Partido
dos Trabalhadores
RESOLUÇÃO
SOBRE AS DIRETRIZES
DE PROGRAMA 2011/2014
Itálicos DefesaNet
À
sociedade brasileira, aos militantes do PT e aos
partidos que integram a coligação
que apóia a candidatura da companheira Dilma
Rousseff à Presidência da República,
o Partido dos Trabalhadores apresenta estas Diretrizes
Programáticas para o debate sobre as grandes
orientações do futuro Governo democrático
e popular.
A
Grande Transformação
1.
Há sete anos o Brasil passa por uma grande
transformação econômica, social
e política.
2.
Depois de duas décadas de estagnação
ou avanços medíocres, a economia brasileira
voltou a crescer. Mas esse crescimento obedece hoje
a uma lógica distinta daquela do passado.
Ele se faz com forte distribuição
de renda, com inédito equilíbrio macro-econômico,
com redução da vulnerabilidade externa
e, sobretudo, com fortalecimento da democracia.
Há mais de 70 anos os períodos de
expansão da economia brasileira acabaram
frustrando as expectativas da maioria da sociedade.
Ora concentravam riqueza. Ora vinham acompanhados
de surtos inflacionários. Ora produziam elevado
endividamento externo e interno. Ora sufocavam a
democracia.
3.
A partir dos anos 90 proliferaram teses conservadoras
e neoliberais que comprometeram os investimentos
produtivos, quebraram parte do parque industrial,
sucatearam a infra-estrutura física, sobretudo
energética e de transportes, debilitaram
o Estado e as empresas estatais, muitas delas privatizadas
para satisfazer preconceitos ideológicos
e/ou pagar os crescentes rombos do caixa.
4.
Esses ideólogos programaram o Brasil para
ser um país pequeno, cujo crescimento –
quando houvesse - não poderia nunca ultrapassar
os 3% e que teria de conformar-se com a existência
de 30 ou 40 milhões de homens e mulheres
para os quais não haveria espaço e
acesso às riquezas produzidas.
5.
No Governo Lula, o crescimento do PIB, a expansão
do emprego formal, os aumentos reais do salário
mínimo, as políticas de transferência
de renda, o controle da inflação,
a queda da taxa de juros, a ampliação
do crédito, as medidas para a reforma agrária
e apoio à agricultura familiar, a triplicação
do comércio exterior e a reconstrução
da infra-estrutura mudaram tudo isso.
6.
Essa mudança propiciou a formação
de um grande mercado de bens de consumo popular,
que nos protegeu dos efeitos devastadores da crise
mundial desencadeada em setembro de 2008. Proteção
reforçada pela saúde de nosso sistema
bancário, especialmente público, e
pelas reservas internacionais acumuladas.
7.
Diferentemente das crises externas anteriores –
a mexicana, a asiática e a russa -, o Brasil
pôde enfrentar com segurança os efeitos
daquele que foi qualificado como o maior cataclisma
financeiro após 1929.
8.
Na última década do século
passado, a percepção equivocada de
que o mundo vivia um “novo renascimento”
foi acompanhada de uma concepção igualmente
equivocada sobre nosso lugar no mundo. Devíamos
nos conformar a um papel secundário na cena
global, a “não pretender sermos maiores
do que somos”.
9.
O fato de havermos enfrentado com êxito o
desafio de combinar crescimento, distribuição
de renda e inclusão social, equilíbrio
macro-econômico, redução da
vulnerabilidade externa e plena vigência democrática,
explica a alta visibilidade que o Brasil passou
a ter no mundo. Para isso contribuiu também
de forma decisiva a implementação
de uma política externa ativa e altiva, que
privilegiou a América Latina e o Sul do mundo,
redefinindo soberanamente nossa relação
com os países desenvolvidos. Sempre colocamos
como prioritárias a defesa do interesse nacional
e a solidariedade com os países pobres e
em desenvolvimento.
10.
O mundo não viveu recentemente, nem vive
agora, um novo renascimento, mas um complexo período
de transição. Desenha-se uma nova
correlação de forças global.
Entendê-la, definir prioridades, estabelecer
alianças é essencial para construir
o futuro. Foi o que o atual Governo fez e o próximo
continuará fazendo.
11.
A sumária menção aos aspectos
principais da Presidência Lula é fundamental
para a formulação dos grandes objetivos
que devem marcar o Governo Dilma.
12.
Ao contrário daquela que Lula recebeu, a
herança a ser transmitida à próxima
presidenta será bendita. Essa herança
oferece as bases para a formulação
das propostas do Programa de Governo 2010. O que
até agora foi feito dá credibilidade
e garantia às Diretrizes que agora apresentamos.
13.
Em meio a condições difíceis,
o Governo Lula realizou uma exitosa transição
entre um Brasil paralisado e descrente de si mesmo,
para um novo país com forte auto-estima e
admirado pelo mundo.
14.
A transição realizada pela gestão
Lula teve como forte componente o papel do governo
federal na superação das desigualdades
raciais, fortalecendo a auto-estima e a identidade
dos negros e negras, incluindo-os no processo produtivo
com a ampliação do acesso –
ao trabalho, renda e consumo; as universidades públicas
e privadas; a regularização das terras
de quilombos; a segurança pública;
a saúde; a alimentação entre
outros. No campo das políticas públicas,
a implementação das ações
afirmativas propiciaram oportunidades a esse segmento
que foi esquecido desde a época da abolição
da escravidão.
15.
O sucesso alcançado por Lula permitirá
que o futuro Governo seja não somente uma
continuidade do até agora realizado.
16.
O Governo Lula criou as condições
para um Projeto de Desenvolvimento Nacional Democrático
Popular, sustentável e de longo prazo para
o país.
17.
O Brasil deixou de ser o eterno país do futuro.
18.
O futuro chegou. E o pós-Lula é Dilma.
O
crescimento acelerado e o combate às desigualdades
raciais, sociais e regionais e a promoção
da sustentabilidade ambiental serão o eixo
que vai estruturar o desenvolvimento econômico.
19.
