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DEFESA@NET 26 Agosto 2008
O Liberal 22 Agosto 2008
- Belém - PA

Guerra Irregular Moderna

Grupo planeja a ocupação de ferrovia
Estrada de ferro usada pela Vale deve ser alvo de movimento social

DEFESA@NET

Invasões de sem-terra passam de 7.500 em 19 anos, aponta estudo
http://www.defesanet.com.br/br/fi_6.htm

Ocupações vão continuar, garante Stédile
http://www.defesanet.com.br/br/fi_7.htm

Já está marcada a sétima ocupação da Estrada de Ferro de Carajás, que liga o Estado do Pará ao Maranhão e é operada pela mineradora Vale. A ferrovia é responsável por movimentar 22 milhões de dólares na balança comercial brasileira com o escoamento do minério de ferro e a próxima paralisação dela está programada para outubro, devendo reter as atividades da multinacional por, no mínimo, dez dias. A novidade é que a ação não será liderada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) mas sim por diversas entidades e movimentos sociais. Eles já se articulam para pôr em prática o plano 'Justiça nos Trilhos', uma ação orquestrada contra à extração mineral no Pará. Os líderes do grupo de bloqueadores estão no 'Comitê Dorothy Stang' e foram definidos em reunião dentro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na manhã de ontem.

A informação é de uma fonte de O LIBERAL que esteve presente no encontro do movimento 'Justiça nos Trilhos', que prefere não se identificar. O grupo prevê um seminário sobre a estrada de ferro que vai preparar para os debates do Fórum Social Mundial, evento agendado para janeiro de 2009, em Belém. A interrupção da via é o aperitivo do que deve ocorrer no Fórum Social, com discussões e uma série de protestos contestando a relação da mineradora com as populações das cidades em que a empresa mantém projetos.

As lideranças da próxima interrupção da ferrovia estão com a incumbência de mobilizar as comunidades da área de influência da estrada de ferro sobre a 'justiça social e cuidado com o meio ambiente'. Os membros do Comitê Dorothy Stang têm a missão de manter a campanha até início de outubro deste ano, depois avaliar a conjuntura e, conforme for, iniciar a primeira interrupção dos serviços da via por um período de dez dias. Ficou dito no encontro que o MST está afastado da linha de frente devido ao desgaste junto à opinião pública depois das sucessivas intervenção na estrada que serve à mineradora.

A fonte conta ainda que as comunidades já estão sendo mobilizadas através de 'vasto material impressso', no território paraense e também no Maranhão. Outra estratégia nova do bloqueio anunciado é não concentrar os manifestantes em um único lugar. Foi determinado que, no mínimo, duas frentes de homens e mulheres se coloquem nos trilhos para impedir a passagem dos vagões da Vale, que transportam minério e passageiros. A proposta é bloquear parte da estrada no Pará e outro trecho situado em terras maranhenses.

AMEAÇA CONSTANTE

A Estrada de Ferro Carajás já sofreu seis ocupações e cinco bloqueios. Veja abaixo:

13 de maio de 2008: Um grupo ocupou a Estrada de Ferro Carajás, no mesmo local da última ocupação, ocorrida durante o 'Abril Vermelho' promovido pelo MST. Dois empregados da Vale foram feitos reféns.

9 de maio de 2008: O transporte da Estrada de Ferro Carajás foi interrompido à altura do quilômetro 842 . A ferrovia foi liberada no mesmo dia.

17 de abril de 2008: Cerca de 600 militantes do MST e do Movimento dos Trabalhadores da Mineração (MTM) ocuparam os trilhos por sete horas.

7 de novembro de 2007: O MST interrompe o transporte de minério e de passageiro. Pessoas encapuzadas tentaram quebrar os vidros das janelas da locomotiva, em Parauapebas.

17 de outubro de 2007: O MST ocupa pela segunda vez a Estrada de Ferro Carajás. Cerca de 300 pessoas ocuparam os trilhos da ferrovia, em Parauapebas.

8 de outubro de 2007: O MST ocupou a ferrovia, à altura do distrito de Vila dos Palmares II, em Parauapebas (PA). Eles não conseguiram paralisar os trens, mas ficaram acampados próximo à ferrovia.

Mobilização de comunidades começa
com distribuição de panfletos

A ação contra a empresa mineradora deve ter financiamento nacional e internacional e a fonte conta que já estão alocados recursos para a primeira ação, ou seja, já existe o dinheiro para paralisar a estrada e realizar o seminário sobre os trilhos. A divulgação da idéia já está circulando em panfletos nas cidades em que a Vale tem base no processo de industrialização dos minérios.

Estiveram presentes na reunião os padre Enrique Bayo, um dos delegados do Congo; os padres Gustavo Covarrubias, Raimundo Nonato e Dario Bossi, da coodenação do Fórum Comboiano; a irmã Henriqueta Cavalcante, da Comissão de Justiça e Paz da CNBB; representantes da coordenação do Fórum Social Mundial e do movimento 'Reage São Luís'; dos Sindicatos dos Metalúrgicos da Itália, dos Ferroviários do Pará, Maranhão e Tocantins e Maranhense dos Direitos Humanos; da Central Única dos Trabalhadores do Maranhão; do Fórum Carajás; além de lideranças do MST e da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos.

Segundo a Vale, a última interdição da ferrovia, ocorrida em 13 maio deste ano, resultou no seguinte: destruição de 1.200 grampos que fixam os trilhos ao solo, em mais de 200 metros de extensão; cabos de fibra ótica cortados e interrupção da comunicação via celular de Carajás, danos a mais de 300 dormentes com fogo e comprometimento da sustentação da linha da estrada de ferro. Pela estrada, são transportadas 1.300 pessoas por dia, vindo dos 23 municípios ao longo da via, entre o Maranhão e o Pará. No primeiro dia do bloqueio mais recente, deixaram de ser transportadas 285 mil toneladas de minério de ferro. Na ocasião, a mineradora apontou que a paralisação representou uma perda aproximada de 22 milhões de dólares por dia para a balança comercial brasileira.

Defesa @ Net - Recomendamos a leitura das matérias:

Coronel Mendes defende ações da BM diante de comissão do Senado - Comandante-geral garante que a corporação agiu dentro da lei
http://www.defesanet.com.br/br/fi_5.htm

(ver matéria sobre a Posse do Comandante da BM)


Manobra Estratégica no Sul MST x ?
http://www.defesanet.com.br/br/fi.htm

A fazenda na mira do MST Parte 1 Parte 2
Grupo de elite do MST prepara as invasões no RS
http://www.defesanet.com.br/br/fi_3.htm

   
   
   
XX

 

 

 

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