AF
447
MARINHA
DO BRASIL
BOLETIM DE ORDENS E NOTÍCIAS
Nº 443 DE 29 DE JUNHO DE 2009
BONO
ESPECIAL
COMANDANTE DA MARINHA
Buscas à aeronave da AIR FRANCE
Ao ensejo do encerramento da missão SAR SNE 003/09,
envolvendo as buscas relacionadas ao avião acidentado
da AIR FRANCE, voo 447, que partiu do Rio de Janeiro,
em 31MAI, com destino a Paris, e caiu no mar com 216
passageiros e 12 tripulantes a bordo, ressalto os aspectos
a saber:
Vinte e dois minutos decorridos do recebimento, pelo
SALVAMAR BRASIL, da informação oficial
sobre o desaparecimento da aeronave da AIR FRANCE, às
09h05 de 01JUN, suspendeu de Natal o Navio de Socorro
Distrital do SALVAMAR NORDESTE (Com3DN), Navio-Patrulha
"Grajaú", com destino ao ponto estimado
do desaparecimento da aeronave, localizado a 680 milhas
náuticas (1.260 km) de Natal e 233 milhas náuticas
(430 km) do Arquipélago de São Pedro e
São Paulo. No mesmo dia, às 10h15, a Corveta
"Caboclo" suspendeu de Maceió e, às
17h00, a Fragata "Constituição",
que se encontrava em Salvador, regressando da Operação
UNITAS GOLD nos EUA, após 75 dias em viagem,
suspendeu com uma aeronave orgânica AH-11A Super
Lynx, demandando a área de buscas.
No decorrer desse dia, o SALVAMAR BRASIL (ComOpNav)
e o SALVAMAR NORDESTE, utilizando informações
do Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo,
acionaram os Navios Mercantes "Douce France"
(FRA), "Ual Texas" (HOL) e "Jo Cedar"
(HOL), que transitavam nas proximidades do sinistro,
e que aceitaram participar das buscas. Tinha início,
assim, a maior operação SAR no mar já
realizada no Brasil, onde o SALVAMAR NORDESTE e o SALVAERO
RECIFE efetuaram uma operação conjunta
para coordenar as ações de busca, inicialmente,
a possíveis sobreviventes do acidente.
Em 02JUN, suspenderam da Base Naval do Rio de Janeiro
o Navio-Tanque "Almirante Gastão Motta"
e a Fragata "Bosísio", este Navio de
Serviço da Esquadra, com uma aeronave UH-13 Esquilo
embarcada, com destino a área de buscas.
Em 03JUN, o Navio-Patrulha "Grajaú"
e a Corveta "Caboclo" e, no dia 04JUN, a Fragata
"Constituição" chegaram à
área e iniciaram as buscas, em coordenação
com as aeronaves da FAB, passando a fazer, diuturnamente,
criteriosa varredura de uma área que, ao final,
se estendeu a cerca de 280.000 km quadrados, o equivalente
ao Estado do Rio Grande do Sul.
Em 06JUN, a Corveta "Caboclo" localizou e
recolheu os dois primeiros corpos e objetos que puderam
ser identificados positivamente como sendo do voo 447
da AIR FRANCE, fato esse que só foi informado
à mídia após ter sido levado ao
conhecimento dos familiares das vítimas, pelos
representantes dos Centros de Comunicação
Social da MB e da FAB. Este foi um cuidado observado
em toda a operação, em respeito à
angústia e dor desses familiares.
No total, onze navios da MB envolveram-se diretamente
na operação de buscas: Navio de Desembarque-Doca
"Rio de Janeiro" (suspendeu de Porto Rico),
Fragata "Constituição", Fragata
"Bosísio" (ComEsqdE-2 embarcado), Navio-Tanque
"Almirante Gastão Motta", Corveta "Jaceguai",
Corveta "Caboclo", Rebocador de Alto-Mar "Triunfo",
Navio-Patrulha "Grajaú", Navio-Patrulha
"Guaíba", Navio-Patrulha "Goiana"
e Navio-Patrulha "Bocaina", além de
seis aeronaves embarcadas: um UH-14 Super Puma do EsqdHU-2,
um AH-11A Super Lynx do EsqdHA-1 e quatro UH-12/13 Esquilo
do EsqdHU-1.