A expansão e o fortalecimento do mercado
de bens de consumo popular, que produziu forte impacto
positivo sobre o conjunto do setor produtivo, se
dará por meio da:
a)
preservação da estabilidade econômica,
elevação dos investimentos e aumento
da produtividade sistêmica, via desenvolvimento
da infra-estrutura logística, energética
e de comunicações;
b)
fortalecimento dos processos de produção,
visando aumentar a competitividade nacional e agregar
mais valor às exportações;
c)
ampliação do emprego formal;
d)
manutenção da política de valorização
do salário mínimo;
e)
crescimento da renda dos trabalhadores, não
só pelos aumentos salariais, mas por eficientes
políticas públicas de educação,
saúde, transporte, habitação
e saneamento;
f)
aprimoramento permanente dos programas de transferência
de renda, como o Bolsa Família, para erradicar
a fome e a pobreza, facilitar o acesso de homens
e mulheres ao emprego, formação, saúde
e melhor renda;
g)
transição do Bolsa família
para a Renda Básica de Cidadania –
RBC, incondicional, como um direito de todos participarem
da riqueza da nação, conforme prevista
na Lei 10.853/2004, de iniciativa do PT, aprovada
por todos os partidos no Congresso Nacional e sancionada
pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
em 8 de janeiro de 2004;
h)
expansão do programa Territórios da
Cidadania;
i)
reforma tributária que reduza os impostos
indiretos, desonere os alimentos básicos
e os bens e serviços ambientais, dê
continuidade aos avanços obtidos na progressividade,
valorizando a tributação direta, especialmente
sobre as grandes fortunas. Deve também estimular
a produção e racionalizar o sistema
de impostos, favoreça a produção
e racionalize o sistema de impostos;
j)
intensificação dos esforços
para ampliar a inclusão previdenciária
e o fortalecimento do trabalho formal, dando prosseguimento
à desburocratização, à
melhoria do atendimento aos aposentados e pensionistas
e ao reforço da previdência pública;
k)
expansão e facilitação do crédito
popular, especialmente para os segmentos de baixa
renda;
l)
intensificação dos assentamentos e
apoio técnico aos trabalhadores sem terra;
m)
continuar, intensificar e aprimorar a reforma agrária
de modo a dar centralidade ao programa na estratégia
de desenvolvimento sustentável do país,
com a garantia do cumprimento integral da função
social da propriedade, da atualização
dos índices de produtividade, do controle
do acesso à terra por estrangeiros, da revogação
dos atos do governo FHC que criminalizaram os movimentos
sociais e com a eliminação dos juros
compensatórios nas desapropriações
e das políticas complementares de acesso
à terra, entre outras medidas, implementação
de medida prevista no PNDH-3, de realização
de audiência pública previa ao julgamento
de liminar de reintegração de posse;
n)
fortalecer a política integrada e diferenciada
para o desenvolvimento sócio-economico e
cultural dos assentamentos;
o)
continuar e aprimorar as políticas de fortalecimento
da agricultura familiar e da agroindústria
familiar e instituir vigoroso programa de produção
agro-ecológica;
p)
compromisso com a defesa da jornada de trabalho
de 40 horas semanais, sem redução
de salários.
q)
implementação da Consolidação
das Leis Sociais, cujo projeto será submetido
ao Congresso Nacional, a fim de transformar em política
de Estado as conquistas da sociedade brasileira
nestes últimos anos;
r)
estímulo ao cooperativismo e outras formas
de economia solidária, fortalecendo o papel
da economia solidária nos programas de ação
do governo;
s)
fortalecer política de incentivo ao cooperativismo
de agricultura familiar e economia solidária
como uma estratégia de desenvolvimento sustentável
do país, redução da pobreza
e geração de renda;
t)
ampliar as Políticas de Promoção
da Igualdade Racial com o fortalecimento das ações
afirmativas realizadas pela SEPPIR, Fundação
Palmares e SECAD, incrementando suas estruturas
do ponto de vista técnico, político,
institucional, orçamentário e financeiro.
Deve-se, também, reafirmar a transversalidade
dos programas voltados aos quilombos, a comunidades
de terreiros, aos indígenas e ciganos, destacando
os jovens e mulheres negras.
Investimentos,
crédito, ciência e inovação
tecnológica
a serviço de um novo desenvolvimento
20.
As possibilidades abertas para a sociedade com os
grandes avanços científicos e tecnológicos,
combinadas com a necessidade de expansão
do mercado interno e a dura competitividade global,
que a crise acentuou, exigem uma profunda transformação
do sistema produtivo. Essa mudança já
foi iniciada em muitos setores. Deve prosseguir
a abordagem sistêmica, indutora e focada nas
demandas das cadeias produtivas nacionais e do consumo.
É necessário ampliar a articulação
entre os diversos planos de desenvolvimento, como
os PAC 1 e 2, com outros planos setoriais e das
empresas estatais.
21.
Para tanto, será necessário:
a)
aprofundamento das políticas creditícias
para o setor produtivo por parte do BNDES, Banco
do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNB e
BASA. Os bancos devem orientar-se para a produção
e o consumo, a custos cada vez menores, de modo
a promover o emprego e a renda em um quadro de estabilidade
monetária;
b)
apoio à internacionalização
das empresas brasileiras, garantido o interesse
nacional e respeitada a soberania e as leis das
nações;
c)
fortalecimento da EMBRAPA, priorizando a agricultura
familiar e as suas atividades para estratégias
da soberania alimentar e nutricional do país
e para a cooperação cientifica no
campo das pesquisas agropecuárias com os
países em desenvolvimento;
d)
flexibilização da proteção
a direitos relativos à propriedade intelectual
sobre cultivares ou variedades vegetais no âmbito
de programas públicos direcionados à
segurança alimentar e nutricional da população
brasileira;
e)
revisão dos procedimentos, composição
e alvos estratégicos da CTNBio visando a
dar efetividade ao princípio da precaução;
f)
fortalecimento da Agência Brasileira de Desenvolvimento
Industrial para que desempenhe, no setor industrial,
papel semelhante ao da EMBRAPA no campo;
g)
fortalecimento da APEx;
h)
ampliação da inclusão digital,
banda larga acessível a setores populares
e difusão dos avanços científicos
e tecnológicos;
i)
articulação dos Ministérios
de Ciência e Tecnologia, Educação,
MDIC, Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento
Agrário, Aquicultura e Pesca, Universidades
e Institutos científicos com setores empresariais
para, por meio da FINEP e de outras instituições,
implementar e aprofundar políticas industriais
e agrícolas que dêem ênfase à
inovação nas pequenas e médias
empresas, nas iniciativas de economia solidária
e em empreendimentos agroindustriais combinados
com ações de reforma agrária;
j)
fortalecimento do Ministério Desenvolvimento
Agrário – MDA, como estratégia
de Desenvolvimento Rural Sustentável.
k)
ampliação da desconcentração
do sistema de ciência e tecnologia no território
nacional;
l)
exercício do poder de compra do Estado para
a indução da demanda nacional de ciência,
tecnologia e inovação;
m)
implantação de projetos de desenvolvimento
científico e tecnológico com países
desenvolvidos e com os da América do Sul,
África e outras regiões, a exemplo
do que foi feito com a TV Digital e do que vem sendo
proposto na área de Defesa;
n)
construção de mecanismos para que
os investimentos estrangeiros sejam vinculados à
efetiva e inovadora transferência de tecnologia
e possam promover a atração de centros
internacionais de pesquisa e desenvolvimento para
o Brasil.
