09 de Outubro, 2012 - 09:57 ( Brasília )

Aviação

Boeing x Airbus - A empresa americana procura conquistar os clientes da Airbus na AL


Paulo Winterstein


Após a  Boeing Co. sofrer pesadas perdas  na América Latina nos anos 90, quando muitas da companhias aéreas da região optaram por comprar aeronaves da  Airbus, a fabricante americana está pronta para desafiar a sua rival em um dos mercados que mais cresce no mundo, afirmou um executivo da Boeing.

Como parte deste esforço  para a recuperação dos mercados perdidos nas décadas passadas, a Boeing baseia-se não somente  nas grandes vendas anunciadas este ano para grupos como : Grupo Aeromexico  e a brasileira  Gol Linhas Aéreas Inteligentes SA, mas também avançar em tradicionais clientes da Airbus , tais como:  AviancaTaca  e a  LATAM Airlines Group (TAM e LAN), afirmou  Van Rex Gallard, vice-presidente de vendas para a América Latina, África e o Caribe.

"Em  1997, nós  perdemos a campanha para a LAN, TAM e  TACA," afirmou Gallard. LAN e TAM fizeram uma fusão no início deste ano para formar a LATAM, a maior empresa de aviação da região.

"Leva tempo para recuperar, pois após uma companhia investe pesadamente em uma frota é custoso mudar," disse  Gallard. "Mas nós estamos contatando estas companhias. Elas terão um novo ciclo de aquisição e nós estamos aqui com o  novo 737 Max."

A Gol anunciou no início, do mês de outubro, que tinha adquirido 60 aeronaves novas da Boeing, para serem entregues a partir de 2018. Aeromexico afirmou que em julho que adquirirá  100 Boeing, 90 deles no modelo  737 Max. O B737 Max é mais leve e mais econômico em combustível,  do que a versão do B737 atualmente em produção, a nova versão está  em desenvolvimento e é um grande desafiante para o Airbus A320neo.

Com o tráfego aéreo com um crescimento esperado de 5% ao ano  nas próximas duas décadas, a América Latina  é um dos mercados de maior expansão. Isto poderá abrir  a necessidade para até 2.500 aeronaves novas na região nos próximos 20 anos, com  80% das aeronaves na faixa de capacidade do B 737, afirma  Gallard.

Mas com a GOL cortando custos quando a rentabilidade cai e aumenta as despesas, o sobrevoo da  Boeing pode ter seus frutos. Aumento do custo de combustíveis, aumentos de custo operacional e impostos tem diminuído o crescimento das companhias na região. No Brasil, o maior mercado da região,as duas empresas líderes GOL e TAM anunciaram planos para reduzir a capacidade este ano. No país vizinho o Uruguai, a Pluna que operava algumas aeronaves Boeing –encerrou atividades devido a falência.

 Gallard afirma que o débito da GOL não é uma preocupação pois é gerado pelo leasing de aeronaves, os quais geralmente tem termos que são muito flexíveis.

"Após anos de crescimento de dois dígitos nos teremos um crescimento “ruim de 7%", o que é esperado para este ano. Mas isto é mais que o crescimento de mercados maduros, como o europeu. A partir desta perspectiva, o que falar do crescimento do setor aéreo no Brasil?"

Com o maior país da América Latina  recepcionando a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos , em 2016,as viagens aéreas deverão ter um incremento. Há também espaço para o crescimento do segmento de carga aérea.

"Houve um crescimento do tráfego aéreo no ano que precede a Copa do Mundo na África do Sul, " afirmou Gallard.