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Defesa@Net 29 Junho 2009

Front Interno - Ataque Continuado às PMs
Presidente Luiz Inácio ataca de forma inusitada a
Força Policial do Rio Grande do Sul.

Ao discursar na cerimônia de implantação do Território de Paz na Vila Bom Jesus, em Porto Alegre, no dia de sexta-feira (26JUN09), o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva empregou termos e uma postura que não foi usada nas inaugurações dos Territórios da Paz precedentes (Recife-PE, 02DEZ08, Santa Marta-Rio de Janeiro-RJ, 03FEV09 , Vitória-ES, 06MAR09).

Os Territórios da Paz são parte do Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci) do Ministério da Justiça.

A postura presidencial foi a pedra de toque numa semana em que o governo articulou e executou uma de varios movimentos de ataques às Forças Policiais Brasileiras . No caso do Rio Grande do Sul soou como um apoio à candidatura do Ministro Tarso Genro ao governo do Estado do Rio Grande do Sul. Porém o ataque à Brigada Militar foi mais que um afago aos movimentos irregulares atuantes no estado, os quais têm entrado em confrontos com a PM estadual.



O primeiro ataque do dia veio do ministro da Justiça Tarso Genro: "Policial do PRONASCI não é aquele que entra, bate e sai. É o policial treinado para proteger a comunidade. Vocês vão conhecê-los. Eles viverão com vocês na comunidade."

Seguiu-se então o presidente Luiz Inácio que incrementou e sofisticou os ataques à Força Policial e explicitou o apoio ao Ministro da Justiça:

“Eu quero, primeiro, reconhecer o trabalho extraordinário que o ministro Tarso Genro está fazendo junto com a sua equipe. O dia em que o Tarso pediu uma audiência comigo e foi no meu gabinete e me apresentou o PRONAF, eu fiquei com a convicção de que a gente estava construindo um programa que talvez pudesse resolver o problema da violência na periferia deste país, nos bairros mais pobres, onde cresce mais a criminalidade.”

Seguem trechos do discurso de Luiz Inácio proferidas na Vila Bom Jesus:

“Porque esse bairro... Esse programa do Tarso Genro, do Ministério da Justiça e do governo, ele não é aquele programa que vai fazer com que seis horas da manhã, ou meia-noite, entrem aqui 200 ou 300 policiais armados, atirando para tudo quanto é lado, às vezes matando inocente e deixando os culpados, às vezes, escondidos no outro lugar. Esse programa não tem a preocupação apenas da repressão. A repressão será necessária se a gente se confrontar com bandidos que queiram praticar violência. Mas a polícia que vai atuar aqui na comunidade é uma polícia que vai estabelecer uma convivência com vocês. Quando vocês virem um soldado, ele não é um inimigo, ele é um amigo que vai trabalhar junto com vocês para diminuir a violência aqui neste bairro.”

Outro ataque segue-se este mais profundo:

“É por isso... Eu sei que é difícil a comunidade acreditar, eu sei que é difícil porque ao longo dos anos a comunidade só viu polícia aqui para atirar ou para bater. Agora vai ser diferente. É por isso que o Ministério da Justiça estabeleceu uma bolsa para os soldados, vai formar esses soldados em outra concepção: ele vai ser o mesmo soldado preparado para trabalhar com a comunidade. Quando o soldado vem de fora, à noite aqui, qualquer um que ele vê é bandido, qualquer um que ele vê, ele bate, sobretudo se a pessoa for negra, sobretudo se a pessoa for negra. Nós sabemos que é assim. “

E depois segue o arremate político:

“É por isso que nós queremos mudar, e é por isso que estamos investindo na formação profissional do soldado. Além de aprender a utilizar um cassetete, um revólver, ele vai aprender a utilizar a educação para tratar com as pessoas. E eu tenho certeza que nós iremos criar soldados de primeira qualidade, que serão amigos de vocês. Agora, que não daremos moleza para quem já estiver na criminalidade, tentando cooptar jovens, tentando contrabandear drogas, aí não vai ter moleza, porque nós queremos é proteger os homens e as mulheres de bem deste bairro, nós queremos proteger jovens de bem deste bairro. Aqueles que tiverem já cometido um delito, nós queremos também cuidar dele de forma diferente. Não queremos prender um jovem, trancar em uma cela para bater nele todos os dias. Nós queremos pegar esse jovem, reeducá-lo para devolvê-lo à sociedade como cidadão ou como cidadã.”

“O número que o Tarso Genro falou é muito significativo, Tarso. Eu fui a Santo Amaro, em Pernambuco lançar o PRONASCI. Não faz um ano ainda, faz um ano. Ou seja, pelas estatísticas, já diminui 74% a violência naquele bairro. Então, é importante vocês fiscalizarem, constituírem conselho comunitário para acompanhar o Programa. As Mães da Paz é uma invenção extraordinária, porque são as primeiras que terão contato com as crianças em situação de risco, para que a gente possa recuperar essas crianças. Mas o maior sinal que a gente está dando não é nem as obras que a gente está fazendo, é a presença da prefeitura aqui, é a presença do estado aqui, e é a presença da União aqui. Quando o povo perceber que o poder público está no seu bairro cuidando da educação, cuidando da saúde, cuidando da segurança, cuidando do esporte, cuidando do lazer, cuidando da cultura, o povo começa a acreditar no Estado e não vai acreditar no primeiro bandido que vai dar R$ 10 para cooptar um jovem para o crime organizado ou para o tráfico.”

Enfim uma semana para entrar na história das Forças de Segurança Brasileiras, que aliado ao que aconteceu no Rio de Janeiro com a "unificação das Polícias" pelo Governador Sergio Cabral e a postura presidencial indicam um caminho tumultado pela frente.

Defesa@Net

Presidente Luiz Inácio ataca de forma inusitada a Força Policial do Rio Grande do Sul - Defesa@Net
http://www.defesanet.com.br/br/fi_25.htm


Território de Paz chega a comunidades de Porto Alegre - Ministério da Justiça
http://www.defesanet.com.br/br/fi_26.htm

Legislativo estadual recebe proposta de extinção da Justiça Militar
http://www.defesanet.com.br/br/fi_24.htm

Ministro oferece Força Nacional contra milícia
- O Globo
http://www.defesanet.com.br/br/fi_27.htm

Cabral ''unifica'' polícias e cria metas e bônus salarial - OESP

http://www.defesanet.com.br/br/fi_28.htm

A Justiça Militar é indispensável- Presidente do Tribunal Militar do Rio Grande do Sul mostra porque a proposta de extinção é um perigoso equívoco.- Defesa@Net
http://www.defesanet.com.br/0903_rfbr/18037.htm

A Justiça Militar e a sua importância na manutenção da disciplina profissional e moralidade dos integrantes das polícias militares
http://www.defesanet.com.br/0903_rfbr/03004.htm

Justiça Militar: Corporativa ou Rigorosa?
http://www.defesanet.com.br/mout1/pm_tj.htm

Resposta do TJM/RS às manifestações contra a Justiça Militar
http://www.defesanet.com.br/docs1/justica_militar_rs.pdf


     
 
 
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