Infra-estrutura
para impulsionar o desenvolvimento
agrícola, industrial e comercial do país
22.
A elevação das taxas de crescimento,
que deverá marcar o Governo Dilma, exigirá
a conclusão das obras do Plano de Aceleração
do Crescimento. O PAC-1 e o que estará no
PAC-2 acentuarão a competitividade da economia
brasileira mas, sobretudo, propiciarão consideráveis
melhorias das condições de vida dos
brasileiros.
Ênfase especial será dada na:
a)
construção de novas hidrelétricas
para fazer frente aos desafios da aceleração
do crescimento, nos marcos de uma política
energética baseada em fontes renováveis
e com respeito ao meio ambiente;
b)
desenvolvimento de novos pólos de energia
eólica e solar;
c)
exploração dos recursos do Pré-Sal,
que fortalecerão a auto-suficiência
do país em hidro-carbonetos, dando continuidade
à crescente nacionalização
da exploração e da produção;
d)
criação, a partir do Pré-Sal,
de uma poderosa indústria de derivados. A
agregação de valor ao petróleo
e ao gás do Pré-Sal e a constituição
de um Fundo para apoiar políticas sociais,
educacionais, científico-tecnológicas
e culturais é garantia contra a “maldição
do petróleo”;
e)
continuidade da reconstrução e ampliação
da rede ferroviária, rodoviária e
da navegação costeira, melhorando
as condições de vida da população
e agilizando a circulação da produção;
f)
ampliação das redes de silos e armazéns,
que garanta a segurança alimentar da população
e favoreça as exportações;
g)
conclusão das obras do Projeto São
Francisco e de trabalhos complementares que permitam
a recuperação do rio e de seus afluentes,
a irrigação de terras, o abastecimento
de água potável, para favorecer a
reforma agrária e as iniciativas de economia
solidária;
h)
ampliação de portos e aeroportos,
para atender às exportações
e, sobretudo, aos desafios da realização
da Copa do Mundo de Futebol e dos jogos Olímpicos
e do crescimento exponencial do turismo nacional
e internacional.
Melhor
condição de vida nas cidades brasileiras
23.
O governo Lula avançou de maneira extraordinária
na relação com os municípios
brasileiros, seja pela criação do
Ministério das Cidades, seja pela atuação
da Secretaria de Assuntos Federativos. O PAC-1 e,
especialmente, o PAC-2, dão importância
às questões urbanas. Esse é
também o objetivo do programa Minha Casa,
Minha Vida. É fundamental ampliar a ação
do governo federal, em parceria com estados e municípios,
no combate à degradação acentuada
das condições de vida nas cidades
brasileiras, sobretudo naquelas de grande porte.
Para que as cidades sejam um bom espaço de
vida, é preciso garantir segurança,
acesso à moradia digna, ao saneamento, à
educação, ao transporte público
de qualidade, à cultura e à informação,
ao lazer e aos esportes. Essas iniciativas, somadas
ao planejamento urbano, reduzirão a vulnerabilidade
de nossas cidades frente às catástrofes
naturais.
24.
O Governo Dilma, respeitando as competências
constitucionais dos entes federativos e em articulação
com eles, centrará seus esforços nas
seguintes iniciativas:
a)
fortalecimento e democratização da
mobilidade urbana, por meio da ampliação
de linhas de metrô, VLT e corredores de ônibus;
b)
continuidade da melhoria e ampliação
das redes ferroviárias urbanas e regionais;
c)
saneamento ambiental básico: universalização
do abastecimento de água, da coleta e tratamento
de esgoto, da coleta e destinação
final do lixo e da drenagem urbana;
d)
novos planos urbanísticos e habitacionais,
com intervenções especialmente concentradas
em áreas de favelas;
e)
programas de recuperação de áreas
degradadas e de prevenção de acidentes
em áreas de risco;
f)
ampliação das ações
do PRONASCI, visando dar maior efetividade às
polícias locais no combate ao crime, por
meio de cooperação entre os níveis
de Governo;
g)
incentivo à constituição de
consórcios intermunicipais, especialmente
para sistemas regionais de saneamento, segurança,
saúde, transporte e desenvolvimento econômico;
h)
criação de espaços de lazer
e cultura, com valorização de áreas
de convivência, entretenimento e fruição
cultural.
Um
desenvolvimento ambientalmente sustentável
25.
O desenvolvimento econômico deve ter como
premissa a sustentabilidade ambiental. Perpassa
todas as políticas do Governo. Estará
presente em nossas opções energéticas,
industriais, agrícolas, de transporte, habitação,
educacionais e científico-tecnológicas,
todas favorecendo um Brasil mais verde.
26.
As posições do Brasil na recente Conferência
sobre a Mudança do Clima, em Copenhague,
onde apresentamos a mais avançada proposta
de redução de emissões, dão
ao atual e ao futuro Governo a credibilidade necessária
em matéria de desenvolvimento sustentável.
27.
Além das medidas apresentadas em outros itens
destas Diretrizes, cabe destacar:
a)
consolidação da mudança de
paradigmas para promoção do desenvolvimento
sustentável da Amazônia e ampliação
para os demais biomas brasileiros;
b)
intensificação de políticas
integradas para o combate ao desmatamento;
c)
consolidação do Sistema Nacional do
Meio Ambiente – SISNAMA
d)
adequação da matriz energética
brasileira com ampliação da produção
e do uso de energias limpas e renováveis;
e)
promoção de políticas de redução
do consumo energético, com inovação
tecnológica e combate ao desperdício;
f)
fortalecimento da legislação ambiental
brasileira;
g)
ampliação dos programas específicos
para proteção e uso sustentável
da biodiversidade brasileira;
h)
aperfeiçoamento da gestão integrada
dos recursos hídricos nacionais;
i)
priorização de ações
de planejamento para a promoção de
políticas urbanas e ambientais integradas;
j)
fortalecimento das iniciativas internacionais para
implementação de um novo acordo global
que amplie as ações para o enfrentamento
do processo de mudanças climáticas;
k)
estímulo de pólos industriais nas
áreas de biotecnologia.
