| Governadores
se reúnem com ministro da Justiça
para propor uso da Força Nacional de Segurança
na região
Érica Montenegro
Da equipe do Correio
Colaborou Adriana Bernardes
Depois de 150 vidas
de jovens perdidas na guerra do tráfico,
só nos últimos seis meses, as reivindicações
feitas pelos moradores de municípios do Entorno
serão tema de reunião na Esplanada
dos Ministérios. Na próxima segunda-feira,
os governadores do Distrito Federal, José
Roberto Arruda (DEM), e de Goiás, Alcides
Rodrigues (PP), reúnem-se com o ministro
da Justiça, Tarso Genro, para avaliar a caótica
situação da região. Na pauta,
a utilização dos 100 homens da Força
Nacional de Segurança que foram destacados
para atuar na área e a proposta de Goiás
de uma verba específica dentro do Orçamento
da União. A reunião foi agendada por
Arruda, que voltou a classificar o clima da região
como “insustentável”.
Convocada a atuar
em situações críticas, quando
o crime organizado ou o tráfico de drogas
aterroriza a população de determinada
área, esta poderá ser a primeira vez
que a Força Nacional de Segurança
atuará na região do Distrito Federal
e do Entorno. O convênio que permite a utilização
da tropa de elite foi assinado no último
dia 28 de agosto pelos governadores dos dois estados
e pelo ministro da Justiça. Mas as ações
de policiamento dependem de um acordo entre os governadores
e da posse de Antônio Carlos Biscaia na Secretaria
Nacional de Segurança Pública (Senasp).
As ações da Força Nacional
de Segurança estão condicionadas às
ordens diretas do secretário nacional de
Segurança Pública. Biscaia, indicado
para substituir Luiz Fernando Corrêa, que
assumiu o comando da Polícia Federal, ainda
não assumiu o cargo. A expectativa é
que ele seja empossado na próxima semana.
Apesar dos governadores
já terem assinado o convênio que autoriza
as ações da Força Nacional
de Segurança, o secretário de Segurança
Pública de Goiás, Ernesto Roller,
acredita que a medida não será suficiente
para resolver o problema na região. “Temos
mais de 20 municípios no Entorno. Se colocarmos
cinco homens da Força Nacional de Segurança
em cada um deles, a população não
sentirá diferença nenhuma”,
queixou-se Roller, em entrevista ao Correio Braziliense.
Para ele, a solução depende de um
repasse de verbas da União ao governo de
Goiás nos moldes do que é feito ao
Distrito Federal. “O Entorno só existe
por causa de Brasília. O Executivo Federal
precisa assumir os gastos de saúde, de educação
e de segurança pública do Entorno,
como faz com os gastos de Brasília”,
defendeu .
Radiografia
do crime
Sobre a ação civil
pública que o defensor público-geral
da União prepara, Roller garantiu que o governo
de Goiás tem investimentos para provar que
não está relegando a área à
marginalização. “O problema
não será resolvido com pirotecnia
e malabarismos. Já convocamos concurso público
para aumentar o número de policiais civis
na área. Estamos entregando viaturas, é
o que podemos fazer”, afirmou. O governador
Alcides Rodrigues foi procurado pela reportagem,
mas assessores próximos informaram que ele
estava em compromissos particulares na tarde de
ontem.
O defensor-geral da União,
Eduardo Flores Vieira, informou ontem que deseja
iniciar a série de entrevistas com autoridades
municipais e população na próxima
semana para colher informações sobre
a real situação da criminalidade e
falta de segurança nos municípios
do Entorno. O presidente da Seccional da OAB-GO
em Luziânia, Francisco Carlos Dantas, afirmou
que as reportagens do Correio estão incentivando
a população a reclamar por seus direitos.
“São coisas que fazem parte do nosso
cotidiano e que já estávamos fartos
de reclamar. As reportagens nos dão novo
fôlego”, afirmou ele que, na tarde de
ontem, preparava um ofício a ser encaminhado
à Secretaria de Segurança Pública
de Goiás.
A reclamação da OAB
era por uma delegacia de Polícia no centro
da cidade, onde a população possa
registrar ocorrências. “Você acredita
que para registrar uma queixa a gente tem de ir
até o Ciops, que fica na BR?”, disse,
em tom indignado, referindo-se aos centros integrados
de segurança. O advogado denunciou ainda
a falta de policiais, delegados e viaturas na região.
“Estamos acostumados com o abandono. Precisamos
de mudanças com urgência.”
Força
Nacional de Segurança Pública
Modelo inspirado na ONU
A Força Nacional
de Segurança é um grupo de policiais
de elite inspirado nas Forças de Paz da Organização
das Nações Unidas. Criada em agosto
de 2004, ela pode ser chamada para atuar em qualquer
parte do território nacional sempre que há
situações de crise, calamidade ou
eventos que exijam reforço na segurança
— como ocorreu nos Jogos Pan- Americanos do
Rio de Janeiro.
A formação
desse grupo de elite contou com participação
de profissionais de todos os estados da federação.
Hoje, há pelo menos 2,5 mil policiais prontos
para agir como membros da Força Nacional
de Segurança. Da Polícia Militar do
DF, pelo menos 100 já foram treinados. A
Força só atua quando um dos governadores
pede a sua ajuda. Somente eles podem requisitar
esse tipo de auxílio. Os profissionais então
são transferidos para a área em questão
e trabalham sob as ordens da Secretaria Nacional
de Segurança Pública (Senasp).
Terminada a missão,
eles voltam para suas corporações
de origem. A primeira vez que o grupo entrou em
ação foi em 2004, quando ajudou a
policiar os terminais rodoviários do Espírito
Santo para coibir ataques a ônibus, durante
uma greve do setor de transportes. (EM)
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