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Correio Braziliense 06 Setembro 2007

Governadores se reúnem com ministro da Justiça para propor uso da Força Nacional de Segurança na região

Érica Montenegro
Da equipe do Correio
Colaborou Adriana Bernardes

Depois de 150 vidas de jovens perdidas na guerra do tráfico, só nos últimos seis meses, as reivindicações feitas pelos moradores de municípios do Entorno serão tema de reunião na Esplanada dos Ministérios. Na próxima segunda-feira, os governadores do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), reúnem-se com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para avaliar a caótica situação da região. Na pauta, a utilização dos 100 homens da Força Nacional de Segurança que foram destacados para atuar na área e a proposta de Goiás de uma verba específica dentro do Orçamento da União. A reunião foi agendada por Arruda, que voltou a classificar o clima da região como “insustentável”.

Convocada a atuar em situações críticas, quando o crime organizado ou o tráfico de drogas aterroriza a população de determinada área, esta poderá ser a primeira vez que a Força Nacional de Segurança atuará na região do Distrito Federal e do Entorno. O convênio que permite a utilização da tropa de elite foi assinado no último dia 28 de agosto pelos governadores dos dois estados e pelo ministro da Justiça. Mas as ações de policiamento dependem de um acordo entre os governadores e da posse de Antônio Carlos Biscaia na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). As ações da Força Nacional de Segurança estão condicionadas às ordens diretas do secretário nacional de Segurança Pública. Biscaia, indicado para substituir Luiz Fernando Corrêa, que assumiu o comando da Polícia Federal, ainda não assumiu o cargo. A expectativa é que ele seja empossado na próxima semana.

Apesar dos governadores já terem assinado o convênio que autoriza as ações da Força Nacional de Segurança, o secretário de Segurança Pública de Goiás, Ernesto Roller, acredita que a medida não será suficiente para resolver o problema na região. “Temos mais de 20 municípios no Entorno. Se colocarmos cinco homens da Força Nacional de Segurança em cada um deles, a população não sentirá diferença nenhuma”, queixou-se Roller, em entrevista ao Correio Braziliense. Para ele, a solução depende de um repasse de verbas da União ao governo de Goiás nos moldes do que é feito ao Distrito Federal. “O Entorno só existe por causa de Brasília. O Executivo Federal precisa assumir os gastos de saúde, de educação e de segurança pública do Entorno, como faz com os gastos de Brasília”, defendeu .

Radiografia do crime

Sobre a ação civil pública que o defensor público-geral da União prepara, Roller garantiu que o governo de Goiás tem investimentos para provar que não está relegando a área à marginalização. “O problema não será resolvido com pirotecnia e malabarismos. Já convocamos concurso público para aumentar o número de policiais civis na área. Estamos entregando viaturas, é o que podemos fazer”, afirmou. O governador Alcides Rodrigues foi procurado pela reportagem, mas assessores próximos informaram que ele estava em compromissos particulares na tarde de ontem.

O defensor-geral da União, Eduardo Flores Vieira, informou ontem que deseja iniciar a série de entrevistas com autoridades municipais e população na próxima semana para colher informações sobre a real situação da criminalidade e falta de segurança nos municípios do Entorno. O presidente da Seccional da OAB-GO em Luziânia, Francisco Carlos Dantas, afirmou que as reportagens do Correio estão incentivando a população a reclamar por seus direitos. “São coisas que fazem parte do nosso cotidiano e que já estávamos fartos de reclamar. As reportagens nos dão novo fôlego”, afirmou ele que, na tarde de ontem, preparava um ofício a ser encaminhado à Secretaria de Segurança Pública de Goiás.

A reclamação da OAB era por uma delegacia de Polícia no centro da cidade, onde a população possa registrar ocorrências. “Você acredita que para registrar uma queixa a gente tem de ir até o Ciops, que fica na BR?”, disse, em tom indignado, referindo-se aos centros integrados de segurança. O advogado denunciou ainda a falta de policiais, delegados e viaturas na região. “Estamos acostumados com o abandono. Precisamos de mudanças com urgência.”

Força Nacional de Segurança Pública
Modelo inspirado na ONU

A Força Nacional de Segurança é um grupo de policiais de elite inspirado nas Forças de Paz da Organização das Nações Unidas. Criada em agosto de 2004, ela pode ser chamada para atuar em qualquer parte do território nacional sempre que há situações de crise, calamidade ou eventos que exijam reforço na segurança — como ocorreu nos Jogos Pan- Americanos do Rio de Janeiro.

A formação desse grupo de elite contou com participação de profissionais de todos os estados da federação. Hoje, há pelo menos 2,5 mil policiais prontos para agir como membros da Força Nacional de Segurança. Da Polícia Militar do DF, pelo menos 100 já foram treinados. A Força só atua quando um dos governadores pede a sua ajuda. Somente eles podem requisitar esse tipo de auxílio. Os profissionais então são transferidos para a área em questão e trabalham sob as ordens da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Terminada a missão, eles voltam para suas corporações de origem. A primeira vez que o grupo entrou em ação foi em 2004, quando ajudou a policiar os terminais rodoviários do Espírito Santo para coibir ataques a ônibus, durante uma greve do setor de transportes. (EM)

 

   
   
   
   
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