Educação
de qualidade, ciência e tecnologia para
construir uma sociedade do conhecimento
28.
O Governo Lula tomou importantes iniciativas para
a educação brasileira. Criou o Fundo
de Desenvolvimento da Educação Básica
e Valorização do Magistério
(FUNDEB), ampliando a participação
da União no financiamento da educação,
desde a creche até o ensino médio,
em apoio aos estados e municípios. Retomou
a garantia de 18% do orçamento para a educação,
pondo fim à DRU e assegurando o direito de
acesso à escola para todos brasileiros entre
4 e 17 anos. Fez da educação para
pessoas com deficiência uma política
de Estado. Dobrou o número de escolas técnicas
e criou Institutos Federais. Com vistas à
melhoria da qualidade da educação
básica, estabeleceu o piso salarial nacional
e programas de formação continuada.
Ainda assim, esses avanços precisam ser acompanhados
nacionalmente de melhorias na qualidade da educação.
29.
No ensino superior estarão funcionando, até
o fim do ano, 16 novas universidades públicas
e 131 novos campi. Por meio do PROUNI, foram criadas
oportunidades para que mais de 500 mil jovens de
baixa renda pudessem ter acesso ao ensino superior.
30.
Os investimentos do Governo em ciência e tecnologia
explicam o 13o lugar que o Brasil passou a ocupar
na produção científica mundial.
31.
Mas a educação exige urgência.
Urgência para preparar os milhões de
cientistas e técnicos que o desenvolvimento
do país já está exigindo. Mas,
principalmente, urgência para constituir uma
cidadania que possa tomar em suas mãos o
desenvolvimento econômico, político
e cultural do país.
32.
A sociedade que se está constituindo é
uma sociedade do conhecimento. Para alcançá-la
e garantir condições de competitividade
global será necessário:
a)
erradicação do analfabetismo no país;
b)
garantir a qualidade da educação básica
brasileira;
c)
promover a inclusão digital, com banda larga,
produção de material pedagógico
digitalizado e formação de professores
em todas as escolas públicas e privadas no
campo e na cidade;
d)
expandir o orçamento da educação,
ciência e tecnologia e melhorar a eficiência
do gasto;
e)
consolidar a expansão da educação
profissional, por meio da rede de Institutos Federais
de Educação, Ciência e Tecnologia;
f)
tornar os espaços educacionais lugares de
produção e difusão da cultura;
g)
construir o Sistema Nacional Articulado de Educação,
de modo a redesenhar o pacto federativo e os mecanismos
de gestão;
h)
aprofundar o processo de expansão das universidades
públicas e garantir a qualidade do conjunto
de ensino privado;
i)
ampliar programas de bolsas de estudos que garantam
a formação de quadros em centros de
excelência no exterior, capazes de atrair
estudantes, professores e pesquisadores estrangeiros
para o Brasil;
j)
dar prosseguimento ao diálogo com a comunidade
científica, como fator fundamental para definir
as prioridades da pesquisa no país.
k)
fortalecimento da política de educação
do campo, e ampliação das unidades
escolares assegurando a educação integral
e a profissionalização.
O
SUS deve garantir acesso universal e de qualidade
aos serviços de saúde
33.
A melhoria das condições de saúde
do povo brasileiro, nos últimos anos, explica-se
tanto pela expansão das ações
e dos serviços garantidos pelo SUS, como
pelo crescimento econômico e pela implementação
das políticas sociais durante o Governo Lula.
34.
O SUS promove o controle de epidemias e endemias,
da qualidade da água e dos alimentos. Produz
medicamentos e regula sua produção.
É o maior programa de imunização
do mundo e realiza ampla assistência à
saúde da população.
35.
Iniciativas como o SAMU, o Programa Brasil Sorridente,
a Política de Assistência Farmacêutica,
o Programa Farmácia Popular, a expansão
de cobertura das equipes de Saúde da Família
e a implantação das Unidades de Pronto
Atendimento (UPA), têm grande importância.
Merece destaque a aprovação da Emenda
Constitucional nº 51, que regularizou os vínculos
de trabalho dos mais de 500 mil agentes comunitários
de saúde e de controle de endemias.
36.
Persistem, no entanto, grandes déficits no
setor, cuja superação passa pela consolidação
do SUS, como sistema universal, democrático
e integral.
Para tanto será necessário:
a)
conformar um Sistema Nacional de Saúde, com
a definição dos papéis dos
setores público e privado e das responsabilidades
dos gestores federais, estaduais e municipais e
da rede prestadora de serviço (Lei de Responsabilidade
Sanitária);
b)
aumentar os recursos públicos para o setor
da saúde;
c)
priorizar a regulamentação e fiscalização
da aplicação da Emenda Constitucional
29/2000;
d)
extinguir a DRU para a saúde.
