Eleições
2006
A tragédia de Alcântara e a carreira de C&T
Acioli
Olivo
Servidor do Instituto Nacional de Pesuisas Espaciais (Inpe),
diretor do Sindicato de C&T e secretário executivo
do Fórum de C&T
É hora, presidente Lula, de colocar a carreira
de C&T nos mesmo níveis de remuneração
das carreiras mais importantes para o desenvolvimento
nacional
Quando
as câmeras de filmagem do Centro de Lançamento
de Alcântara marcavam 13h26m6seg do dia 22 de agosto
de 2003, um princípio de incêndio no VLS-1
foi captado.
Naquele
momento, engenheiros e técnicostrabalhavam nas
instalações da torre, que ficou completamente
destruída. Dez minutos depois, a plataforma, de
32 metros de altura, desabou e virou um amontoado de 200
toneladas de aço.
A
temperatura chegou a 3.000ºC, o que dificultou o
resgate, resultando no trágico saldo de 21 mortos.
Participavam
daquela missão em Alcântara 110 funcionários
do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e nove
pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), ambos em São José dos Campos, SP.
A
tragédia que abalou o país e destruiu famílias
ainda não foi superada, pois o choro e a dor que
ela provocou não foram suficientes para superar
os entraves que ainda emperram o programa espacial brasileiro,
permanecendo o déficit de pessoal especializado,
salários defasados, atrasos no cronograma e contingenciamento
de recursos.
O
Fórum de Ciência e Tecnologia, entidade que
congrega cerca de 20 associações e sindicatos
representando os servidores de dezenas de instituições
federais da Carreira de C&T, incluindo o CTA e o Inpe,
tem como objetivo principal lutar por melhores condições
de trabalho, orçamentos e salários que estejam
à altura da importância que as instituições
e os servidores da carreira representam para o desenvolvimento
nacional.
Dentro
deste enfoque, somos solidários com a dor daqueles
que perderam seus familiares na tragédia de Alcântara
e exigimos que o Governo Federal destine os recursos necessários
para a continuidade do programa espacial brasileiro.
Mas,
desta vez, com os mecanismos de segurança adequados,
tais como a construção de uma área
de escape, com acesso a um túnel e umsistema de
pressurização, o redesenho do sistema elétrico
com proteção contra curto-circuitos, além
de uma rede de proteção contra raios.
Com
relação à questão salarial,
nossa preocupação mais urgente é
com a proximidade do prazo de 31/8/2006, data limite para
a apresentaçãodo Orçamento da União
para 2007.
Até
a presente data, não temos conhecimento de nenhuma
ação efetiva por parte do Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão, para
a alocação dos recursos orçamentários
necessários à implementação
da tabela salarial proposta pelo Fórum de C&T.
Nunca
é demais lembrar que instituições
como a Fiocruz, IBGE, Inpi e Inmetro, até há
pouco pertencentes a Carreira de C&T, tiveram suas
tabelas salariais corrigidas através da MP 301,
de 29/6/2006.
O
próprio presidente Lula, em diversas manifestações,
desde quando esteve presente no ato de homenagem aos heróis
de Alcântara, até mais recentemente, quando
se reuniu com personalidades da comunidade científica,
não tem poupado elogios ao desempenho do setor.
Chegou
a hora, presidente, de transformar estes elogios em ações
concretas e mostrar que o discurso do governo não
é um amontoado de promessas, mas sim uma ação
concreta e um política salarial, que coloque a
Carreira de C&T nos mesmo níveis remuneratórios
das carreiras mais importantes para o desenvolvimento
nacional.