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Brasil adota
tom mais duro e adia missão ao Equador
Daniel
Rittner e
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
A escalada de ameaças do governo
equatoriano a empresas brasileiras irritou o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e o Itamaraty,
que decidiram aumentar o tom da reação.
Por orientação direta de Lula, foi
cancelada uma missão brasileira sob comando
do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento,
que discutiria o apoio a obras de infra-estrutura
viária no Equador. A missão, agendada
para o dia 15, não tem mais data para ocorrer.
O embaixador do
Brasil em Quito, Antonino Marques Porto, entrou
em contato com a chanceler equatoriana, María
Isabel Salvador, e disse que os "últimos
desdobramentos" envolvendo Odebrecht e Petrobras
"contrastam com as expectativas de uma solução
favorável" surgidas no encontro entre
Lula e o presidente Rafael Correa, em Manaus, na
semana passada. Na ocasião (bem como dias
antes, rapidamente e de forma paralela à
Assembléia Geral da ONU, em Nova York), Correa
havia sinalizado claramente a Lula disposição
de conversar com o presidente brasileiro antes de
tomar medidas mais severas ou de endurecer o discurso,
segundo fontes diplomáticas.
Como sua atitude
foi diferente, o governo brasileiro avaliou que
não havia outra saída. Isso não
significa, para o Itamaraty e para o Palácio
do Planalto, que desta vez tenha havido mais ou
menos pragmatismo do que em contenciosos anteriores,
com a Bolívia ou com o Paraguai e mesmo com
a Venezuela. As críticas de Hugo Chávez
ao Senado e ao Mercosul, por exemplo, sempre foram
vistas como mero exercício retórico.
A cautela adotada nos episódios da Bolívia
e do Paraguai levou em conta não apenas a
pressão doméstica vivida por Evo Morales
e Fernando Lugo, como os próprios interesses
estratégicos do Brasil. No caso da Bolívia,
lembra uma fonte oficial, uma ruptura drástica
poderia colocar em risco o abastecimento de gás
natural; no caso do Paraguai, a controvérsia
envolve a energia elétrica de Itaipu, fundamental
para suprir o mercado brasileiro.
Em ambos os casos,
as primeiras conversas cara a cara geraram mais
entendimentos que sinais dúbios, o contrário
do que ocorre agora com Correa, avalia o Planalto.
Sem nenhum interesse
estratégico imediato em jogo no Equador,
o governo sente-se com mais margem de manobra para
reagir. O tom subiu apenas um passo, por meio de
nota oficial e não de declarações
duras de Lula ou do chanceler Celso Amorim, depois
de um período de paciência com Quito.
No início, o Itamaraty viu na pressão
sobre a Odebrecht a tentativa de Correa de criar
um fato político em pleno período
de campanha pelo "sim" à nova Constituição.
Mas a pressão não diminuiu após
o referendo, e aumentaram as ameaças de expulsão
da Odebrecht e da Petrobras.
O Equador acusa
a Odebrecht de falhas na construção
da hidrelétrica de San Francisco. A empreiteira
também constrói outras duas usinas,
um projeto de irrigação e um aeroporto
no país - empreendimentos que estão
no início ou em andamento. A Petrobras tem
investimentos na exploração de petróleo
e é a multinacional petrolífera com
maior dificuldade de entendimento com o governo
na renegociação de contratos que prevêem
alta devem aumentar a tributação para
até 99% dos lucros.
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