e)
ressarcir o SUS por atendimentos públicos
dispensados aos usuários de planos e seguros
de saúde e fortalecer o monitoramento, avaliação,
controle e regulação do setor;
f)
melhorar a gestão dos serviços do
SUS por meio de novos métodos e tecnologias,
principalmente para as unidades públicas
de saúde;
g)
atender plenamente às necessidades qualitativas
e quantitativas de recursos humanos do setor de
saúde no Brasil, inclusive com a ampliação
do aparelho formador;
h)
assegurar direitos trabalhistas e previdenciários
aos trabalhadores do setor, reconhecendo as diversidades
regionais e implantando novas carreiras estratégicas,
em articulação com estados, municípios,
com critérios meritocráticos de seleção
e de promoção;
i)
propiciar financiamento suficiente e estável
para hospitais da rede pública e credenciada
do SUS;
j)
garantir eqüidade no atendimento prestado pelos
hospitais públicos, proibindo-se o credenciamento
dessas instituições pelo sistema de
planos e seguros de saúde;
k)
ampliar as equipes de Saúde da Família,
as UPA, Salas de Estabilização e o
SAMU, garantindo a todos os brasileiros a atenção
básica e de média complexidade, inclusive
emergências;
l)
articular a rede de prestação da atenção
básica com as redes de serviços de
atenção secundária e terciária,
incluindo o acesso aos serviços de diagnóstico
e tratamento de alta complexidade, e às internações
hospitalares;
m)
fortalecer o controle sanitário sobre os
medicamentos;
n)
enfatizar a inovação, produção
e distribuição nacional de medicamentos,
para reduzir a dependência externa;
o)
ampliar investimentos na qualidade e humanização
da prestação de serviço;
p)
realizar mobilização nacional para
enfrentar epidemias e pandemias;
q)
promover ampla mobilização institucional
e da sociedade para combater o consumo de drogas,
sobretudo na juventude;
r)
articular com outros ministérios, estados
e municípios ações transversais
e intersetoriais sobre temas como acidentes de trabalho
e de trânsito, violência decorrente
do uso de armas e drogas, todas elas apontadas como
importantes causa mortis de amplos setores da população,
especialmente de jovens.
Desenvolvimento
Social
37.
A incorporação do conceito de desenvolvimento
social está entre as principais conquistas
do governo do presidente Lula. As políticas
sociais, agora com status de política pública,
ganham um papel fundamental no processo de transformação
do país, rompendo com falsas dicotomias ou
relações de submissão entre
social e econômico. Ambos passam a ter relação
de complementaridade. Assistência social é
reconhecida como direito de cidadania e dever do
Estado.
38.
Essa concepção reflete um traço
marcante de um projeto nacional formado no campo
democrático e popular e pautado pelo mais
vigoroso conceito de justiça social que promova
a verdadeira conciliação com os pobres,
com o povo, com vigorosos impactos na realidade
brasileira. Pelos cálculos da Fundação
Getúlio Vargas, 20 milhões de pessoas
deixaram a pobreza entre 2003 de 2009. Em 2008,
o país foi capaz de reduzir a extrema pobreza
à metade do índice de 2003. O mercado
interno, mais fortalecido pelo poder de compra dos
mais pobres, permitiu ao país enfrentar a
crise econômica mundial de cabeça erguida,
sem conseqüências mais graves para nossa
economia.
39.
Esses resultados precisam ser mantidos a médio
e longo prazo, para evitar retrocessos, e ainda
temos de considerar o peso da dívida social
acumulada por mais de 500 anos. Por isso, as políticas
sociais precisam ser trabalhadas numa perspectiva
de médio e longo prazo e estar presentes
de forma enfática no Programa Dilma Presidente.
A decisão de priorizar o combate à
fome, desde o primeiro mandato do presidente Lula
é um desafio ético, moral e político
que se impõe à nossa geração
e precisa ser reafirmado. Estamos vencendo a fome,
a pobreza e a desigualdade. É uma conquista
histórica a ser confirmada pela manutenção,
pelo aperfeiçoamento e pela ampliação
dos programas sociais, parte integrante, permanente
e fundamental do projeto de emancipação
do povo brasileiro.
40.
Esse aperfeiçoamento deve apontar para a
consolidação da ampla rede de proteção
e promoção social, que tem no Bolsa
Família seu programa articulador.
41.
Isso implica em ações voltadas para:
a)
reforço institucional do Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
como espaço integrador de políticas
sociais, consolidando os sistemas articulados com
o Bolsa Família, o SUAS (Sistema Único
de Assistência Social) e SISAN (Sistema Nacional
de Segurança Alimentar e Nutricional);
b)
promoção e reforço da intersetorialidade
das políticas públicas efetivamente
voltadas para inclusão social, articulando
e somando esforços e sinergias em várias
áreas do governo;
c)
avançar na perspectiva de ações
integradas no território como espaço
articulador e integrador das políticas sociais,
especialmente na periferia das regiões metropolitanas
e das grandes cidades;
d)
normatização jurídica das políticas
sociais, com vistas à consolidação
da legislação social.
Acesso
à comunicação, socialização
dos bens culturais, valorização da
produção cultural e estímulo
ao debate de idéias
42.
A imensa maioria da sociedade brasileira está
privada do acesso aos meios de produção
e fruição dos bens culturais da humanidade.
Noventa por cento das cidades não possuem
salas de cinema. Muitas não têm bibliotecas,
teatros ou centros culturais. Apesar dos avanços
dos últimos anos, a maioria da população
brasileira conta, como único veículo
cultural e de informação, com as cadeias
de rádio e de televisão, em geral,
pouco afeitas à qualidade, ao pluralismo,
ao debate democrático. É preciso fortalecer
políticas de indução às
indústrias criativas e suas cadeias produtivas
que integram o conjunto da economia da cultura.
43.
Modernas tecnologias, como aquelas ligadas à
Internet, além das TVs públicas, têm
permitido um arejamento cultural e político
que pode compensar o monopólio e concentração
dos meios de comunicação.
44.
O aprofundamento da democracia brasileira passa
por uma forte circulação de idéias,
pelo livre acesso aos bens culturais de toda a humanidade
e pela possibilidade de expressão de nossa
diversidade cultural, das manifestações
populares às de vanguarda.
45.
Para tanto será necessário:
a)
ampliação da rede de equipamentos,
como centros culturais, museus, teatros e cinemas,
política que deve estar articulada com a
multiplicação dos pontos de cultura,
representando amplo movimento de socialização
cultural;
b)
implementação do Plano Nacional de
Cultura e do Sistema Nacional de Cultura;
c)
expansão dos programas de estímulo
ao consumo e difusão de bens culturais, com
aprovação do Vale Cultura;
d)
transformação das escolas, sobretudo
de nível médio, em verdadeiros centros
de cultura, com programas específicos de
arte-educação;
e)
iniciativas que estimulem o debate de idéias,
com o fortalecimento das redes públicas de
comunicação e o uso intensivo da blogosfera;
f)
ações de proteção do
patrimônio nacional material e imaterial e
de acesso às grandes manifestações
da cultura nacional e da humanidade;
g)
descentralização dos recursos para
regiões tradicionalmente menos beneficiadas
pela política cultural;
h)
leis de incentivo à cultura que garantam
controle público sobre o uso dos incentivos
fiscais;
i)
medidas que promovam a democratização
da comunicação social no país,
em particular aquelas voltadas para combater o monopólio
dos meios eletrônicos de informação,
cultura e entretenimento. Para isso, deve-se levar
em conta as resoluções aprovadas pela
1ª. Confecom, promovida por iniciativa do governo
federal, e que prevêem, entre outras medidas,
o estabelecimento de um novo parâmetro legal
para as telecomunicações no país;
a reativação do Conselho Nacional
de Comunicação Social; o fim da propriedade
cruzada; exigência de uma porcentagem de produção
regional, de acordo com a Constituição
Federal; proibição da sublocação
de emissoras e horários; e direito de resposta
coletivo.
