COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Naval

08 de Dezembro, 2015 - 09:40 ( Brasília )

UNITAS Amphibious - Treinando com Fuzileiros Navais de oito países

Conheça a rotina das oficinas de adestramento realizadas durante a UNITAS Amphibious 2015 no Rio de Janeiro

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Marcos Ommati
 

Se você já se impressionou com a garra, a determinação e a disposição física dos fuzileiros navais ao assistir a algum filme em que esta tropa de elite das marinhas ao redor do mundo esteja presente, pessoalmente, o impacto é ainda maior.

Como parte do exercício anual multinacional UNITAS Amphibious versão 2015, fuzileiros navais de oito países (Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México, Paraguai e Peru) participaram de oficinas de adestramento de tiro, operações militares em área urbana, operações com aeronaves e operações com viaturas anfíbias, no período de 15 a 18 de novembro, no Centro de Treinamento do Corpo de Fuzileiros Navais (FN) da Marinha do Brasil, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

As tropas foram divididas em três grupos. A cada dia, um grupo diferente realizou uma das oficinas. Desta forma, ao final do período de treinamento, todos os grupos passaram por todas as etapas de treinamento.

Na Oficina de Operações Militares em Área Urbana – uma variação do nome em inglês MOUT (Military Operations in Urban Terrain) –, que ficou a cargo do Peru, foram treinadas técnicas de progressão tática de pequenas unidades em arruamentos de áreas urbanas. Os princípios básicos deste treinamento são a proteção individual e a proteção coletiva, por meio do emprego de procedimentos corretos de posicionamento estático, deslocamentos e constante observação a toda volta.

Esta oficina é complementada pelo treinamento de técnicas de abordagem tática e inspeção de compartimentos. “Este treinamento se reveste de especial importância não só tendo em vista o aumento crescente das cidades no mundo moderno, como também uma grande concentração destas cidades nas áreas litorâneas, exatamente onde os fuzileiros navais atuam.

Por isso se torna cada vez mais necessário nosso treinamento nesse tipo de ambiente e, no caso específico do Brasil, também para as operações em apoio aos órgãos de segurança pública, como nós temos feito nas comunidades carentes aqui no Rio de Janeiro”, explicou o Capitão de Fragata (FN) Arthur Fernando do Rosário Gomes, encarregado da Comunicação Social da Força de FN da Esquadra para o exercício UNITAS Amphibious 2015.

Após as técnicas de progressão nas ruas, os militares participantes do exercício realizaram ainda o treinamento de técnica de progressão dentro de compartimentos, que simula o interior de residências, que no Centro de Treinamento dos FN, fica em uma área diferente da primeira.

Na fase de Operações com Helicópteros, é onde são treinadas técnicas de embarque e desembarque de helicópteros em situação tática e de combate por pequenas frações, em situações de emprego tático. Os princípios são a velocidade e a coordenação das ações, a proteção individual e coletiva, e a proteção da própria aeronave. “Ao desembarcar, a tropa deve prover a segurança não só a si mesma, como também à aeronave, que está em uma situação vulnerável e que irá decolar em seguida”, disse o Comandante Arthur.

Para o treinamento durante a UNITAS Amphibious, foram utilizados os helicópteros UH-15 brasileiro e um MI-17 do México. Os países responsáveis pela instrução nesta fase foram os Estados Unidos e o Brasil.

Para a Oficina Operações com Viaturas Anfíbias, foram utilizados os chamados Carros Lagartos Anfíbios, mais conhecidos no Brasil por CLANFs. Nesta fase são treinadas técnicas de embarque e desembarque de viaturas anfíbias por pequenas frações, em situações de emprego tático, bem como a familiarização da tropa com o ambiente confinado da viatura, tanto em terra quanto em operação na água.

Durante a Oficina de Fogo Real são treinadas técnicas de tiro com fuzil em posição estática, evoluindo para a realização do tiro por uma esquadra de tiro progredindo ofensivamente no terreno, abrindo fogo contra alvos inimigos simulados, utilizando abrigos ao longo do deslocamento e lançando granadas de fumaça à frente, a fim de reduzir a visibilidade do inimigo. “Pela manhã há um treinamento de tiro estático, que serve para que o militar possa se familiarizar com o armamento, a região e a linha de tiro.

E à tarde o treinamento é de progressão de esquadra de tiro, composta por quatro militares. Um portando uma metralhadora e os outros três, fuzis. Esta progressão chama-se fogo em movimento”, explicou o CF Arthur.

Depois de participar destas oficinas, é hora de colocar o treinamento em prática. Os fuzileiros, então, se transferiram para a Ilha da Marambaia, também no Rio de Janeiro, para participar da fase de emprego tático do exercício, com incursão anfíbia, em um ambiente hostil simulado, a fim de libertar e prestar assistência humanitária a refugiados. Mas isso já é outra história.