COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Tecnologia

17 de Março, 2015 - 13:00 ( Brasília )

Seminário Industrial Brasil-França

Empresários dos dois países reuniram-se na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo para prospectar a formação de novas parcerias bilaterais no setor de defesa



Cosme Degenar Drumond
degenar@terra.com.br
Exclusivo DefesaNet


O evento foi iniciativa do Ministério da Defesa brasileiro em conjunto com o Departamento da Indústria de Defesa da FIESP (Comdefesa). Aconteceu nos dias 11 e 12 de março passado e contou com a presença massiva de profissionais do setor: 300 inscritos e 171 reuniões de relacionamento.

Ao abrir o seminário, o diretor-titular do Comdefesa/FIESP, Jairo Candido, deu as boas-vindas aos presentes. Em seguida, o embaixador da França, Dennis Pietton; o diretor de Catalogação e Núcleo de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, almirante Wagner Lopes Moraes Zamith; o presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais Francesas (GIFAS), Marwan Lahoud; e o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa (ABIMDE), Sami Hassuami, falaram da importância do evento para as indústrias dos dois países.

Participaram do evento 79 empresas (39 do Brasil e 40 da França) de variados ramos de atividade do setor – armamentos, munições, eletroeletrônicos, máquinas, ferramentas, motores, aviões, helicópteros, metalurgia, química, petróleo, veículos terrestres, embarcações flutuantes etc, e prestadoras de serviços de pesquisa e desenvolvimento.
    
No primeiro dia foram apresentados painéis de projetos estratégicos e de acordos governamentais envolvendo as indústrias dos dois países e as Forças Armadas do Brasil. Fechando a programação do dia, houve debate sobre os temas apresentados. No dia seguinte, em rodadas de relacionamento, as empresas se reuniram e discutiram modelos de negócios, experiências e interesses comuns.
 
Parceria histórica
 
Há expectativas de que novas parcerias aconteçam, após avaliação das rodadas de conversações. A indústria de defesa do Brasil busca aprimorar seu processo de capacitação, interrompido no final do século passado. Os programas estratégicos em curso, já contam com a participação da indústria francesa, sobretudo os da Marinha do Brasil.
    
Historicamente, a França sempre foi importante parceira do Brasil. Além das primeiras contribuições dadas pela Missão Artística Francesa, no período colonial, a França deixou sua marca de colaboração em outros segmentos da vida brasileira. Em termos de doutrina, contribuiu, por exemplo, com a então Força Pública de São Paulo (atual Polícia Militar) e foi destaque no aprimoramento da capacidade operacional das Forças Armadas brasileiras.
    
Se os ingleses tornaram-se pioneiros na introdução do jato militar no Brasil, os franceses, por sua vez, mostraram ao Exército Brasileiro, com instrução aérea e aeronaves, como ganhar musculatura operacional e subir a escada tecnológica na aviação militar, no final da segunda década do século XX. Poucos anos antes, Paris revelou a figura histórica do brasileiro Alberto Santos-Dumont e o seu fantástico voo autônomo com o 14-Bis. Brasil e França sempre mantiveram fortes vínculos na aviação, civil e militar.
    
Na Marinha do Brasil, o pioneirismo na aviação naval pertence aos americanos. A França destacou-se em outras importantes áreas na Armada brasileira. Na engenharia naval de submarinos (Prosub), a participação da indústria francesa é consistente. A absorção de tecnologias pela Marinha do Brasil nas áreas de projeto e construção de submarinos tem permitido avanços notáveis à indústria de defesa do Brasil em armamentos variados de emprego naval, como torpedos e mísseis.
    
Além disso, existem acordos de cooperação entre os dois países no que diz respeito a métodos, tecnologia, ferramentas, equipamentos e assistência técnica para as fases do projeto de submarinos convencionais e com propulsão nuclear, com transferência de conhecimento acadêmico nesse campo para formação de estudantes, professores e instrutores brasileiros. Um comitê formado por órgãos públicos dos dois países reúnem-se duas vezes por ano para supervisionar a execução dos acordos bilaterais. Vários outros tipos de parcerias entre os dois países, através de acordos governamentais, envolvem as indústrias de defesa de Brasil e França, inclusive cooperação mútua em educação e em atividades técnico-científicas.
   
Na Força Aérea Brasileira a participação francesa tem sido igualmente relevante, inclusive para implantação no país de linha de helicópteros de projeto brasileiro, como prevê acordos governamentais vinculados ao programa HX-BR.
    
Além de suas potencialidades no campo da atividade econômico-tecnológica, a França possui um sistema de defesa bem estruturado. Sua base industrial de defesa conta atualmente com mais de 160 fornecedores de equipamentos principais para suas Forças Armadas e de outro tanto de pequenas e médias empresas nessa área, com notável força de engenharia. Apenas no Departamento Geral de Armamentos (DGA), dos cerca de 10 mil empregados atuais, mais da metade são engenheiros e gerentes de projetos. No total, o país mantém177 mil empregos diretos atuando no desenvolvimento de aeronaves, helicópteros, turbinas, mísseis, veículos lançadores de satélites, satélites e sistemas de defesa e segurança.
   
Em 2013, este setor estratégico foi responsável por vendas da ordem de 73 bilhões de Euros. A indústria de defesa contribuiu com 17,5 bilhões de Euros, com um terço em exportações. As encomendas (Order Book) representam um horizonte de 5/6 anos de permanente produção industrial, com 14% do faturamento anual destinados a pesquisas, desenvolvimento e inovação. A indústria de defesa do país emprega 165.000 pessoas.
    
Essas credenciais, a indústria de defesa francesa exibiu no Seminário Industrial Brasil-França Apresentou-se, entretanto, em um momento de grandes desafios para a indústria congênere brasileira, sobretudo quanto à disponibilidade atual de orçamentos públicos para a Defesa. Espera-se que o momento de exigüidade de recursos seja passageiro.

Os projetos e programas estratégicos das Forças Armadas do Brasil possibilitam ganhos efetivos para o país, muito além da Defesa. Além de promover pesquisas tecnológicas, de ponta eles impulsionam a economia nacional, aquecem o mercado de trabalho e geram capacidades palpáveis para a indústria de defesa nacional se projetar no mercado internacional com produtos de alto valor agregado.
    
Estes, aliás, são os objetivos que levaram o Ministério da Defesa e o Comdefesa a planejar o Seminário Industrial França-Brasil, assim como outros eventos do gênero. Afinal, somar parcerias é sempre bem-vindo em qualquer setor produtivo, principalmente nos dias de hoje, quando a globalização fala mais alto.

 



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