| Guerra
Irregular Moderna
Coronel Mendes
defende ações da BM
diante de comissão do Senado
Comandante-geral garante que a corporação
agiu dentro da lei
(ver matéria sobre a Posse
do Comandante da BM)
Humberto Trezzi
No dia da posse no Comando-geral
da Brigada Militar, o coronel Paulo Roberto Mendes
ganhou um presente de grego. Foi obrigado a explicar
a senadores episódios de violência
envolvendo a BM e manifestantes de rua. Terminou
o dia com seus subordinados cobrando a presença
dos senadores quando PMs são vítimas.
E recebeu apoio de promotores e de uma juíza
na ação contra invasões de
terra.
O secretário da Segurança
Pública, José Francisco Mallmann,
garantiu aos políticos que os excessos dos
PMs serão punidos "como sempre foram".
Do procurador-geral de Justiça, Mauro Renner,
ouviram que a instituição não
pedirá a decretação da ilegalidade
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST).

Na primeira fila Senadores Paulo Paim (PT-RS), Flávio
Arns (PT-PR) e José Nery (PSOL-PA),
mais deputados estaduais do PT e PC do B. (foto
Zero Hora)
A comitiva de três integrantes
da Comissão de Direitos Humanos do Senado
veio a convite de parlamentares de esquerda para
verificar se a BM se excede na repressão
aos movimentos.
Só compareceram senadores
de oposição ao governo Yeda. Vieram
Paulo Paim (PT-RS), Flávio Arns (PT-PR) e
José Nery (PSOL-PA). Deixaram de vir, sem
maiores explicações, os senadores
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) e Romeu
Tuma (PTB-SP).
Pressão pela demissão
antes mesmo
da posse
Em Brasília, tinham sido
municiados por parlamentares gaúchos com
CDs e fitas de vídeo que mostram ações
da BM. As imagens foram exibidas pela manhã,
na Assembléia, em audiência dos políticos
com representantes de sindicatos e dos sem-terra.
Mendes é considerado inimigo
pelos movimentos que articularam a audiência.
Na platéia proliferavam cópias de
uma foto do comandante da BM, pintado com bigodinho
à la Hitler.
Os manifestantes sugeriram aos
senadores pressão pela demissão de
Mendes, que sequer tinha assumido.
Entre os 13 episódios exibidos,
estão três que tiveram a presença
de Mendes: repressão da BM contra militantes
do MST que tentaram invadir um supermercado em Porto
Alegre e pretendiam chegar ao Piratini, no dia 11,
balas de borracha disparadas pela BM em Passo Fundo
contra militantes do Movimento dos Pequenos Agricultores
que invadiram a empresa Bunge e, em 6 de março,
confronto de PMs com mulheres ligadas ao MST que
invadiram uma área reflorestada da Stora
Enso, em Rosário do Sul.
Paim concluiu que "há excesso de violência
da BM contra os manifestantes gaúchos".No
primeiro round do dia, o coronel foi pintado como
algoz da livre expressão.
A virada de jogo no Quartel-general
da BM
À tarde, o coronel Paulo
Mendes iniciou uma contra-ofensiva. Convidou para
o debate com os senadores um grupo de promotores
e uma juíza que se afinam com as ações
da BM. O encontro aconteceu no Quartel-general da
Brigada Militar, na Rua da Praia.
Mendes determinou que fossem exibidas
num telão fotos e vídeos de ações
da BM envolvendo o MST e sindicatos. Mostrou aos
senadores fotografias de vandalismo praticado por
sem-terras durante invasão na Fazenda Southall,
em São Gabriel. Comentou cenas em que militantes
do MST jogam pedras e coquetéis molotov contra
PMs e queimaram plantações.
Na platéia, 30 coronéis
e tenentes-coronéis da BM balançavam
a cabeça em aprovação a cada
cena mostrada e comentário desferido pelo
chefe.
De questionadores, os senadores
passaram a ser questionados. Mas o apoio mais inflamado
veio de integrantes do Ministério Público
e do Judiciário. O promotor Luís Felipe
Tessheiner, autor da ação que resultou
no despejo dos sem-terra em Coqueiros do Sul, elogiou
a ação da BM. A procuradora da República
Patrícia Muxfeldt explicou por que move ação
com base na Lei de Segurança Nacional contra
líderes sem-terra que invadiram a fazenda
Coqueiros.
— O MST não é
um movimento pacífico, ele usa armas e táticas
de guerrilha. E desrespeita sistematicamente ordens
judiciais — justificou.
O promotor da Auditoria Militar
João Barcellos registrou que excessos da
BM serão investigados, mas ressaltou que
a ninguém é dado o direito de sair
armado com foices e facas. A seqüência
de depoimentos foi completada pela juíza
militar Eliane Soares:
— Na Fazenda Coqueiros, ouvi
os sem-terra berrando "morte à BM".
E vi animais mutilados à faca. O que esses
bichos fizeram? Eles têm ideologia, merecem
morrer? Ou se trata de atemorizar o dono daquelas
terras?
Mendes recebeu tapinhas nas costas ao sair da sala.
Senadores
chegam ao Estado para apurar
denúncias de maus-tratos a militantes
Militantes reclamam da truculência
dos policias durante
as últimas manifestações pelo
Estado
A Comissão
de Direitos Humanos e Legislação Participativa
do Senado aproveitou o chamado recesso branco, que
fechará as portas do Casa durante as festividades
de São João, para visitar o Estado
e iniciar uma série de discussões
sobre supostas agressões a militantes de
movimentos sociais por parte da Brigada Militar.
O grupo, formado
pelos senadores Paulo Paim (PT), Flávio Arns
(PT) e José Nery (PSol) se reunirá
com o secretário da Segurança Pública,
José Francisco Mallmann, nesta terça-feira,
na Assembléia Legislativa.
No encontro serão
discutidos as ações da Brigada Militar
nos recentes conflitos com manifestantes de movimentos
sociais. Militantes reclamam da truculência
dos policias durante os atos públicos, fato
que será apurado pelos senadores.
Senador Paulo Paim avalia
que há excesso de
força da BM contra o MST no Estado
Secretário de Segurança garante
que, se houver denúncia, ela deve ser investigada
Léo
Saballa Jr.
O presidente da
Comissão de Direitos Humanos do Senado constatou
excesso de força da Brigada Militar (BM)
contra o MST no Rio Grande do Sul. A avaliação
foi feita pelo senador Paulo Paim (PT-RS), após
o dia de reuniões que teve no Estado com
integrantes dos sem-terra, da BM, da Secretaria
e Ouvidoria da Segurança Pública,
além do Ministério Público.
O Ouvidor da Segurança
Pública, Adão Paiani, reagiu com surpresa
e avaliou como precipitada a declaração
do senador Paim. O secretário de Segurança,
José Francisco Mallmann, afirma que, se há
algum excesso, o assunto é encaminhado imediatamente
à Corregedoria da BM. Mallmann garante que,
se houver denúncia, ela deve ser investigada.
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