46.
Políticas de Igualdade Racial: O Partido
dos Trabalhadores catalisou nas últimas décadas
os anseios do movimento negro, protagonizado pela
Marcha Zumbi dos Palmares pela Vida e Cidadania
(realizada em 1995 e 2005) no que diz respeito ao
desenvolvimento de políticas de governo visando
responder a Constituição Federal,
a Declaração e Programa de Ação
de Durban, e a Convenção Internacional
contra todas as formas de discriminação
Racial. Nesse sentido, impõe-se à
nova gestão dar continuidade a implementação
das Políticas de Promoção da
Igualdade Racial.
Direitos
humanos e proteção de homens, mulheres
e jovens
47.
A despeito dos importantes logros na proteção
e ampliação dos Direitos Humanos no
Brasil, há um longo caminho a ser percorrido
nesta direção. Mantêm-se a violência
policial, exercida sobretudo contra pobres, jovens
e negros, e as tentativas de criminalizar a pobreza
e os movimentos sociais. O sistema prisional, muitas
vezes, realimenta a deliquência. Ainda que
minoradas, persistem formas de discriminação
em relação a mulheres, crianças,
negros, índios, pessoas com deficiência
e aos LGBTT.
48.
Caberá ao novo Governo:
a)
promover, por meio de ações políticas
em todas as esferas do Governo, a igualdade entre
mulheres e homens;
b)
aprofundar a transversalidade da política
de Direitos Humanos nas políticas setoriais
para promoção e garantia dos direitos
civis, políticos, econômicos, sociais
e culturais;
c)
coordenar iniciativas da União, dos demais
entes federativos e da sociedade para a proteção
integral dos direitos da criança e do adolescente;
d)
ampliar políticas de direitos básicos
ao trabalho, moradia, alimentação,
saúde e educação e o acesso
à justiça e à cidadania, beneficiando
comunidades remanescentes de quilombos, indígenas,
assentamentos rurais, trabalhadores ameaçados
de aliciamento de mão-de-obra escrava e periferias
das grandes cidades;
e)
ampliar as iniciativas do PRONASCI para
permitir mudanças substantivas nas polícias
estaduais com a incorporação crescente
da problemática dos Direitos Humanos na formação
policial e em suas práticas cotidianas;
f)
articular com os estados e com o Poder Judiciário
para promover ampla reforma do sistema prisional
brasileiro, dando prioridade a aplicação
de penas alternativas;
g)
maior proteção legal e administrativa
a segmentos socialmente discriminados e maior severidade
na repressão às formas de discriminação;
h)
abertura dos arquivos e implementação
da Comissão da Verdade, para esclarecimento
público dos casos de torturas, assassinatos
e desaparecimentos políticos no Brasil;
i)
ampliar ações afirmativas no setor
educacional e em outras esferas da sociedade;
j)
prosseguir as políticas de apoio aos brasileiros
no exterior e aos estrangeiros no Brasil;
k)
fortalecer a atuação internacional
do Brasil na defesa dos Direitos Humanos, nas Nações
Unidas, OEA, UNASUL e Mercosul.
A
dimensão estratégica da juventude
para um novo desenvolvimento
49.
Compreender a situação da juventude
e reconhecer sua dimensão estratégica
significa criar as condições para
formar uma geração capaz de disputar
e dar continuidade aos avanços políticos,
sociais, econômicos, culturais, científicos
e ambientais que o país necessita. O Brasil
tem hoje 52 milhões de brasileiros e brasileiras
com idade entre 15 e 29 anos. Trata-se, portanto,
da maior oportunidade para converter o bônus
demográfico em fator para o desenvolvimento
como questão estratégica. Além
disso, a juventude é o contingente mais afetado
pela gravidade das desigualdades sociais. O desafio
deve tornar-se oportunidade de uma vida melhor para
os jovens de hoje e para o conjunto da sociedade
amanhã. O Estado deve garantir às
classes populares as mesmas condições
e oportunidades que os jovens mais abastados têm
para viver sua juventude.
50.
A implementação da Política
Nacional de Juventude, a partir de 2005, fez com
que o poder público no Brasil traduzisse
em atos concretos, na dimensão institucional
– com a criação do Conselho
e da Secretaria Nacional de Juventude -, a concepção
de que os jovens são sujeitos de direitos,
ao reconhecer especificidades nas demandas juvenis.
51.
O governo Dilma assumirá o sentido estratégico
da juventude, impulsionando reformas democráticas
e populares que garantam a integração
das novas gerações ao processo democrático
e ao projeto de desenvolvimento sustentável.
52.
Para tanto, será necessário:
a)
articular ações que combatam o ingresso
precoce e em condições precárias
dos jovens no mundo do trabalho com políticas
educacionais e programas de transferência
e geração de renda, formação
e qualificação profissional;
b)
promover uma reforma político-pedagógica
no ensino médio, fortalecer as políticas
de permanência nas instituições
de ensino e de assistência estudantil;
c)
Promover ações de cultura, saúde,
mobilidade urbana, moradia, esporte e lazer de forma
integrada e articulada na Política Nacional
de Juventude, tendo como eixo o jovem e o território,
contemplando as juventudes e as diversidades regionais,
étnico-raciais, de gênero e culturais;
d)
Instituir um Sistema Nacional de Juventude, financiado
de maneira regular e permanente, que articule ações
do Governo Federal, estados e municípios,
e que combine o atendimento das demandas emergenciais
e especificas às políticas estruturantes
de gestão democrática e instancias
adequadas à coordenação de
uma política nacional que integre as ações
e programas de diferentes áreas do governo.
Fortalecer
o Estado e construir a igualdade para aprofundar
a autonomia econômica, política e social
das mulheres.
53.
