| O mercado
financeiro prevê cortes em 2010 e 2011
Mercado Financeiro prevê redução
de 30% na produção da Airbus e Boeing
para 2011. EMBRAER já anunciou uma redução
de 23% em 2009
Nelson During
Editor-chefe Defesa@Net
Os fabricantes Airbus
e Boeing permanecem nervosos sobre as metas de produção
de aviões em 2009. Mas estas perspectivas
contrastam friamente com as da área financeira.
Em recente evento reunindo membros da indústria,
usuários e entidades de crédito tanto
a Airbus como a Boeing juntaram seus esforços
insistindo, que em um curto prazo, a produção
manterá seus níveis.
Mas a audiência — composta de compradores,
vendedores e membros de empresas de leasing e banqueiros
que financiam a todos — estava cética.
A dúvida é de onde virá o dinheiro
para os quase 965 jatos da Boeing e Airbus previstos
para serem entregues em 2009. A EMBRAER projeta
a produção de 242 aviões em
2009 (previa 315), conforme a nota do dia 19 de
Fevereiro.
Bertrand Grabowski, diretor do DVB Bank da Alemanha,
grande financiador de aeronaves, afirmou que as
empresas aéreas estão enfrentando
uma queda acentuada de demanda, e a questão
que surge é quão rápido, Airbus
e Boeing reduzirão sua produção
entre os anos de 2009 até 2011.
"Como você verá seus clientes
sangrando para receberem aviões que eles
não necessitam," completa Grabowski.
Ele prevê que os cortes de produção
comecem ao longo do ano de 2009 e o pior ocorra
em 2010 e 2011.
A avaliação também é
compartilhada em parte por Mark Pearman-Wright,
chefe da área de leasing da Airbus. Pearman-Wright
insistiu que as entregas da Airbus para 2009 estão
asseguradas e que para os dois próximos anos
ocorrerá uma atenuação da produção
e não cortes para 2010 e 2011.
"Nós não vemos problemas de financiamento
para as entregas deste ano," afirmou Perman-Wright,
em coro com Scott Carson CEO da Boeing Commercial
Airplanes em uma conferência em Wall Street
na semana passada.
"Não é um caso Airbus versus
Boeing. É de fabricantes versus financiadores,"
conclui Pearman-Wright.
O respeitado economista da indústria aeronáutica
Adam Pilarski, da Avitas, concorda que as entregas
deste ano estão relativamente seguras. Mas
Pilarski alerta para a projeção de
queda em 2011.
"O crash tem de acontecer e será severo,"
afirmou Pilarski.
Ele prevê uma produção combinada
da Airbus e da Boeing para 2011, de 666 aviões,
uma queda de 30 % dos números atuais. Tanto
a Boeing como a Airbus afirmam não preverem
estes números.
Porém o crédito está congelado
e o dinheiro não está disponível.
Companhias de leasing tem de resolver as questões
de crédito com as grandes compras recentes
de novos aviões.
Elas venderam seus aviões mais antigos ou
ações para levantar cerca de 20% do
valor necessário para as novas aquisições.
Porém, agora elas não têm dinheiro
ou crédito.
"A longo prazo o futuro da aviação
é sólido," afirma Pilarski. Mas
para Grabowski (DVB Bank): "O problema são
os anos de 2009, 2010 e 2011."
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