| Guerra
Irregular Moderna
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Manobra
Estratégica no Sul
MST x ? |
Vitória
dos sem-terra sobre os sem-terra
Parte 1
Parte 2
CARLOS WAGNER
Curiosamente, a primeira vitória
do MST na marcha até a Fazenda Coqueiros
não foi obtida contra os fazendeiros, mas
sobre o próprio movimento. O impacto que
a marcha exerce entre fazendeiros e autoridades
está servindo de cimento para consolidar
os rachas políticos internos que ameaçavam
reduzir os sem-terra do Rio Grande do Sul a um grupelho.
Nos anos 80 e 90, os gaúchos
eram o esteio do MST no Brasil. Grandes marchas
em busca de terra, como uma que reuniu mais de 20
mil pessoas na entrada da Capital, e confrontos
como o da Fazenda Santa Elmira, em Salto do Jacuí,
quando sem-terra e tropas da Brigada Militar (BM)
trocaram centenas de tiros, tornaram os líderes
do MST gaúcho pessoas respeitadas dentro
da organização. Como recorda um deles,
em tom de brincadeira:
- Tiravam o chapéu para
falar com a gente.
Essa situação resultou
em uma migração de líderes
gaúchos para outras regiões do país,
levando a missão de organizar e qualificar
núcleos do movimento. Terminado o trabalho,
muitos desses líderes não retornaram
ao Estado. Preferiram se transformar em lobistas
do MST nos grandes centros, como Brasília.
Os que voltaram, se encastelaram na direção
do movimento e não permitiram a alternância
de poder.
O resultado desse encastelamento
foi a decadência política que resultou
em estratégias de luta que isolaram o MST
perante a opinião pública. Os líderes
apostaram que reverteriam a situação
elegendo a Coqueiros como alvo. Já conquistaram
a primeira vitória.
"Não
desistirei da Coqueiros"
Entrevista: Félix Guerra, proprietário
da Fazenda Coqueiros
Diante da ameaça de mais
uma invasão à Fazenda Coqueiros, já
tomada por grupos de sem-terra em outras oito ocasiões,
o dono da propriedade, Félix Guerra, diz
que sua defesa é a lei. Mesmo assim, ele
acompanha as marchas do MST em direção
a sua propriedade com preocupação.
Ontem à tarde, Guerra disse que, se desistisse
da Coqueiros, estaria rasgando a Constituição.
Ele concedeu a seguinte entrevista a Zero Hora:
Zero Hora - Como o senhor vê as marchas
que estão sendo realizadas pelo MST, anunciando
uma próxima invasão à Fazenda
Coqueiros?
Félix Guerra -
Essas marchas organizadas pelo MST são passeios
de ônibus com caminhadas de turismo dentro
das cidades por onde passam. Por outro lado, mostra
que eles (os sem-terra) estão se rebelando
contra as decisões judiciais, anunciando
crimes. O que não dá para entender
é como está demorando tanto tempo
para que a Justiça tome providências
em relação a este anúncio de
invasão pelo MST.
ZH - O senhor está fazendo alguma
coisa para se defender?
Guerra - Minha defesa é a lei. Todos
os dias, tomamos providências para preservar
a nossa propriedade reconstruindo as cercas e consertando
os estragos que eles fazem. Por outro lado, a Brigada
Militar terá de cumprir com a sua parte,
o Ministério Público e o Judiciário
também.
ZH - Qual é sua expectativa em relação
ao término desta marcha?
Guerra - O MST está dizendo que,
desta vez, ou vai ou racha. Eu acho que racha. Eles
escolheram a vítima errada. Não vou
desistir da Coqueiros, ou estaria rasgando a Constituição.
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