COBERTURA ESPECIAL - Brasil - Argentina - Aviação

10 de Outubro, 2016 - 11:00 ( Brasília )

Casa Rosada procura a Embraer por "AeroMacri"


Daniel Rittner

O governo da Argentina tem interesse na compra de um jato E190, da Embraer, como parte da renovação de sua frota presidencial. A fabricante brasileira não comenta o assunto, mas está em tratativas com a Casa Rosada para fornecer o avião, já chamado nos bastidores de "AeroMacri".

O presidente Mauricio Macri decidiu trocar as aeronaves voltadas ao transporte de autoridades por causa da idade avançada dos equipamentos e após uma sucessão de incidentes em voos oficiais. Sua equipe saiu, então, em busca de dois aviões para substituir o Tango 01 e o Tango 02. A Embraer é bastante cotada para a troca do segundo modelo.

Quando vendido a companhias aéreas, na configuração comercial padrão, o preço de lista do E190 é de US$ 48,9 milhões. O valor pode subir consideravelmente quando a aeronave é formatada para missões especiais ou transporte de autoridades - por causa de acabamento interno diferenciado e equipamentos de comunicação mais sofisticados.

Na semana passada, durante viagem do presidente Michel Temer à Argentina, dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) foram usados. Temer viajou a bordo do A319, da Airbus, comprado pela Presidência da República em 2004.

O E190 da FAB, mesmo modelo pelo qual a Casa Rosada tem interesse, foi empregado para o transporte do "escalão avançado" - um contingente de assessores presidenciais e diplomatas mobilizados no apoio à visita oficial. Normalmente o presidente usa o E190 em viagens para compromissos domésticos.

Uma equipe da Secretaria-Geral da Presidência e da Aeronáutica do país vizinho fizeram vistoria de duas horas no avião enquanto ele estava estacionado no Aeroparque, aeroporto central de Buenos Aires, para conhecer detalhes técnicos do equipamento. As conversas sobre um eventual negócio têm envolvido a Embaixada da Argentina em Brasília e altos executivos da Embraer.

O atual Tango 02 é um Fokker-28, fabricado em 1983, já com dificuldades para encontrar peças de reposição. No início de agosto, quando transportava Macri na volta de uma viagem para Córdoba, houve uma pane no motor direito e o piloto teve que aterrissar com apenas uma turbina funcionando. Isso fez o governo apressar a substituição. Há três anos, aeronave havia tido que abortar uma decolagem em cima da hora pela falha súbita de um dos seus motores, com o chefe de gabinete da ex-presidente Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, a bordo.

O Tango 01, um Boeing 757-200 adquirido em 1992, acumula mais de 11 mil horas de voo e também deu sustos na família presidencial. Em 2004, com Néstor Kirchner a bordo, uma explosão fez a turbina esquerda pegar fogo em pleno voo. Para repor esse avião, que faz viagens de longa distância, a Casa Rosada procura um modelo maior. Macri tem ido ao exterior em voos de carreira ou feito alugueis rápidos. Para a cúpula do G-20, na China, o governo alugou um Gulfstream 650 por US$ 617,5 mil, segundo relatos da imprensa argentina. O valor não inclui as despesas com pilotos, combustíveis e hangares.

Brasil e Argentina querem estreitar sua cooperação aeronáutica, mas Temer e Macri não entraram em detalhes nas conversas que mantiveram na Quinta de Olivos, residência oficial do argentino. Há negociações em andamento para a venda de um lote de Super Tucanos de segunda mão para os vizinhos. Fala-se em 24 unidades.

Há certa insatisfação do governo brasileiro com o fato de que a Argentina entrou na lista de fornecedores do cargueiro KC-390 em desenvolvimento pela Embraer, juntamente com outros países, como Portugal e República Tcheca.

No entanto, ainda não concretizou sua promessa de fazer encomendas firmes do novo avião. A intenção dos "hermanos" é revitalizar a Fadea, fábrica de partes e peças aeronáuticas criada em 1927, mas considerada bastante obsoleta.

Outra possibilidade, aventada pelos governos de Cristina Kirchner e da ex-presidente Dilma Rousseff, é uma encomenda de caças Gripen NG. A Fadea também gostaria de entrar na cadeia produtiva. Nenhuma negociação, porém, está em curso atualmente entre brasileiros e argentinos sobre o assunto. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, ficou de intermediar uma reunião de autoridades da Argentina com a Saab, fabricante do Gripen.



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