Tendo em vista o papel da divisão sexual
do trabalho como base da opressão sobre as
mulheres, o Estado deve assumir sua responsabilidade
na construção de políticas
que alterem as desigualdades de gênero. O
terceiro governo do PT deve ter como eixo estruturante
do seu programa, a construção da igualdade
entre mulheres e homens. As políticas devem
também contribuir por desconstruir a cultura
machista e patriarcal, que aprofundam a desigualdade
e exclusão social das mulheres.
54.
Garantir a autonomia pessoal e o direito ao trabalho:
A independência econômica é uma
das condições para a emancipação
das mulheres e do seu direito pleno ao exercício
da cidadania. O crescimento da presença das
mulheres no mercado de trabalho nas últimas
décadas é extremamente positivo, embora
ainda se realize em condições muito
desiguais, especialmente no que tange à remuneração
salarial, que entre as mulheres negras chega a cerca
de 60% a menos do que os homens brancos.
55.
Fortalecer a institucionalidade existente para garantir
e avançar uma política de igualdade:
A construção de políticas que
afirmam a igualdade será possível
ao serem incorporadas pelo conjunto das ações
do governo, por isto o fortalecimento da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres deve
ser ampliada e assegurada, e assim aumentar o alcance
de suas ações na implementação
e aprofundamento das diretrizes e ações
dos Planos Nacionais de Políticas para as
Mulheres (I e II PNPM).
56.
Combater a violência sexista como uma ação
do Estado: A ação do governo Lula
nos últimos sete anos tem demonstrado que
o Estado pode cumprir um importante papel no combate
à violência contra as mulheres e a
cobrança da tão necessária
implementação pelos demais entes federativos
e poderes constituídos de suas diretrizes,
mostra o compromisso ideológico e cultural
do governo democrático popular com a luta
das mulheres. Avançar nesta política
inovadora e ampliar o seu alcance, enquanto política
de Estado exigirá uma institucionalidade
à altura destes desafios.
57.
Promover a saúde da mulher, os direitos sexuais
e direitos reprodutivos: O Estado brasileiro reafirmará
o direito das mulheres de tomarem suas próprias
decisões em assuntos que afetam o seu corpo
e a sua saúde; direito de decidirem livremente
sobre todas as questões referentes à
sua sexualidade e estabelecer relações
afetivas e sexuais livres de coação,
discriminação e violência.
58.
O governo do PT desenvolverá ações
que assegurem autonomia das mulheres sobre seu corpo,
qualidade de vida e de saúde em todas as
fases de sua vida, respeitando a diversidade racial
e étnica das mulheres.
59.
Garantir e ampliar a participação
das mulheres nos espaços de poder e de decisão:
Promover e fortalecer a participação
igualitária, plural e multirracial das mulheres
nos espaços de poder e decisão, com
vistas a uma mudança cultural na sociedade,
à formação de novos valores
e atitudes em relação à autonomia
e protagonismo das mulheres, a exemplo do que demonstrou
as duas conferências nacionais de políticas
para as mulheres.
60.
Assegurar a reforma política como um instrumento
eficaz para que as mulheres, historicamente excluídas
da esfera pública e dos espaços de
decisão, rompam com o mecanismo perverso
que as têm levado à subordinação
e opressão.
Democracia,
fortalecimento do Estado democrático
de Direito e do Pacto Federativo
61.
Os preconceitos ideológicos hegemônicos
nos anos 90 fizeram com que o Estado brasileiro
passasse naquele período por um processo
de desconstrução, que comprometeu
sua soberania e eficácia. Os mesmos que,
no passado, foram responsáveis por esse desmantelamento,
são hoje os que denunciam a “gastança”
e o “inchaço da máquina pública”.
62.
O desmantelamento do Estado foi acompanhado pela
implantação de uma estrutura jurídica
e administrativa que, em muitos casos, dificulta
investimentos públicos e o atendimento eficaz
das necessidades da população.
63.
No combate à terceirização
e às práticas clientelistas, o atual
governo multiplicou concursos públicos e
planos de carreira para prover a administração
federal de um serviço público de qualidade,
submetido a processos meritocráticos de seleção
e promoção.
64.
A ação da Controladoria-Geral
da União e da Polícia Federal foi
fundamental para desmantelar redes de corrupção
na União, estados e municípios e na
iniciativa privada.
65.
As particularidades da estrutura federativa brasileira
têm muitas vezes dificultado o correto enfrentamento
de questões relacionadas com a segurança,
saúde, educação ou a proteção
de populações ameaçadas por
desastres naturais.
66.
Respeitando prerrogativas que são próprias
do poder Legislativo, a realização
de dezenas de Conferências Nacionais permitiu
auscultar a sociedade brasileira que, em sua diversidade,
ofereceu importantes subsídios para orientar
as opções do Governo. Elas reforçam
a democracia participativa.
67.
Essas medidas terão de ser complementadas
por uma reforma política capaz de dar mais
transparência aos partidos políticos
e aos processos eleitorais, com financiamento público
de campanhas eleitorais e o voto em listas partidárias.
68.
Finalmente, o fortalecimento das empresas
estatais e da ação governamental na
economia, deu ao Governo uma maior capacidade de
planejamento estratégico, indispensável
em momentos de crise e de transição
global.
69.
A ação do Governo Dilma privilegiará:
a)
o fortalecimento do Estado, sua democratização,
mediante a constituição de um serviço
público de alta qualidade;
b)
a constituição de um novo arcabouço
jurídico-administrativo, que sem prejuízo
à austeridade, probidade e controle sobre
os gastos públicos, seja coerente e afinado
com o Projeto Nacional de Desenvolvimento democrático
e popular, bem com a nova realidade mundial, fortalecendo
o combate à corrupção e permitindo
a todos os entes federativos melhores condições
para a recuperação da capacidade do
Estado cumprir seu papel perante a sociedade;
c)
o prosseguimento, por meio da Controladoria-Geral
da União, da AGU e da Polícia Federal
de ações de combate à corrupção;
d)
um grande Pacto dos entes federativos para encaminhar
iniciativas conjuntas no enfrentamento de questões
cruciais como o do bom funcionamento do SUS, qualificação
do sistema educativo, segurança e melhoria
do sistema prisional;
e)
o fortalecimento da participação
popular, com maior integração entre
mecanismos de democracia participativa locais e
estaduais com o sistema nacional, dando ênfase
às conferências nacionais para subsidiar
políticas públicas e iniciativas do
Legislativo;
f)
fortalecimento das empresas estatais e do planejamento
estratégico da economia, ampliando as atuais
funções do Ministério do Planejamento.
