COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Defesa

03 de Abril, 2012 - 08:55 ( Brasília )

Chefes dos Estados-Maiores Conjuntos do Brasil e EUA discutem cooperação bilateral em defesa


O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Martin Dempsey, foi recebido na última sexta-feira (30) por seu contraparte brasileiro, general José Carlos De Nardi, em reunião na sede do Ministério da Defesa, em Brasília (DF). No encontro, os dois chefes militares discutiram o aprofundamento da cooperação na área de defesa entre os dois países.

O general norte-americano ofereceu o apoio de seu país e acenou com a possibilidade de repasse ao Brasil do conhecimento adquirido pelos militares dos EUA nas áreas de combate a organizações criminosas com atuação internacional, defesa cibernética, inteligência e operações de fronteira. “Os EUA e o Brasil têm objetivos comuns em várias áreas. Na defesa, queremos trabalhar em parceria com vocês”, afirmou o oficial.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas brasileiras ressaltou a importância do estreitamento das relações com os EUA no segmento de defesa. De Nardi lembrou que os dois países possuem uma tradição de cooperação na área castrense, e afirmou que a experiência dos Estados Unidos no setor industrial de equipamentos militar pode ser valiosa para o desenvolvimento da indústria brasileira de defesa.

Durante o encontro, o general De Nardi fez uma breve explanação ao oficial norte-americano e sua comitiva sobre as mudanças ocorridas na área militar brasileira a partir da edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), em 2008. Ele falou sobre a reformulação do arranjo institucional da defesa, com criação, em 2010, do Estado-Maior Conjunto, organismo cujo titular tem o mesmo nível hierárquico dos comandantes das Forças Armadas e cuja atribuição central é coordenar a integração e o emprego conjunto da Marinha, Exército e Aeronáutica.

De Nardi explicou a distribuição de atribuições hoje existente no Brasil, que adotou modelo em que a tarefa de combate a crimes federais e transnacionais cabe a instituições vinculadas ao Ministério da Justiça, a exemplo da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança.

Segundo ele, embora haja repartição de competências, nos últimos tempos o Brasil vem estreitando a cooperação entre as Forças Armadas e as organizações responsáveis pelas ações de segurança interna. O exemplo mais evidente dessa nova dinâmica, afirmou ele, são as operações Ágata e Sentinela que vêm sendo realizadas desde o ano passado no âmbito do Plano Estratégico de Fronteiras. Nessas operações, militares, policiais e agentes ambientais atuam sob coordenação única na repressão a crimes transnacionais.

As observações do general brasileiro se deram em resposta a uma preocupação manifestada por Dempsey com a “escalada” de ações globais de organizações criminosas que detêm capacidade militar. “Estamos aprendendo com isso no Afeganistão e em outros lugares”, disse.

Além de falar sobre questões internas, o chefe militar brasileiro lembrou outros aspectos centrais da END, como o esforço de cooperação com os países sul-americanos, a atenção às operações de paz sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU) e a disposição do Brasil de somente adquirir equipamentos militares mediante a garantia de transferência tecnológica e capacitação nacional. “Estamos com capacidade de ser um país parceiro. Ficar sem o domínio do equipamento não nos interessa”, disse.

De Nardi falou também sobre o esforço que o governo brasileiro tem realizado para dotar o país de uma capacidade de defesa compatível com sua posição de sexta economia do mundo. Ele listou ao colega norte-americano alguns dos principais projetos estratégicos de defesa em curso no Brasil, a exemplo do Pró-Sub, programa da Marinha de construção de cinco submarinos: quatro convencionais da classe Scorpène e um a propulsão nuclear, de projeto nacional.

O general reiterou que o Brasil não pode e não quer desenvolver armamentos nucleares. Ele também falou da posição brasileira, contrária à qualquer interferência militar no Atlântico Sul.

Pouco antes da reunião com De Nardi, o general norte-americano teve um breve encontro com o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, que o recebeu em cortesia em seu gabinete. Está acertada para este mês uma visita oficial ao Brasil do secretário de Defesa dos EUA, Leon Edward Panetta.



Outras coberturas especiais


ONU

ONU

Última atualização 23 ABR, 23:00

MAIS LIDAS

Brasil - EUA