Front
Interno - Ataque Continuado às PMs
Presidente
Luiz Inácio ataca de forma inusitada a
Força Policial do Rio Grande do Sul.
Ao
discursar na cerimônia de implantação
do Território de Paz na Vila
Bom Jesus, em Porto Alegre, no dia de sexta-feira
(26JUN09), o Presidente da República, Luiz
Inácio Lula da Silva empregou termos
e uma postura que não foi usada nas inaugurações
dos Territórios da Paz precedentes
(Recife-PE, 02DEZ08, Santa Marta-Rio de Janeiro-RJ,
03FEV09 , Vitória-ES, 06MAR09).
Os Territórios da Paz são
parte do Programa Nacional de Segurança
Pública e Cidadania (Pronasci) do
Ministério da Justiça.
A postura presidencial foi a pedra de toque numa semana
em que o governo articulou e executou uma de varios
movimentos de ataques às Forças Policiais
Brasileiras . No caso do Rio Grande do Sul soou como
um apoio à candidatura do Ministro Tarso Genro
ao governo do Estado do Rio Grande do Sul. Porém
o ataque à Brigada Militar foi mais que um
afago aos movimentos irregulares atuantes no estado,
os quais têm entrado em confrontos com a PM
estadual.

O primeiro ataque do dia veio do ministro da Justiça
Tarso Genro: "Policial do PRONASCI não
é aquele que entra, bate e sai. É o
policial treinado para proteger a comunidade. Vocês
vão conhecê-los. Eles viverão
com vocês na comunidade."
Seguiu-se então o presidente Luiz Inácio
que incrementou e sofisticou os ataques à Força
Policial e explicitou o apoio ao Ministro da Justiça:
“Eu
quero, primeiro, reconhecer o trabalho extraordinário
que o ministro Tarso Genro está fazendo junto
com a sua equipe. O dia em que o Tarso pediu uma audiência
comigo e foi no meu gabinete e me apresentou o PRONAF,
eu fiquei com a convicção de que a gente
estava construindo um programa que talvez pudesse
resolver o problema da violência na periferia
deste país, nos bairros mais pobres, onde cresce
mais a criminalidade.”
Seguem
trechos do discurso de Luiz Inácio proferidas
na Vila Bom Jesus:
“Porque esse bairro... Esse programa do Tarso
Genro, do Ministério da Justiça e do
governo, ele não é aquele programa que
vai fazer com que seis horas da manhã, ou meia-noite,
entrem aqui 200 ou 300 policiais armados, atirando
para tudo quanto é lado, às vezes matando
inocente e deixando os culpados, às vezes,
escondidos no outro lugar. Esse programa não
tem a preocupação apenas da repressão.
A repressão será necessária se
a gente se confrontar com bandidos que queiram praticar
violência. Mas a polícia que vai atuar
aqui na comunidade é uma polícia que
vai estabelecer uma convivência com vocês.
Quando vocês virem um soldado, ele não
é um inimigo, ele é um amigo que vai
trabalhar junto com vocês para diminuir a violência
aqui neste bairro.”
Outro
ataque segue-se este mais profundo:
“É
por isso... Eu sei que é difícil a comunidade
acreditar, eu sei que é difícil porque
ao longo dos anos a comunidade só viu polícia
aqui para atirar ou para bater. Agora vai ser diferente.
É por isso que o Ministério da Justiça
estabeleceu uma bolsa para os soldados, vai formar
esses soldados em outra concepção: ele
vai ser o mesmo soldado preparado para trabalhar com
a comunidade. Quando o soldado vem de fora, à
noite aqui, qualquer um que ele vê é
bandido, qualquer um que ele vê, ele bate, sobretudo
se a pessoa for negra, sobretudo se a pessoa for negra.
Nós sabemos que é assim. “
E
depois segue o arremate político:
“É
por isso que nós queremos mudar, e é
por isso que estamos investindo na formação
profissional do soldado. Além de aprender a
utilizar um cassetete, um revólver, ele vai
aprender a utilizar a educação para
tratar com as pessoas. E eu tenho certeza que nós
iremos criar soldados de primeira qualidade, que serão
amigos de vocês. Agora, que não daremos
moleza para quem já estiver na criminalidade,
tentando cooptar jovens, tentando contrabandear drogas,
aí não vai ter moleza, porque nós
queremos é proteger os homens e as mulheres
de bem deste bairro, nós queremos proteger
jovens de bem deste bairro. Aqueles que tiverem já
cometido um delito, nós queremos também
cuidar dele de forma diferente. Não queremos
prender um jovem, trancar em uma cela para bater nele
todos os dias. Nós queremos pegar esse jovem,
reeducá-lo para devolvê-lo à sociedade
como cidadão ou como cidadã.”
“O
número que o Tarso Genro falou é muito
significativo, Tarso. Eu fui a Santo Amaro, em Pernambuco
lançar o PRONASCI. Não faz um ano ainda,
faz um ano. Ou seja, pelas estatísticas, já
diminui 74% a violência naquele bairro. Então,
é importante vocês fiscalizarem, constituírem
conselho comunitário para acompanhar o Programa.
As Mães da Paz é uma invenção
extraordinária, porque são as primeiras
que terão contato com as crianças em
situação de risco, para que a gente
possa recuperar essas crianças. Mas o maior
sinal que a gente está dando não é
nem as obras que a gente está fazendo, é
a presença da prefeitura aqui, é a presença
do estado aqui, e é a presença da União
aqui. Quando o povo perceber que o poder público
está no seu bairro cuidando da educação,
cuidando da saúde, cuidando da segurança,
cuidando do esporte, cuidando do lazer, cuidando da
cultura, o povo começa a acreditar no Estado
e não vai acreditar no primeiro bandido que
vai dar R$ 10 para cooptar um jovem para o crime organizado
ou para o tráfico.”

Enfim
uma semana para entrar na história das Forças
de Segurança Brasileiras, que aliado ao que
aconteceu no Rio de Janeiro com a "unificação
das Polícias" pelo Governador Sergio Cabral
e a postura presidencial indicam um caminho tumultado
pela frente.