AF
447
AF
447 caiu inteiro e de barriga no mar,
afirma a BEA
O primeiro relatório do Escritório de
Pesquisa e Análise da França (BEA) sobre
o acidente com o voo AF 447, que caiu no Oceano Atlântico
no início de junho, aponta que a aeronave não
se partiu no ar e caiu inteiro e de barriga no mar.
Segundo o chefe das investigações, Alain
Bouillard, a aeronave tocou a água com a parte
inferior da fuselagem, em uma velocidade muito alta.
A divulgação
do relatório foi feita nesta quinta-feira. As
investigações também apontaram
que, pelo fato de nenhum colete salva-vidas ter sido
encontrado inflado, é possível que os
passageiros não tivessem sido preparados para
uma aterrissagem no mar.
Segundo Alain Bouillard,
as investigações não foram encerradas
e continuam em todas as áreas, no entanto, ainda
não é possível determinar as causas
do acidente. "Nós estamos bem longe de determinar
as causas do acidente (...) É uma investigação
difícil, nós não temos os gravadores
de voo, não temos a aeronave e não temos
testemunhas", disse.
Em relação
à busca pelas caixas-pretas, o representante
informou que elas não serão encerradas
e que o órgão investigador ainda tem esperanças
de encontrá-las.
Mensagens
do Airbus
O BEA identificou que o Airbus enviou à Air France
26 mensagens de manutenção por um sistema
via satélite durante o voo. Duas delas foram
emitidas logo após a decolagem e indicavam pequenos
problemas nos banheiros. As outras 24 mensagens foram
enviadas entre 2h10 (GMT) e 2h15 (GMT) e apontam incoerência
entre as velocidades medidas, em especial a que é
medida pela sonda pitot. Segundo ele, no entanto, a
análise de todas as mensagens ainda está
em curso.
A incoerência
entre as velocidades indicadas pelas sondas pitot chegou
a ser apontada como uma das causas do acidente. O representante
do BEA, no entanto, afirmou que o fato é um dos
elementos que pode determinar o que provocou o acidente,
mas ainda não pode ser apontado como causa da
tragédia.
O relatório também
detalha a situação meteorológica
encontrada pelo avião. O Airbus estava na zona
de convergência intertropical, região que
tem muitas "células de tempestade",
fenômeno característico das condições
registradas no mês de junho, segundo o órgão.
De acordo com o representante do BEA, uma imagem feita
por satélite mostra zonas que apresentam condições
"normais" para a região do Equador.
De acordo com o BEA,
o controle do Atlântico tentou entrar em contato
por três vezes com o AF 447 e não obteve
sucesso. A última comunicação por
rádio com o Atlântico ocorreu a 1h35 (GMT).
O último sinal emitido pelo Airbus foi às
2h10 (GMT). Apenas entre 8h e 8h30 que os centros de
controle regionais de Brest (França) e Madri
(Espanha) emitiram o aviso de desaparecimento. Segundo
Bouillard, a investigação vai tentar identificar
o motivo pelo qual se passou tanto tempo entre o último
contato e o início das buscas.
Falta
de comunicação
De acordo com o BEA, o controle aéreo brasileiro
não repassou ao centro de controle do espaço
aéreo de Dakar, no Senegal, o plano de voo do
Airbus. A aeronave ingressaria no espaço aéreo
senegalês às 23h20 do dia 31 de maio.
As autoridades do órgão
francês informaram que o repasse do plano de vôo
é feito de um organismo de controle aéreo
para outro. No caso do vôo AF 447, esse procedimento
teria sido "esquecido". "Isso provavelmente
foi esquecido no encaminhamento que deveria ter sido
feito pelo órgão de controle brasileiro",
afirmou um dos representantes do BEA.
Segundo ele, no entanto,
o fato de o controle brasileiro não ter repassado
as informações de voo não caracteriza
negligência, pois o controlador de Dakar redigiu
manualmente a informação de velocidade
e de hora estimada em que o avião entraria no
espaço aéreo senegalês, chamado
ponto Tasil. "No fundo nunca houve transferência
oficial regulamentar entre Atlântico e Dacar e
foi apenas muito mais tarde que nos demos conta que
já não tínhamos mais contato com
o avião".
A Força Aérea
Brasileira (FAB) afirmou ao Terra que o problema ocorreu
com o centro de Dakar, que não passou o plano
de voo para o centro de Madri, surgindo, assim, o alerta
do desaparecimento da aeronave.
O
acidente
O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31),
às 19h (horário de Brasília), e
deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle
de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10
de Brasília).
De acordo com nota divulgada
pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília)
o voo fez o último contato via rádio com
o Centro de Controle de Área Atlântico
(Cindacta III). O comandante informou que, às
23h20, ingressaria no espaço aéreo de
Dakar, no Senegal.
Às 22h48 (horário
de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar
do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto,
a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11
km) de altitude.
A Air France informou
que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às
2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem
automática de falha no circuito elétrico
às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe
de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário
de Brasília).
No total, foram achados
51 corpos e mais de 600 partes do Airbus A330 da companhia
francesa.
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