COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Defesa

31 de Janeiro, 2013 - 21:21 ( Brasília )

ABIMDE - Assume Sami Hassuani

Novo presidente da ABIMDE prevê crescimento no setor e um grande mapeamento da indústria de defesa brasileira


Novos projetos do governo elevam expectativa de investimentos do setor de US$ 40 bilhões para US$ 100 bilhões nos próximos 20 anos; o ano de 2013 inicia com o primeiro e mais completo Diagnóstico da BID (Base Industrial da Defesa)

O engenheiro Sami Youssef Hassuani, que preside a empresa AVIBRAS, é o novo presidente da ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança). Ele ressalta para o crescimento da indústria e anuncia o “Diagnóstico da BID” (Base Industrial de Defesa) – maior levantamento feito no país sobre a cadeia produtiva do setor.

De acordo com o executivo, a área de defesa no Brasil manteve o ritmo de crescimento anunciado no ano passado. A ABIMDE, entidade representante do segmento no país, fechou 2012 com 180 empresas associadas. A expectativa é que em 2013 este número cresça em torno de 20%.

O projeto “Diagnóstico da BID” vem sendo feito pela instituição em parceria com a Universidade Federal Fluminense e deve ser concluído em seis meses. O objetivo é mapear e detalhar toda a cadeia produtiva do setor. Segundo o novo presidente, a meta é identificar as dificuldades que o setor enfrenta nas áreas técnica, legislativa e política.

Segundo ele, todas as dificuldades e problemas serão elencados neste grande diagnóstico. Parte da pesquisa envolve um questionário enviado às empresas do setor da BID. “Assim que tivermos esse grande mapa detalhado e estudado vamos apresentar aos Ministérios da Defesa (MD) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para que sejam pensadas as soluções e alternativas para apoio às nossas indústrias”.

A ABIMDE teve papel importante em uma das grandes conquistas do segmento, a aprovação da Lei n.º 12.598, de 22 de março de 2012, que estabelece normas especiais para compra, contratação e desenvolvimento de produtos e de sistemas de defesa, dispondo ainda sobre regras de incentivo à área estratégica desse mercado. Essa lei cria a figura da empresa estratégica de defesa - EED (empresa de interesse especial de nação) e estabelece normas para o RTID (Regime Tributário das Indústrias de Defesa), o qual desonera as companhias do setor nas vendas dos seus produtos ou serviços para o governo.

A entidade participou ainda de eventos de mobilização nacional e que discutiram a importância da soberania tecnológica brasileira e do fortalecimento do setor de defesa, como o Seminário de Defesa Nacional, realizado em parceria com a Câmara dos Deputados, e o Livro Branco de Defesa Nacional.

Outro ponto importante para a nova gestão será estreitar os laços com o Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e em especial, com o Ministério da Justiça. Para o novo presidente, uma das metas é estabelecer uma relação mais próxima, visando apoiar o país na questão da segurança interna, principalmente nos grandes eventos que ocorrerão nos próximos anos: Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíada (2016).

Hassuani ressalta que pretende dar continuidade ao trabalho que o conselho diretor da ABIMDE vem realizando ao longo dos últimos anos. “A associação tem exercido um papel fundamental na retomada da indústria nacional. O desafio da atual gestão será consolidar a posição da ABIMDE, levando a indústria de defesa e segurança a um lugar de destaque no cenário nacional como indutor de desenvolvimento e educação científica, criador de empregos de alto nível e gerador de produtos de alto valor agregado para exportação”, disse.

SETOR

De acordo com a ABIMDE, as companhias que atuam no mercado de defesa geram, juntas, cerca de 30 mil empregos diretos e 120 mil indiretos, movimentando mais de US$ 4 bilhões/ano, sendo US$ 2 bilhões em exportação, e US$ 2 bilhões em importação.

Conforme estudo realizado recentemente pela entidade, esse número de empregos pode mais que dobrar nas próximas duas décadas em razão dos projetos anunciados pelo governo. A expectativa é de que os investimentos girem na ordem de US$ 180 bilhões a longo prazo, sendo US$ 100 bilhões já anunciados para programas voltados para vigilância das fronteiras marítimas, aéreas e terrestres do país, entre eles o SISFRON (Sistema de Vigilância da Fronteira), o SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul), o PROSUPER (Programa de Aquisição de Navios de Superfície), F-X2 (que dotará a Força Aérea Brasileira de aeronaves de caça e ataque de última geração) e, mais recentemente, o projeto PROTEGER (do Exército) – que visa a proteção e instalações como usinas nucleares, hidrelétricas, empresas consideradas estratégicas, instalações pré-sal...). O PROTEGER integrou essa lista recentemente e já entra com indicação de  investimentos de cerca de US$ 30 bilhões, o que possibilitou um grande salto no índice de aporte financeiro esperado para o setor.

De acordo com a entidade, até 2020 o Brasil tem a possibilidade concreta de praticamente dobrar o número de postos de trabalho altamente especializados. A estimativa é de que o setor gere cerca de 48 mil novos empregos diretos e 190 mil indiretos. Já para 2030, a expectativa é ainda melhor, passando para 60 mil novas vagas diretas e 240 mil indiretas.



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