeto do submarino com propulsão nuclear, da
Marinha.
O
tucano anunciou que vai nomear "alguém extremamente
vinculado à área" para o Ministério
da Defesa. Disse que, se eleito, vai revitalizar as Forças
Armadas.
Perguntado se daria aumento aos militares, porém,
ele tergiversou e não respondeu.
O
candidato foi aplaudido pelos presentes, mas muitos pediam
mais agressividade na campanha. "O senhor tem de
abrir fogo", disse-lhe um militar da reserva.
Alckmin
iniciou o discurso afirmando que seu pai foi oficial do
Exército, mas cometeu gafe ao afirmar que ele só
casou de farda de gala porque não tinha dinheiro
para comprar um terno. Também comentou que o pai
abandonou o Exército para ser veterinário.
No
discurso, o candidato pulou a Constituição
Federal autoritária de 1967, ao falar das Cartas
desde 1824 até 1988, e criticou ainda a sugestão
de Lula de criar uma nova constituinte exclusivamente
dedicada a fazer a Reforma Política.
O
candidato do PSDB criticou as políticas fiscal
e de juros de Lula e afirmou que pretende adotar ajuste
fiscal para fazer o país crescer e recuperar sua
capacidade de investimento.
Por
fim, para criticar o que chamou de falta de respeito às
leis por parte do governo federal, citou episódio
da invasão de terreno da Volkswagen, em 2003, em
São Paulo.