Juntaram-se, ainda, aos esforços de busca e resgate,
três navios da Marinha Nacional da França,
o Navio Anfíbio "Mistral", a Fragata
"Ventôse" e o Submarino Nuclear de Ataque
"Emeraude", este último a fim de auxiliar
o Navio de Pesquisa "Pourquoi Pas" e os Rebocadores
de Alto-Mar "Fairmount Expedition" e "Fairmount
Glacier", enviados pelo governo francês,
para a busca das "caixas pretas" da aeronave.
Como foi amplamente divulgado na mídia, foram
resgatados um total de 51 corpos, que tornaram possível
minimizar o sofrimento das famílias das vítimas,
além de uma quantidade substancial de objetos
pessoais e de destroços da aeronave.
Aproximadamente 1350 militares da MB participaram das
operações embarcados nos navios, além
dos militares e servidores civis que, em terra, prestaram
o necessário apoio logístico e operativo.
Os nossos navios realizaram diversos reabastecimentos
de combustível no mar, dois pela Corveta "Caboclo",
três pelo RbAM "Triunfo", e nove pelo
Navio-Tanque "Almirante Gastão Motta",
inclusive reabastecendo navios franceses; todos em condições
máximas de segurança, possibilitando ampliar
a permanência dos meios nas buscas.
Os muitos dias de mar e horas de voo a tão longa
distância das bases testaram o preparo e capacidade
da Marinha em dar suporte logístico, como, além
do fornecimento de combustível, o envio de sobressalentes
de terra e a realização de reparos no
mar, sem que fosse afetada a capacidade de operação
dos meios.
Foi possível observar que as tripulações
superaram a exaustiva e estressante rotina a que foram
submetidos para o cumprimento dessa relevante missão
humanitária. Mesmo os navios que retornaram de
longas comissões, como foi o caso do Navio de
Desembarque-Doca "Rio de Janeiro", da Fragata
"Constituição", da Corveta "Caboclo"
e do Navio-Patrulha "Goiana", apresentaram-se
prontos, revigorados e eficazes na cena de ação.
Foram mais de 150 dias de mar e de 33.000 milhas náuticas
navegadas, além de mais de 150 horas voadas por
nossas aeronaves. Em face da magnitude do evento, muitos
óbices tiveram que ser superados, por vezes com
inventividade. Destaco, entre outros:
-
a realização de operação
a grandes distâncias de bases de apoio, sendo
a
mais próxima, Natal a 680 milhas náuticas.
Este fato demandava um
trânsito mínimo de três dias até
a área de operações;
-realização
de transferência de óleo no mar entre
os Navios-Patrulha da Classe "Grajaú"
e a Corveta "Caboclo" e o Rebocador de Alto-Mar
"Triunfo";
navios suspendendo do exterior ou regressando de comissões
de longa duração como a HAITI-VII (G31),
a UNITAS-GOLD (F42), a AFRICANA (V19)e a CARIBEX (P43);
- reabastecimento de aguada, sobressalentes, material
comum e de higiene no mar;
- reparos de pequena e média monta efetuados
pelas próprias tripulações durante
a operação;
- adaptações e execução
de fainas de recolhimento e armazenagem de corpos,
de pertences pessoais e de destroços da aeronave;
mobilização dos meios para o suspender.
Mesmo aqueles que foram intempestivamente acionados,
não estando de prontidão, como navio
de serviço, fizeram-se ao mar com presteza,
reduzindo o tempo para chegar à cena de ação;
- grande esforço aéreo por parte das
aeronaves orgânicas dos meios navais;
eficaz coordenação entre as unidades
navais e os meios da FAB; e
pela primeira vez, a realização a bordo
dos navios da Esquadra de fainas de pick-up com aeronaves
Black Hawk e Super Puma da FAB.
O
incidente SAR SNE 003/09 apresentou-se como um grande
desafio para a MB e os nossos valorosos marinheiros
demonstraram, não só ao Brasil mas também
para a comunidade internacional, que apesar das grandes
dificuldades inerentes à missão possuem
preciosos diferenciais: profissionalismo, criatividade,
extremada dedicação, espírito de
solidariedade e determinação em superar
as dificuldades, o que desperta em todos nós
que servimos à Marinha do Brasil um profundo
sentimento de reconhecimento, de orgulho e de dever
cumprido.
BRAVO
ZULU !
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