Camex aprova garantia para vender mísseis
ao Paquistão
A Câmara
de Comércio Exterior (Camex) aprovou hoje
as garantias da União para o fornecimento
de 100 mísseis pela empresa Mectron para
o governo do Paquistão. Segundo o ministro
da Defesa, Nelson Jobim, o contrato entre a Mectron,
o governo paquistanês e a Força Aérea
Brasileira (FAB) foi assinado em abril deste ano
e dependia de aprovação de garantia
do governo para a operação. Jobim
informou que a Mectron receberá
por essa exportação 85 milhões
de euros. O ministro explicou que é
um contrato importante, porque a Mectron aumentará
sua capacidade de produção de um
míssil para cinco mísseis por mês.
"O que vai quintuplicar a capacidade da empresa
em matéria de mão-de-obra e de qualificação",
disse Jobim.
O ministro disse
que a Mectron é uma empresa pequena, de
alta tecnologia, formada por cinco engenheiros
do Instituto Tecnológico da Aeronáutica
(ITA), mas tem o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) como sócio.
Jobim explicou que os mísseis são
de anti-radiação, que são
acoplados em aviões para identificar a
origem de radares e têm a possibilidade
de destruí-los. "Funciona como um
monitoramento muito eficaz do espaço e
da terra", disse o ministro. Jobim esclareceu
que, embora haja suspeitas de que os atos terroristas
na Índia tenham sido praticados por terroristas
paquistaneses, o negócio é com o
governo paquistanês. "Se cancelássemos
o negócio, estaríamos atribuindo
ao governo do Paquistão atividades terroristas",
explicou.
A aprovação
da garantia, dentro do Comitê de Financiamento
e Garantia das Exportações (Cofig),
foi o único item da pauta da reunião
extraordinária de hoje da Camex. Jobim
não quis confirmar se haverá mudanças
na presidência da Empresa Brasileira de
Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero),
conforme publicado hoje nos jornais. "O que
nós estamos trabalhando é na reestruturação
da empresa", disse o ministro, lembrando
que já foi assinado um contrato com o BNDES
para reestruturação e modernização
da Infraero.