Política
de Segurança Pública
70.
O crescimento internacional do crime organizado
– especialmente o tráfico de drogas
e de armas – coloca desafios importantes para
o atual e para o próximo Governo. Independentemente
de medidas internas, o Brasil optou por fortalecer
nossa cooperação internacional no
enfrentamento desses e de outros delitos.
71.
Para dar conseqüência a essas orientações,
o Governo Dilma:
a)
fortalecerá a cooperação internacional
no combate às drogas, sobretudo no marco
do Conselho para esse fim criado na UNASUL;
b)
aprimorará o controle de fronteiras e a cooperação
bilateral para frear a ação do crime
organizado transnacional;
c)
melhorará a cooperação da PF
com as policias estaduais no combate ao narcotráfico
e ao tráfico de armas;
d)
fortalecerá o PRONASCI;
e)
prosseguirá em seu esforço de fortalecimento
da Polícia Federal.
f)
garantirá o compromisso das Forças
Armadas com a democracia e com os direitos humanos,
sua efetiva subordinação ao Poder
Civil através do Ministério da Defesa,
bem como a adequada combinação entre
a disciplina inerente ao exercício das atividades
militares e as relações democráticas
que devem marcar a sociedade moderna, inclusive
no que toca ao respeito a diversidade homoafetiva;
g)
criar o Fundo Constitucional de Segurança
Pública para, progressivamente, instituir
e subsidiar o piso salarial nacional das policias
civis e militares até 2016, quando os Estados
da Federação passarão a ser
responsáveis integralmente pelo cumprimento
do piso.
h)
Estender de forma completa, o PRONASCI para os 27
Estados brasileiros.
Defesa
Nacional
72.
A Estratégia Nacional de Defesa, aprovada
em 2009, renovou as concepções que
regem nossas Forças Armadas em sintonia com
as novas problemáticas que vivem o Brasil
e o mundo.
73.
A partir dela foi possível dar efetividade
à constituição do Ministério
da Defesa, sob comando civil. Às FFAA cabe
a defesa do território, nos marcos do respeito
à sua função constitucional
e aos Direitos Humanos. Foi possível também
iniciar importante processo de renovação
de nossas Forças Armadas, que se encontravam
fortemente sucateadas.
74.
Adotou-se o princípio de produzir no Brasil,
em associação com outros países,
o armamento necessário para proteger o território
nacional nos marcos de uma concepção
dissuasiva de defesa. A soberania de nossas decisões
e a transferência de tecnologia são
critérios fundamentais para o relacionamento
internacional de nossas FFAA.
75.
Para tanto, o Governo Dilma;
a)
dará continuidade ao fortalecimento institucional
do Ministério da Defesa e à criação
de carreiras civis para sua gestão;
b)
dará prosseguimento ao processo de modernização
e valorização das Forças Armadas,
em consonância com as determinações
da Estratégia Nacional de Defesa;
c)
dará ênfase particular à constituição
de uma importante indústria nacional de defesa,
em articulação com países da
América do Sul e de outras regiões;
d)
participará das iniciativas do Conselho Sul-americano
de Defesa e de missões internacionais em
conformidade com o Direito Internacional e as leis
brasileiras.
Presença
do Brasil no mundo
76.
A Política Externa do Brasil tem profunda
incidência em nosso Projeto Nacional de Desenvolvimento.
Ela busca a defesa do interesse nacional e se nutre
de valores como o multilateralismo, a paz, o respeito
aos Direitos Humanos, a democratização
das relações internacionais e a solidariedade
com os países pobres e em desenvolvimento.
77.
Tem dado especial ênfase à integração
da América do Sul, ao fortalecimento da unidade
latino-americana, às relações
com África, à reforma das Nações
Unidas e dos organismos multilaterais, e à
construção de uma ordem econômica
internacional mais justa e democrática.
78.
Foram esses princípios, somados ao correto
enfrentamento das questões nacionais, que
deram ao Brasil um lugar de grande relevância
no atual cenário internacional.
79.
Para dar continuidade e aprofundar essas conquistas,
o Governo Dilma:
a)
fará, em associação com os
demais países, avançar o processo
de integração do Mercosul, resolvendo
divergências e pendências e fortalecendo
sua institucionalidade;
b)
contribuirá política e institucionalmente
para a consolidação da UNASUL, de
suas políticas de integração
física, energética, produtiva e financeira.
Fortalecerá o Conselho de Defesa
Sul-americano e o Conselho de Combate às
Drogas. Ênfase especial será dada à
redução das assimetrias na região,
por meio da cooperação industrial,
agrícola e comercial;
c)
empenhar-se-á na conclusão da Rodada
de Doha, que favoreça os países pobres
e em desenvolvimento e, no âmbito do G-20,
na reforma já iniciada do FMI e do Banco
Mundial, contribuindo para a aplicação
de políticas anticíclicas que permitam
a retomada do crescimento e, sobretudo, o combate
ao desemprego no mundo;
d)
fortalecerá nossa intervenção
no IBAS (Índia, Brasil e África do
Sul) e nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia
e China);
e)
dará continuidade ao diálogo com os
países desenvolvidos – Estados Unidos,
Japão e União Européia. Com
a U.E., da qual somos parceiros estratégicos,
impulsionaremos iniciativas para promover um acordo
com o Mercosul;
f)
estará presente na busca de solução
de conflitos que ameacem a estabilidade mundial,
como é, particularmente, o caso do Oriente
Médio, onde manterá diálogo
com todos os atores buscando uma alternativa de
paz;
g)
manterá e fortalecerá sua presença
no Haiti – com a concordância do Governo
daquele país – para garantir a estabilidade,
nos marcos do mandato da ONU, e contribuir decisivamente
para reconstrução nacional;
h)
continuará em seu esforço para democratizar
as Nações Unidas, particularmente
seu Conselho de Segurança.
Estas
Diretrizes, aprovadas no 4º Congresso do PT,
serão debatidas com os partidos da coligação
que apóiam a candidatura Dilma Rousseff.
Elas serão complementadas por Programas setoriais
construídos sob a base dos princípios
gerais aqui enunciados.
Brasília/DF,
19 de fevereiro de 2010
4º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores.