28 de Novembro, 2012 - 09:02 ( Brasília )

Aviação

Construção de helicópteros na Rússia: planos e realidade


Ilya Kramnik

O parque de helicópteros da Força Aérea Russa continua a ser renovado em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, a variedade produtiva não tem muitas máquinas importantes. Será que os produtores são capazes de completar operativamente essa falta?

Os ritmos de produção de helicópteros para a Força Aérea Russa aumentam a cada dia. O número de novas máquinas prontas para ação torna-se aceitável. Só nos últimos três anos, a Força Aérea recebeu cerca de 260 helicópteros de diferentes tipos. Só no quadro dos contratos em vigor, o Ministério da Defesa receberá mais de 500 máquinas. Para 2020, a indústria deve fornecer ao departamento militar mais de 1.200 helicópteros, renovando o parque em 80 por cento.

Atualmente, a gama produtiva inclui principalmente helicópteros de transporte e polifuncionais Mi-8 em várias modificações e helicópteros de combate Mi-28, Ka-52 e Mi-35M. O último modelo é uma profunda modernização do veterano Mi-24. Em menores quantidades são comprados helicópteros leves de treino e de transporte de tipo Ansat e Ka-226, assim como helicópteros superpesados Mi-26. O Ministério da Defesa recebe ainda um pequeno número de helicópteros desenvolvidos pelo Gabinete de Projeção Kamov, destinados para a aviação naval.

Enquanto para substituir helicópteros de combate a aposta foi feita em máquinas promissoras (as compras de helicópteros Mi-35 são relativamente pequenas pelo volume, tendo essas máquinas por objetivo facilitar a passagem para Mi-28), a seleção de helicópteros de transporte é mais tradicional. Os médios Mi-8 e os pesados Mi-26 serão substituídos por médios Mi-8 e pesados Mi-26, mas numa versão seriamente renovada com novos motores e equipamentos. Destaque-se que a indústria não desenvolveu por enquanto modelos cardinalmente novos, capazes de substituir estes tipos de helicópteros. É desconhecido o volume exato de compras planificadas de Mi-8 e Mi-26. Segundo os dados disponíveis, serão 500 unidades para a primeira máquina e 35-40 para a segunda.

A insuficiente variedade de modelos já piorou a imagem do ramo russo de construção de helicópteros na Índia, em que o Mi-8 perdeu a licitação para o helicóptero americano Chinook. As possibilidades dessa máquina superpesada foram consideradas pelo cliente, mas os produtores russos não têm por enquanto helicópteros convenientes da classe “média-pesada” fabricados em série.

Entretanto, não se pode dizer que os produtores são incapazes, a princípio, de apresentar um novo modelo de máquina média de transporte. Podemos destacar, no mínimo, o helicóptero Mi-38 que atualmente está a ser testado. Por suas caraterísticas, esta máquina se aproxima de perto do helicóptero europeu EH-101 Merlin, que é utilizado frequentemente com fins militares. É conhecido que o Ministério da Defesa está disposto a discutir as compras de helicópteros Mi-38 após a máquina concluir os testes em 2013-2014. Uma centena de tais helicópteros seria um elo ideal entre os Mi-8 de média classe e os pesados Mi-26.

Por outro lado, a variedade da produção poderia ser reforçada por helicópteros Ka-62, capazes de preencher a lacuna entre os Mi-8 e as máquinas ligeiras de tipo Ansat. Com gabaritos menores em comparação com helicópteros utilizados na Marinha Russa e desenvolvidos à base do K-27, o K-26 poderia substituir estes helicópteros na aviação naval sem perdas de capacidade combativa graças aos equipamentos e motores de nova geração.

O alargamento da gama de produção é necessário, inclusive, para ampliar a oferta no mercado de helicópteros civil. Caso contrário, é pouco provável se desenvolver estavelmente no ramo, porque já é impossível manter a produção do material bélico à conta da subida constante dos preços.